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Lipedema: ENTENDA os Sintomas: AmatoCast Ep 36 (Parte 1)

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Lipedema: ENTENDA os Sintomas: AmatoCast Ep 36 (Parte 1)

O lipedema é uma doença descrita desde 1940, mas que ganhou destaque recentemente nas redes sociais. Caracteriza-se pelo acúmulo simétrico de gordura, principal

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Perguntas respondidas neste vídeo

Bem-vindo mais uma vez, professor também, além de doutor, né?

Bem-vindo. Obrigado. Pois é, já dei aula em universidade por 10 anos.

Chegou a falar sobre lipedema também na faculdade?

Eu acho que era a única faculdade que alguém falava de lipedema era quando eu estava lá dando aula. Porque não era currículo obrigatório. Mas eu fazia questão que meus alunos aprendessem um pouquinho.

Porque a gente até conversou numa outra ocasião que agora está se falando muito sobre lipedema, né?

Até o pessoal nas redes sociais, Tik Tok, Instagram, viralizou o tema, mas que já era algo que já tinha uma discussão em torno da doença. Já, já. É interessante.

Quando que a obesidade virou doença?

Ela virou doença em 1997, quando a OMS publicou que ela deveria ser reconhecida como tal. O lipedema, ele foi descrito como doença em 1940. Então, teoricamente, o lipedema é reconhecido como doença antes da obesidade.

Então, é uma coisa antiga, né?

E a questão é, ninguém falava muito sobre isso.

Transcrição completa do vídeo

Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato. Agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e a participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós estivemos aqui com a Dra. Lorena Amato, endocrinologista, para falar sobre uso de hormônios e características secundárias. Foi um papo bastante interessante, bastante legal. E antes, com a Dra. Priscila Beatriz, mastologista, e conversamos sobre doenças das mamas. Hoje nós estamos aqui com o Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular, para falar sobre lipedema e o tratamento da doença, tudo que envolve a questão clínica. Bom, então, vamos lá. O Dr. Alexandre Amato é médico e cirurgião vascular e endovascular do Instituto Amato. O especialista é doutor em ciências pela Universidade de São Paulo. Atualmente faz pesquisa científica em lipedema e é presidente da Associação Brasileira de Lipedema. Além disso, é doutor de diversos livros sobre saúde. E também é importante falar, né, doutor? Bem-vindo mais uma vez, professor também, além de doutor, né? Bem-vindo. Obrigado. Pois é, já dei aula em universidade por 10 anos. Ai, que legal. Comprime o meu objetivo de formar muita gente. Legal. Chegou a falar sobre lipedema também na faculdade? Eu acho que era a única faculdade que alguém falava de lipedema era quando eu estava lá dando aula. Porque não era currículo obrigatório. Mas eu fazia questão que meus alunos aprendessem um pouquinho. E com certeza foi aí que o assunto começou a ganhar destaque, né? Porque a gente até conversou numa outra ocasião que agora está se falando muito sobre lipedema, né? Até o pessoal nas redes sociais, Tik Tok, Instagram, viralizou o tema, mas que já era algo que já tinha uma discussão em torno da doença. Já, já. É interessante. Eu vou falar um dado que eu não sei se todo mundo sabe. Quando que a obesidade virou doença? Ela virou doença em 1997, quando a OMS publicou que ela deveria ser reconhecida como tal. O lipedema, ele foi descrito como doença em 1940. Então, teoricamente, o lipedema é reconhecido como doença antes da obesidade. Então, é uma coisa antiga, né? E a questão é, ninguém falava muito sobre isso. Agora que caiu na voz do povo aí, que mídias sociais, todo mundo falando, né? E estamos no mês do lipedema, né? Então, mês de conscientização. Acho que agora é o mês para todo mundo falar, compartilhar, mostrar que está querendo ajudar nessa causa. Inclusive, é bom a gente destacar, né, doutor? Porque quem acompanha sempre o Amato Cast deve ter visto que a gente já trouxe esse assunto algumas vezes, né? Não só com a sua participação aqui, como também doutor Fernando, Ciro João Plástico também falou sobre isso em outras situações, mas como é o mês da conscientização, a gente queria dar um panorama geral, né? Falar sobre novos estudos sobre isso, o que que a gente tem de diagnóstico, de evidência, até essa questão literária mesmo, né? Trazer um pouco do panorama geral sobre lipedema aqui, como a gente comentou, é um assunto que tem viralizado nas redes sociais, tem chamado a atenção, até quem não tem a doença, começou a achar que tem por conta das redes sociais, né? Começou a ficar em atenção, a gente até vai usar alguns exemplos. Então, para a gente começar, queria só que o senhor desse alguns destaques, do que a gente pode falar, o que vai ser interessante para o pessoal que vai acompanhar, sem dar muitos spoilers, só para a gente dar um panorama. Tem muita coisa para falar. Veja, nos últimos cinco anos foi publicado mais conteúdo científico sobre lipeduma do que todas as décadas anteriores. Então, a cada mês que passa, tem cinco, dez artigos sendo publicados sobre o assunto. Então, é difícil até acompanhar tudo em tempo real. E eu vou condensar isso, trazendo as novidades, tudo o que está sendo falado, porque as pessoas ainda acreditam que faz o diagnóstico do lipedema e é uma sentença marcada que vai ter que operar. E está longe disso, tem muita coisa boa para conversar, tanto que eu estou publicando meu livro, *A Beleza de Lipedema*, *A Beleza do Lipedema*. Não é à toa o nome, porque o lipedema tem esse lado, tem o lado bom e tem o lado ruim. Um dos nomes que eu tinha imaginado antes era *Lipedema, Luz e Sombra*, porque não é uma coisa tão simples assim, não é uma coisa que você olha e fala, caramba, é só coisa ruim e acabou, não? A gente tem que ver o outro lado. Pessoal, fica muito assustada porque aquilo que a gente já comentou, que é considerado uma doença que não tem cura, então quem até vê um sinal de alerta fala, nossa, o que isso vai impactar na minha vida, como que eu vou fazer, será que isso vai piorar? E é importante a gente ter esse esclarecimento, o que a pessoa pode fazer quando recebe de fato esse diagnóstico, como que funciona o diagnóstico, exemplos de tratamentos, depois a gente também vai para a parte cirúrgica, também já adiantando que é importante para quem tem esse interesse em saber mais como funciona. Sim, acho importante, a cirurgia veio como uma técnica para ajudar a diminuir os sintomas e é importante a gente falar, mas ela está longe de ser um tratamento alternativo, ou seja, você faz a cirurgia e não tem que pensar em mais nada porque a cirurgia resolveu o problema. Não é isso, não é cura, não é resolução do problema, ela é um algo mais que pode ser colocado no tratamento à medida que foi feito todo o tratamento clínico conservador. E é o que traz mais dúvida, a cirurgia é invasivo, mexe com a autoestima da mulher, então é um assunto interessante também, vamos falar sobre tudo isso. Com certeza, bom, então queria começar a dar um destaque para o seu livro, vou pedir para o pessoal da nossa produção, da nossa edição aqui já mostrar as imagens para quem está acompanhando, porque é algo muito interessante que já foi publicado, eu vi no seu Instagram. Publicamos, publicamos essa semana, estou super contente. Que legal, como é que foi esse processo? O processo de escrever um livro, eu já te escrevi vários outros, mas esse foi diferente, porque há cinco anos atrás eu escrevi um livro sobre Lipedema, eu queria escrever sobre Lipedema e eu vi meu livro que era um resumo de todos os artigos científicos publicados e eu vi que aquilo lá não tinha alma, era um resumo de tudo, e eu achava que não ia acrescentar nada, então eu peguei e joguei fora o lixo, o livro, e falei, não está na hora, e aí foi ano passado que eu falei, agora eu consigo fazer algo em que eu vou acrescentar, colocar não só a minha opinião, mas talvez eu consiga mudar o conceito do Lipedema no mundo, tanto que eu estou publicando em inglês ao mesmo tempo. Ah, que legal. Eu trago relatos de mulheres, trago toda a história do Lipedema, trago formas de tratamento, como aplicar isso no dia a dia, e o que realmente tem que se prestar atenção. Porque a medida que um artigo científico é publicado, é um pontinho de conhecimento. Aí tem um pontinho de conhecimento aqui e outro pontinho de conhecimento aqui, e não tinha nada que conectava os pontos para fazer um sentido tudo isso. Não tinha nada de saber que tem mais sódio na gordura da paciente com Lipedema. O que isso leva ou traz no contexto geral, o que isso vai mudar no tratamento da paciente, quando eu tenho que levar isso em consideração, e é essa conexão dos pontos que eu quis fazer nesse livro, e modeste a parte, eu acho que ficou muito legal. Nossa, muito interessante. E também a pessoa que não sabe ainda, que não tem conhecimento nenhum, consegue entender. Desde essa ponta, do diagnóstico até a questão do tratamento, então tem todo esse panorama. Eu escrevi o livro tanto para paciente, para quem quer entender, e é leigo no assunto, como para o profissional de saúde. E eu fiz de uma forma bem interessante. Eu peguei toda a parte mais densa e chata para quem não é profissional de saúde, e coloquei nos apêndices do livro. Então, para quem quer, por exemplo, entender a fundo os exames de imagem no diagnóstico, é só ir lá nos apêndices que vai encontrar. Agora, se você quer simplesmente entender como funciona o lipedema, estar lá no coração, no núcleo do livro, está explicado de uma forma que todos vão entender. Então, eu acho que eu vou conseguir agradar gregos e troianos. Legal. E também, o senhor foi um dos primeiros aqui no Brasil, que falou sobre o lipedema também, e até a questão do tratamento que aplicou, né? É bem interessante, porque se vocês tiverem a curiosidade de procurarem aqui no canal, vocês vão ver publicação de lipedema desde, acho que 6, 7 anos atrás, que a gente publicava, quando o canal não tinha quase nenhum seguidor. Uns vídeos bem toscos. Tá bom, vai, pessoas não precisam procurar, porque eu não tenho orgulho nenhum, mas eu mantenho lá. Eu mantenho lá como história do lipedema no Brasil. Legal, mas essa parte a gente tem que buscar e colocar também, que o pessoal vai ficar curioso para ver. Bom, então é importante também a gente citar aqui desses dois lados, já era algo que, por exemplo, você chegou a trazer há muito tempo, já falava sobre isso, foi um dos primeiros a comentar sobre essa doença, também o tratamento para São Paulo, e agora é um assunto que viralizou nas redes sociais, como a gente já tinha comentado, principalmente de TikTok, Instagram, até para os jovens, pessoas que a gente sabe que o público do TikTok, principalmente, acaba sendo até menos que 20 anos, e tem um vídeo que eu vou pedir para o pessoal também colocar, que tem mais de um milhão de curtidas e milhões de visualizações, de uma pessoa que mostra uma marca na perna, que usou uma calça e ficou aquele, como se fosse a costura da calça ali na lateral, e também ficou com a meia ali apertada o dia inteiro, e a hora que tirou a meia ficou a marca, como se ainda estivesse usando. E aí fica, está escrito, pove lipedema, que é pove, aquele point of view, que eles falam, tipo assim, ah, o ponto de vista. Point of view é interessante, você acabou de explicar uma coisa que eu via e não sabia o que que era. Exatamente, isso, o point of view, e a tradução para o português é ponto de vista. E aí as pessoas ficaram muito curiosas para falar, nossa, isso realmente é um sinal de lipedema. E aí nos comentários, comentários com milhares de curtidas também, jovens falando, nossa, descobri que eu tenho lipedema, eu tenho lipedema, meu Deus, estou assustado. Então isso realmente é um sinal que a pessoa tem lipedema, ou é só um alerta? O que que a gente, ah, eu fiquei preocupada depois dessa? Mais ou menos, a resposta não é tão direta assim. Em primeiro lugar, um monte de gente comentando, 12,3% da população feminina brasileira tem lipedema. Então sim, tem um monte de gente com lipedema no Brasil. Mas aquilo denota enchaço, edema, e não lipedema. Acontece que no lipedema tem edema. Então pode aparecer sim em quem tem lipedema, mas pode aparecer também em quem não tem. Então tem outras justificativas para aparecer aquele sinal, em quem não tem lipedema. Entretanto, é muito comum em quem tem lipedema. Isso não acontece o tempo todo, acontece quando fica muito tempo de pé, ou quando está numa fase ruim da doença, uma fase inflamatória, em que tem bastante sintoma, e aí coloca uma calça mais justa, aí vai aparecer, sim, aquelas depressões. Só que também pode aparecer em quem tem lipedema, também pode aparecer em quem tem fleboedema, também pode aparecer em quem não tem nada disso, e ficou o dia inteiro sentado, parado, ou viajou de avião sentado por muito tempo. Então essa é uma das razões para a gente pedir para se movimentar, nunca ficar cedentário por muito tempo. Então não, não é um sinal patognomônico, ou seja, um sinal que denota que a pessoa com certeza tem lipedema, mas sugere que pode ser que tenha. Porque chama muita atenção, com certeza todo mundo que está assistindo também, alguma vez na vida, tirou a calça, tirou a meia e foi ver que estava com aquela marca. Agora quem está vendo esse vídeo vai falar, meu Deus, para tudo, tenho de lipedema. Então a gente já falou também outros episódios, mas é bom a gente retomar. Além dessas marcas desse edema, o que pode ser um sinal de alerta para de fato um caso clínico de lipedema? Ok, numa das pesquisas que a gente fez, uma perguntinha que era muito importante, são as pessoas que sentem que tem alguma coisa errada na perna delas e mulheres, e não conseguem explicar o porquê. Muitas vezes elas passam em vários médicos e cada um fala uma coisa, ou falam que não tem nada, mas tem que ter essa desproporção simétrica, um corpo inferior, cintura para baixo, é diferente da cintura para cima. Entretanto, o lado esquerdo, ele é muito semelhante ao lado direito, e essa é a desproporção simétrica. A dor, a dor também está muito frequentemente associada ao lipedema e a dor pode aparecer de várias formas, pode aparecer com uma sensação de peso, cansaço, uma sensibilidade ao toque e 90% das mulheres com lipedema vão ter dor, pelo menos em algum momento da vida. Tem 10% que não tem e esses são casos mais difíceis de se fazer o diagnóstico. Outra coisa muito frequente são os roxos na pele, então fica a hematoma, fica roxinho, e que muitas vezes ela não sabe dizer de onde apareceu. Eu tenho paciente, às vezes, que fala que é desastrada, e na verdade ela nem sabe se é mesmo desastrada, ela é desastrada porque aparece o roxo, mas às vezes ela nem bateu e o roxo estava aparecendo. Essa fragilidade capilar também é muito frequente no lipedema. Então esses são os critérios principais. Tem outros também, tem a fadiga, o cansaço, muitas vezes está associado com o lipedema. Quando a gente fala de dor, é importante esclarecer também, a dor é aquela dor do sentido mais... Sabe quando a gente fica cansado no final do dia que dá aquele peso, quando coloca a perna para cima na cama, com algo mais alto, dá aquele alívio? É esse sentido de dor, ou é aquela dor realmente de incômodo, até para caminhar, por exemplo, a pessoa não fez nada muito que exigiu do corpo, mas mesmo assim fica de pé por muito tempo, começa não conseguir ficar de pé, e como a gente pode diferenciar essa dor? Pois é, não é fácil, porque ela pode aparecer de várias formas. No final, é dor de inflamação, e dor de inflamação, ela vai irritar os nervos, os nervos noceceptivos, e aí pode aparecer de várias formas, como eu disse, essa dor de peso no final do dia, pode ser por causa de insuficiência venosa, mas pode ser por causa do lipedema também. Só que também pode ter a dor, a sensibilidade ao toque. Então são as pessoas que contam que não consegue, o gato deita no colo, ela sente dor. O marido encosta dá um berro. É interessante até que nessa história do marido é super frequente. Eu estou contando, não é um exemplo esporádico, não, é quase que rotina, e os maridos não entendem e reclamam. Por exemplo, eu não posso nem encostar em você que você reclama, porque eles não enxergam a razão para essa dor, porque a inflamação não é visível. Então tem essa dissociação também do que ela sente, com que as pessoas ao redor acreditam que ela possa estar sentindo. São pessoas que, principalmente no estágio inicial da doença, não aparece tanta deposição de gordura assim. Então elas podem, para o mundo ao redor, ter uma perna linda, só que elas não se veem lindas, elas se veem de uma forma inflamada, bastante queixa estética. E toda essa queixa estética é decorrente da inflamação. Sim. E até que a gente costuma falar no lado feminino, porque é mais comum na mulher, mas também no homem pode acontecer, ou não? É bem raro, mas acontece. Como eu atendo Lipedema do Brasil inteiro, eu acabo recebendo bastante casos de homem aqui, mas tem que ficar claro. É muito raro, não é frequente. Tem alguma causa para isso, alguma explicação? No homem. Para ser como um só em mulher e em homem, não? Está relacionado com o hormônio, com o hormônio feminino, estrogênio. Acontece que esse é um grande problema também, porque tem um monte de gente para aí, quando caiu na mídia, as pessoas leem um parágrafo do artigo científico e não entendem a profundidade disso. E aí eles leem que o problema é a correlação com o hormônio feminino. Pronto, solução descoberta. Vamos inibir o hormônio, ou vamos dar o hormônio masculino, que o problema do Lipedema desaparece. Longe disso, a questão é muito mais profunda do que essa. A questão é evolutiva. Se a gente voltar na época das cavernas, a função da mulher era proteger a prole. O homem não, a função do homem era buscar comida. Então, quando tem o hormônio feminino, simplesmente diz para o corpo que ele tem que atuar de uma forma diferente, com armazenamento de energia para ajudar a amamentar um filho e levar o gene para frente. O homem não, o homem tem que ter energia, gastar energia para conseguir caçar mais. E o que faz essa diferenciação do homem e da mulher? É o hormônio feminino. Então, a solução que algumas pessoas estão fazendo, vamos dar o hormônio masculino, ou bloquear o hormônio feminino? Você simplesmente está pegando a mulher e transformando-a metabolicamente em um homem, e vai acarretar todos os danos metabólicos que o homem tem. Veja, o homem morre mais cedo, não é à toa, vale a pena morrer mais cedo e deixar de ter os sintomas do Lipedema? O hormônio é um coadjuvante nessa história toda. Ele só diz o que tem que acontecer no corpo. Não é aí que a gente tem que mexer para tratar a paciente com Lipedema. Então, eu meio que saí pela tangente falando de um outro assunto que eu acho extremamente importante. Com certeza. E até essa questão de diagnóstico, quando a gente fala dos sinais de alerta, é considerado difícil um diagnóstico de Lipedema para confundir com as outras doenças, porque às vezes a pessoa tem uma obesidade, tem um sobrepeso e acaba achando já fazendo essa correlação com o Lipedema. Então, para a confirmação do tratamento da doença, é algo difícil de fazer? Para mim, é super fácil. Eu bato o olho e faço o diagnóstico, mas eu te explico o porquê da dificuldade das pessoas. Primeiro, é não acreditar que existe. Até hoje, eu ainda ouço o colega meu falando que eu estou tratando obesidade. Mas o problema maior é o pensamento raso de muita gente, que acha que obesidade é o IMC alto, índice de massa corpórea, que é o peso sobre a altura ao quadrado. E aí, o IM já estamos usando duas medidas só, de peso e de altura. Se a gente usa o IMC, a gente vai ter um monte de erro. Vou dar um exemplo. Se a gente pega o Arnold Schwarzenegger na época, a aurea dele tinha, acho que, 35 de IMC, que era para ser considerado obeso. Mas não era obesidade e todo mundo sabe disso, porque ele tinha bastante músculo, então ele era pesado para a altura dele. Só que, como ele era pesado para a altura dele, as custas de músculo não eram obesidade. Aí fica fácil entender. Mas no lipidema é gordura. Só que, diferente da obesidade, a obesidade é gordura visceral. O lipidema é gordura periférica, gordura nos membros. Então, são duas gorduras diferentes. E, metabolicamente, essas duas gorduras atuam de formas completamente opostas. A gordura visceral, que é a gordura da obesidade, ela vai causar doenças da obesidade. Então, as doenças inflamatórias, vai causar câncer, vai causar infarto, derrame, aterosclerose, Alzheimer... Todas as doenças ruins são provenientes e crônicas. Degenerativas são provenientes dessa inflamação crônica, que vem da gordura visceral. Por incrível que pareça, a gordura periférica, que é a gordura do lipedema, ela protege de tudo isso. Ela protege da inflamação, ela protege de todos esses danos e dessas doenças cardiovasculares. Então, na hora que eu pego o IMC, que é o peso sobre a altura, e vejo um peso alto, eu tenho que me perguntar, mas as custas do quê? Ah, é gordura. Ok. Mas é gordura ruim ou é gordura boa? Porque se for gordura boa, eu não posso falar que é obesidade, eu tenho que falar que é uma outra coisa. E no caso, é o lipedema. Se for gordura ruim, aí tudo bem, eu posso falar que é obesidade. Então, quando a gente pega as pacientes com lipedema, boa parte delas tem o IMC alto. E aí, é batata, vai passar em alguém desavisado, vai olhar e falar, obesidade? Obesidade vai tratar como obesidade. Só que não é, são coisas diferentes. Esse é um problema gigantesco, e por isso que as pessoas acreditam que é difícil o diagnóstico, por esse excesso de simplificação do problema. Isso chama muita atenção. É importante a gente continuar falando sobre isso, essa questão do quando a pessoa acha que é obesidade, trata como obesidade, mas também na sua explicação, o lipedema pode ser, comparando com obesidade, uma gordura boa, se a gente pode dizer assim. E na questão de a necessidade de tratamento para o lipedema, porque apesar de ser uma gordura boa, influencia na qualidade de vida das pessoas. Isso é, a gente precisa deixar claro, porque é que é uma gordura boa e as pessoas precisam tratar. Exato, porque ela traz sintomas. Se ela traz dor incômodo, eu tenho que aliviar essa dor incômodo. E se eu começo a depositar muita gordura, ela vai atrapalhar até mobilidade. Então, esses são os problemas do lipedema. Mas a grande pergunta é, por que que está acontecendo isso? O lipedema, na verdade, está atuando como um escudo protetor. Ele está absorvendo os problemas inflamatórios da pessoa e transformando nessa gordura e trazendo todos esses sintomas. Normalmente, a pessoa que tem lipedema, ela vai reclamar muito da perna, mas ela vai viver bastante. Ela não vai morrer de um infarto, ou pelo menos o risco é menor. A maior parte das pacientes que tem lipedema tem um perfil de colesterol muito bom, com um colesterol bom alto. Muitas vezes com níveis que elas não merecem, porque elas podem estar até sedentárias ali e tem um nível que é de triatleta, que eu não consegui ter nem sonho, não conseguiria, porque eu sou homem e não tenho como apresentar essa alteração. Então, o que eu preciso tratar? Eu preciso tratar o lipedema, eu tenho que enxergar o lipedema como um sinal de alerta de que alguma coisa está acontecendo no corpo. E aí eu trato essa coisa que está acontecendo no corpo, o lipedema para de aparecer como um problema. Ele dorme, ele não é mais uma queixa. Então, o que eu vejo nas pacientes que fazem o tratamento clínico conservador de forma correta é que elas param de sentir dor, elas param de ter essas queixas do lipedema, e aí elas não estão mais necessariamente e ativamente buscando a retirada da gordura. Porque não incomoda mais. Muitas vezes elas voltam para fazer um tratamento de varizes, ou outra coisa, que acabam incomodando um pouquinho mais. E é um controle que precisa ser feito como uma nutensão para quem é diagnosticado com o lipedema, como a gente já disse, não é algo que tem cura. Então, a pessoa precisa manter esse controle. Sabe, todo mundo, sem exceção, tem que se preocupar com a inflamação. Não estou nem falando de lipedema agora, estou falando de inflamação. Eu inflamo, você inflama, pessoal aí, todo mundo inflama. A questão é, quem tem lipedema vai ser avisado dessa inflamação. Quem não tem lipedema não vai ser avisado. É isso. Então, o que a gente tem que tratar é a inflamação. E aí o lipedema para de ficar apitando. Então, sim, tem que fazer o controle a vida toda. Mas, assim como quem tem lipedema, todo mundo tem que fazer. É que as pessoas não estão muito preocupadas com isso. Eu acho interessante, por exemplo, vai no médico e aí o médico fala, olha, deu aterosclerose. Você tem que fazer dieta, tem que fazer exercício e pode tomar esse medicamento, essa estatina. A pessoa vai lá, começa a tomar a estatina, não muda a dieta, não começa a fazer exercício. A estatina segura as pontas, melhora lá o perfil do colesterol. Mas ela resolveu o problema ou ela está só maquiando o problema. E aí lá na frente, esse problema que é a dieta errada, o exercício inexistente, será que ele não vai aparecer de uma outra forma nesse paciente que está só tomando a estatina? Então, as nossas doenças, a maior parte delas, são o fruto de décadas e décadas de descaso com a nossa saúde. O paciente pode chegar e falar, puxa a vida, mas agora eu vou mudar. Puxa, mas agora não é mais profilaxia, agora é tratamento, agora você vai precisar do medicamento, agora não tem mais jeito, passou do ponto. É óbvio que eu ainda quero que você faça dieta e exercício físico, mas agora não pode abrir mão do medicamento. Contando isso para o lipedema, muitas não fazem o tratamento conservador, e depois vão colher os frutos da dificuldade, da mobilidade e tudo isso. Só que aí entra um outro problema, que é a falta de conscientização, a falta de conhecimento do médico. Muitas vezes elas foram atrás, só que ninguém falou para elas o que ela tinha que fazer. Então, acho que essa é a importância do mês de junho, o junho lipedema, aqui para o Brasil, mas para o mundo todo. Começar a tratar desde o início, é importante que as pessoas mais novas estão tendo essa consciência, como a gente falou pelas redes sociais, o assunto está sendo muito falado. O grande medo, eu acho muito legal essa conscientização, deu um chacoalhão em todo o mundo e falou, gente, vamos prestar atenção na saúde, é o lipedema, se você cuida cedo, não vai ter problema nenhum na vida toda, não vai progredir. Agora, o problema é que muita gente está se aproveitando disso para fazer cirurgia em caso precoce, caso que não precisava, e coloca medo na pessoa, falar, olha, você é um estágio 1, mas se você não fizer nada, o lipedema estágio 4, a pessoa entra em pânico, vai fazer a cirurgia no desespero. Acho que é melhor fazer a cirurgia rápido e antes para não chegar a um nível pior. Exatamente o oposto, esses são os casos que vão melhor com o tratamento conservador, são as pessoas que, em pouco tempo, melhoram demais. É legal ver essa evolução. O processo evolutivo, o doutor. A gente vai falar mais sobre o processo clínico, de tratamento, melhor dizendo, antes da cirurgia, mas como funciona isso a pessoa, quando chega nesse nível de dor, até no toque. A pessoa encostou ali dor para caminhar, dor para ficar muito tempo em pé, essa marca muito forte que a gente comentou, todos esses sintomas. Então, a evolução clínica, como que costuma acontecer? Até citando o exemplo do seu livro eu falo muito em gatilhos inflamatórios. Esse termo não existe na literatura científica. Eu estou tentando introduzir, mas não está bem estabelecido, mas para mim é muito claro. Existem alguns gatículos inflamatórios que são fáceis de identificar e fáceis de tratar. E tem alguns gatilhos inflamatórios bem difíceis. São doenças raras, alterações genéticas raras. Para identificar esse gatilho inflamatório, precisa de um médico competente que entende esse assunto para ajudar nessa identificação. Mas na hora que você tira da vida da mulher esse gatilho inflamatório, é muito rápido a melhora. Em uma, duas semanas já não tem mais a dor que tinha antes, o enchaço já melhorou, todas as queixas já melhoraram. É óbvio que se houve um acúmulo muito grande de gordura, essa perda de gordura vai se arrastar por um tempo, mas ela acontece, depois que desenflama, dá para perder o volume da perna. E o que que costumam ser esses gatilhos inflamatórios? Os mais comuns são alimentares. São alimentos que acabam disparando essa inflamação. Existem vários que podem causar isso. A maior parte deles, todo mundo já ouviu falar de alguma forma, então, trigo, glúten, leite, açúcar, sal, todo mundo já ouviu que isso é inflamatório de alguma forma. Eu até recebi um meme outro dia da pessoa bebendo cerveja e mostrando a perna como, olha a perna do bebum, que é inchada. Caramba, todo mundo sabe o que está acontecendo, mas aquele bebum do meme estava lá, continuava bebendo sempre. Acho que para ele vale o risco. É mais fácil que a perna inflamada, inchada, do que parar de beber. Enche a cara e não presta atenção no problema da perna. É assim, a virada de chave, perceber que todo mundo vai ter que ter em algum momento da vida o autoconhecimento, entender o que faz bem e o que faz mal. Tem que acontecer, não tem jeito. Porque quando a gente é criança os nossos sistemas de compensação funcionam muito bem. Então às vezes a gente faz muita coisa errada mas o corpo se vira. Eu lembro quando era criança, tinha uns sorvetes que devia ser radioativo o negócio pela quantidade de... Já me veio na cabeça. Ele pode, que não tem marca de volta, não tem nada escrito, nem embalagem nada. Aí vem a pergunta, como a gente sobreviveu a nossa infância? Na verdade, é porque quando a gente é criança, nosso corpo é brilhante para resolver esses pequenos problemas. A gente vai ganhando um pouquinho de idade e esses sistemas eles acabam não ser tão eficazes e os problemas começam a aparecer. Muito embora eu também acho que a gente é uma geração que vai colher os frutos desses erros na infância. E isso está para aparecer. O legal é que até muita gente comenta que conforme a vida vai ficando mais dinâmica, as pessoas com até a questão de iFood sem fazer propaganda para a empresa, mas esses aplicativos de entrega de comida, deixar tudo mais rápido, o pessoal já não tem mais aquela necessidade de ficar fazendo as coisas e aí falam as praticidades, as pessoas preferem as redes sociais, preferem esses aplicativos para pedir coisas, para não ter aquela preocupação com comida. Mas eu pelo menos na minha faixa etária, que vai dos 20 aos 30, tenho 24 Não precisava falar aqui Sem expor Eu acho que as pessoas estão se preocupando cada vez mais com isso da saúde Eu vejo assim, pelo meu cico, claro que não dá para a gente generalizar e achar que todo mundo é assim por um núcleo mas eu acho que as pessoas estão tendo mais preocupação, os mais jovens com aquela vida fitness, a gente percebe até a influenciar as redes sociais mesmo nisso Então tem dois lados, tem muita gente que acaba se influenciando por essa praticidade dos aplicativos de entrega de comida e acaba vivendo cada vez mais naquele ciclo de fast food como também tem gente que acaba sendo influenciado por aquela vida fitness aquela sensação de bem-estar que a internet expõe bastante Então eu acho que de uma certa forma as redes sociais têm até ajudado isso Você, se você enxerga dessa maneira? Eu acho que o conhecimento é sempre bom. Mas o conhecimento sem você saber exatamente aonde aplicar ele pode acabar atrapalhando. Vou explicar o que eu estou querendo dizer. Vou tentar criar uma situação hipotética. Imagina que você tenha uma hora só no seu dia para você fazer alguma coisa saudável. Você pode gastar essa uma hora fazendo seu almoço ou você pode pedir um alfuque e ficar 40 minutos fazendo exercício e comer depois. O que você acha que é melhor? Isso realmente não tem como negar. Pois é, são coisas difíceis porque você perde a noção da prioridade quando você tem muita informação. Você não sabe o que é mais relevante. Será que é mais importante? Você tem um médico influenciador na internet. Eu também sou youtuber, mas ele falou que as amoras de Nova Guiné colhidas pelos guinomos não sei de onde fazem bem para a saúde. Eu vou atrás disso. Mas o quanto isso é relevante perante alguma outra coisa? Eu vou pegar um outro extremo só para ficar muito claro: parar de fumar. Mas vai lá atrás das amoras foi atrás de uma coisa boa, mas continua fazendo uma coisa extremamente ruim porque ele tinha um excesso de informação e aí ele resolveu escolher a dedo o que era divertido ou fácil para ele fazer e não tinha ninguém lá para falar, escuta tome tento, não é assim que funciona. Você tem que fazer a prioridade na frente.

Eu lembro quando era um professor universitário, tinha um ambulatório que a gente fazia e tratava de ústera venosa e aí eu pegava todos os alunos e um dos momentos eu perguntava o que a gente pode fazer com esse paciente, quais são as coisas boas que a gente pode fazer e aí estava lá o paciente na sala e os alunos começavam a elencar tudo: dá para fazer curativo, dá para hidratar a pele, o exercício, dá para comer melhor, dá para hidratar, dá para fazer um elasto com pressão e aí vai no mínimo umas 30, 40 sugestões apareciam. Aí eu falava: beleza, de tudo isso aqui o que é o mais importante? Na época já era a compressão inelástica, mas isso é chato e difícil de fazer, não é uma coisa fácil. Se eu passar essa lista de 40 coisas para o paciente, é bom para ele. O que vocês acham que eles vão fazer? Eles vão escolher os 3 mais tranquilos e vai deixar os outros não vai fazer tudo. Só que os 3 mais tranquilos provavelmente não são os mais efetivos. Tem que ter alguém aqui filtrando e aí é o nosso papel como médico escolher a briga e vencer essa briga. Então a primeira briga vai ser a compressão inelástica. Nós vamos fazer isso. Você até pode fazer o restante, você não pode abrir mão. Isso tem que estar na frente de tudo até entrar nessa parte do diagnóstico que a gente estava citando do lipedema, como envolve muitas questões que pode piorar, melhor dizendo, os sintomas. É importante que o médico tenha esse panorama da vida da pessoa para poder explicar onde está o problema.

Você tocou numa ferida, numa ferida da saúde no Brasil e no mundo na hora que a gente tenta super simplificar a saúde para fins de colocar num pacotinho e vender. O que eu estou querendo dizer: um convênio para ele oferecer saúde, ele tem que simplificar, tem que fazer consultas de 15 minutos, tem que ser rápido e pronto. Como é que eu vou entender a vida de um paciente em 15 minutos e entregar para ela exatamente o que ela precisa? Ou até pode até ser que eu seja muito bom em precipicar e consigo identificar o problema em 15 minutos. Mas como eu convenço a pessoa a mudar de vida dentro desses 15 minutos é impossível. Então aí as pessoas ficam pulando de um especialista em outro, especialista em outro, tentando ela mesma fazer a conexão dos pontos que eu estava falando antes e às vezes ela consegue, mas a maior parte das vezes não. E como um médico não tem a continuidade do anterior, toda vez que vai para o próximo aperta o botãozinho reset, começa de novo e vamos tentar identificar a pessoa fica patinando no mesmo lugar.

Infelizmente, a saúde é muito mais complicada do que parece. Não é. Eu vi recentemente uma disputa de um médico com uma inteligência artificial. Pegaram um cara muito bom e deram um caso clínico muito difícil tanto para inteligência artificial quanto para ele. E foram vendo os passos que cada um seguia. A inteligência artificial chegou no diagnóstico antes do médico. Ok, será que até substituiu completamente o médico? Longe disso. Inteligência artificial é incapaz de fazer a propedêutica que é o exame físico, a anaminez e pegar essas nuances da vida do paciente. Então é complicado porque para a gente identificar um gatilho inflamatório, às vezes eu tenho que perguntar até da infância do paciente. Isso demanda tempo, exatamente entender o contexto todo até a própria pessoa.

As vezes não identificou onde pode estar o problema. Parece mais uma união da medicina da especialidade com até uma psicologia para a pessoa também e explicando. Ter aquela abertura, às vezes tem algo que não acha nem relevante ou as vezes pessoas são diferentes. A gente costuma explorar muito mais extravertido, mas tem muita gente que não gosta de falar de hábitos. Prefere deixar ali escondido do que falar, mas não entende a necessidade de explicar sobre um ponto que pode ser essencial no diagnóstico, no tratamento.

E até eu queria citar claro, nosso episódio a gente acabou tem muita coisa para falar ainda, mas dessa parte clínica de tratamento porque você chegou a citar que a alimentação está muito relacionada com essa questão do sistema dos malefícios e o que as pessoas sentem de sintoma. Mas eu vi que a gente já tinha comentado também outro episódio que tem várias técnicas de tratamento que não cirúrgico. Então, quanto que a alimentação pode ser de fato necessária uma mudança como uma forma de tratamento e quando que não é o suficiente? Precisa ir para compressão, drenagem linfática, tudo aquilo que a gente já tinha como forma de opção. A alimentação sempre vai ter que ser considerada. Ela pode não ser o gatilho principal, mas alguma coisa a gente vai ter que fazer para melhorar isso. Tem que estar lá na lista de coisas a se fazer.

A grande pergunta é: é a causa principal? Nem sempre é. O restante o que a gente tem que fazer? A gente tem que pensar muito na saúde mental. Saúde mental é crítica principalmente depois do covid. Acho que todo mundo tem essa sensação que eu tenho: o mundo está ficando um pouquinho mais louco. Mas todo mundo aumentou o nível de ansiedade, todo mundo aumentou o nível de depressão e isso interfere demais porque o estresse também gera a inflamação e a inflama eu revelei a minha então a parte mental é muito importante uma coisa que eu gosto de falar é cuidar do linfático todo dia lembra aquele sinal que a gente estava falando aquilo o sistema linfático ou a linfa demorando para retornar o linfático está identificado no mínimo e ali fica acumulando as toquinas inflamatórias que promovem a inflamação então a gente tem que tirar isso dali como a gente tira estimulando o linfático então tem vários métodos para estimular o linfático desde a drenagem linfática que é a primeira coisa que passa na mente de todo mundo até o próprio exercício físico então o exercício físico feito da maneira correta também melhora o retorno linfático pode falar dito isso alimentação a dieta anti-inflamatória é a que funciona para todo mundo? não eu lembro que eu fui num congresso nos Estados Unidos toda vez que eu vou tem uma dieta nova que estão falando uma que me marcou a dieta do viking do inverno do viking do inverno trouxe cheio de peixe e não sei o que bastante vitamina A mas tinha funcionado para aquela pessoa que estava apresentando aquilo realmente vai funcionar para todo mundo? longe disso, uma das críticas dos nutricionistas é que não existe uma definição do que é uma dieta anti-inflamatória. Ah, siga isso aqui e que você está fazendo uma dieta anti-inflamatória não tem porque a bioindividualidade conta demais. O que funciona para uma pessoa é porque os genes dela são de tal forma, o que funciona para outra pessoa é porque os genes dela funcionam de outra forma. Vou dar um exemplo: o povo Inuit que vive de carne de foca e de peixe, não tem nenhum carboidrato na alimentação. Eles têm a genética apropriada para a dieta cetogênica. Agora tem povos que vivem de carboidrato. Será que se eu pegar e transplantar uma dieta cetogênica para esse povo que só vive de carboidrato, eles vão se dar bem? Ou se eu pegar começar em tuxapão nos Inuit, o que vai acontecer? Essa bioindividualidade é fundamental. Essas dietas também são muito específicas. A gente até fez um episódio com a doutora Lorena sobre dietas saudáveis que ela explicou é bem divertido. A gente falou de várias dietas muito específicas, características que eu nem sabia que existia para ser sincero é isso né? A pessoa entendeu quanto é falou da dieta da alface, come tudo menos alface pois é. Ela até falou de umas que parecia bem antigas de povos, ela citou exemplos da pessoa comia na época da caverna. Então foi bem interessante aquele tema e é exatamente isso: não adianta a pessoa tentar se encaixar em algo só que eu vou seguir um padrão que parece que vai trazer um resultado, sendo que o que importa são as características individuais. E a gente pode resumir a questão da alimentação: é essencial, é importante, mas na questão do lipidema quando a pessoa recebe o diagnóstico muitas vezes vai precisar de um tratamento conjunto com outras opções e vai precisar de um guia. Eu acho que esse papel do guia é fundamental porque se não a pessoa fica perdida: como é que vai fazer tudo ao mesmo tempo? Vou ter que mudar a dieta sem saber nada de dieta, vou ter que fazer exercício sem entender de exercício, vou ter que fazer um monte de shot de alguma coisa sem saber o que eu tenho que fazer. O direcionamento de um profissional bem qualificado é fundamental no lipidema. Eu entendo, gente, o maior problema é encontrar o profissional porque da noite para o dia todo mundo começou a falar que é especialista no assunto. Tem gente aí oferecendo curso para implante de hormônio porque eu já falei que é um absurdo. O chip que trata o lipidema isso deveria ser considerado um crime. Só para ter uma ideia, tem uma substância que é a gestrinona que estão implantando por aí nas mulheres. Ela é proibida nos Estados Unidos, não tem nenhum trabalho científico sobre a gestrinona no lipidema por várias razões porque o país que ela é permitida é aqui no Brasil, para tratar a gestrinona metriose para tratar o lipidema e assim. Não tem pesquisador que está publicando sobre a gestrinona. Eu que sou pesquisador não vou publicar sobre a gestrinona, não sei que seja para publicar as complicações que tem chegado no consultório para mim e mesmo assim, mesmo não tendo evidência científica, as pessoas têm coragem de colocar. É aquilo que a gente estava conversando antes aqui: a literatura não diz nada. Exato, para quem está acompanhando nas redes sociais também até na televisão na mídia comentamos sobre um caso que repercutiu na semana sobre um paciente que fez pilim de fenol teve uma complicação e veio ao óbito. Não vai entrar nessa, cristal é triste a história do tratamento inadequado é e serve como até exatamente um exemplo de que a pessoa está vendo algo específico ali sem enxergar o contexto que está por trás, o que a pessoa tinha sem fazer exame no lipidema. Inclusive essa era uma dúvida preciso citar algo para a gente finalizar aqui: exame. Tem muita gente que depende de um diagnóstico pessoal no lipidema isso é possível, mas muitas vezes é o olhar do médico. O olhar do médico é suficiente: o olhar, a palpação, aquele médico que arrasta e mostra a perna e não fez diagnóstico de nada tem que palpar, examinar e isso é o suficiente para falar se tem ou não tem lipidema. Eu tenho várias fases do meu atendimento de lipidema: 10 anos atrás, um pouquinho antes ninguém ouvia falar sobre lipidema e se eu falasse sobre lipidema, ninguém acreditava. Então eu precisava de exame para provar alguma coisa. Hoje em dia mudou: hoje em dia as pessoas que me buscam já sabem ou pelo menos tem uma boa ideia de quem vão ter isso. Então não se assustam quando eu dou o diagnóstico só com a naminésia, exame físico. Mas tem exame de imagem sim: nós encontramos o protocolo diagnóstico pelo ultrassom, mas dá para usar ressonância magnética, tomografia. Mas eu queria deixar um alerta: exame de imagem não façam linfocintilografia, não façam linfocintilografia. O que é isso na prática? linfocintilografia na prática é uma injeção no meio dos dedos do pé de uma substância radioativa e aí você fica lá na máquina ou entrando na máquina de hora em hora para medir quanto tempo leva para esse líquido subir até a virilha porque que não façam? primeiro, porque no lipedema vai ter lentificação do sistema linfático e aí o incalculável que não sabe muito sobre o assunto vai ler o laudo e ver que lentificou e ele vai achar que é linfedema e aí a pessoa vai sair com um diagnóstico de linfocintilografia sem ter linfedema na verdade tem um lipedema que está inflamado mas não só isso cutucar no meio do dedo do pé você pode acabar causando uma infecção uma linfangite e se você não tinha o dano linfático você pode acabar tendo então a linfocintilografia é um exame bem restrito e que não é para ser feito de rotina e nunca na investigação do lipedema mas eu vejo que tem gente que nem vai no médico e o cirurgião plástico já dá uma listinha de exame que tem para fazer inclui vários que são desnecessárias isso é importante porque na hora da investigação às vezes essa necessidade muita gente acaba até pedindo fica insistindo nessa questão precisa ver ali claro, é visual para o médico mas às vezes não confia só no diagnóstico do profissional mas tem exame não invasivo ultra som o nosso protocolo resolve isso então não precisa mais ir atrás desses exames super complicados e a diferença de lipedema para linfedema? ok o lipedema ele pode causar o linfedema nos estágios finais o linfedema é um dano no vaso linfático e começa a acumular líquido linfa em volta do vaso, no interstício então é líquido na perna o lipedema é a gordura inflamada só que a gordura inflamada vai deixar o linfático lento e pode acabar aparecendo um linfedema secundário então são diferentes mas andam juntos é considerado mais grave o linfedema? é muito sentido assim de até de tratamento é mais difícil sem dúvida que é mais difícil o linfedema tem o linfedema primário e o linfedema secundário o linfedema primário é aquele que é genético a pessoa nasce com ele são doenças raras, doenças de milroy e outras são familiares a gente pega várias pessoas na família o secundário que é o mais comum ele é assimétrico normalmente é uma perna só e ele acontece por causa de uma infecção algum trauma pode ser uma erisipela, um acidente de carro alguma coisa assim ou até uma cirurgia prévia e aí acaba acontecendo isso contorna-se com o uso de compressão mas não existe uma cirurgia boa e definitiva para restaurar esses vasos visualmente o médico consegue identificar se é um caso de linfedema que já passou do linfedema é mais uma que eu acho fácil mas eu sei que muita gente não acha tão fácil assim não depende mais da experiência do profissional é pra gente já e finalizando eu queria só que o pessoal colocasse as imagens tem como a gente pôr tem um que me chamou muita atenção, é Gracibom o nome dela eu fiquei assustada quando eu vi aquelas imagens porque eu não conhecia parece que ela é bem famosa nos Estados Unidos bastante e parece que alguns amigos brasileiros conhecem também é tão seguindo até eu te cortei na hora de pegar as imagens cortei o nome de quem estava embaixo para não expor ninguém mas que chama muita atenção é óbvio, não preciso nem explicar quem está vendo as imagens já está lá quem está vendo as imagens é o tamanho das pernas do glúteo então eu queria só pra gente já dar um gancho para o nosso próximo episódio isso, doutor eu não sei se a pessoa tem algum tipo de prótes porque tem como ser natural daquela forma seria algo relacionado ao linfedema? quando a primeira vez que eu vi comentei uma mensagem veio uma penca de mensagem embaixo todo mundo falando isso não é mentira não existe, é prótes não a examinei eu não sei a história completa mas eu acho que eu posso responder de outra forma pode ser linfedema? sim, pode parece? parece tem uma piada eu não vou contar a piada inteira mas vou contar só um pedacinho dela a gente manda é que negócio tem pena de pato? tem bico de pato? tem perna de pato? tem pata de pato? será que é um pato? pode ser mas pode ser um urubu mutante alguma coisa assim tem todos os sinais de que parece ser um lipedema estágio avançadíssimo estágio bem avançado ela deve ter tido inflamação por muito tempo e acabou depositando bastante gordura deve ter procedimento cirúrgico envolvido eu acredito que o procedimento cirúrgico em outras partes do corpo mas eu queria falar uma outra coisa dela que eu acho muito legal que é como ela transformou isso por uma coisa positiva na vida dela as pessoas olham ficam criticando mas o Instagram dela é isso ela vive por causa disso, por causa do lipedema aparentemente ela não só está em paz com isso como ela está muito feliz e ela é incentiva e ela valoriza isso tirando os extremos o corpo da mulher precisa ter curvas sim aquele corpo em violão é o corpo do lipedema não estou pensando em exageros estou pensando aquela mulher que não tem gordura nenhuma ela tem uma queda da fertilidade então a gordura o corpo em curvas é necessário para a fertilidade tanto que todas as deusas do passado da fertilidade eram esculturas esculpidas com bastante curva isso é uma característica necessária para conseguir ter uma gravidez ao termino e com bastante saúde então dá a grace bom eu acho interessante eu fico vendo e eu fico feliz de ver ela feliz do jeito que ela é eu acho que essa é a mensagem positiva dela isso que o senhor traz no seu livro da beleza de tudo que é a mensagem positiva do lipedema existe as pessoas não acreditam algumas pessoas a primeira vez que eu comentei sobre o título do livro a beleza do lipedema, teve umas 3 pessoas que saíram me criticando esse é um doido, não entende nada de lipedema não tem nada de bom isso, onde já se viu colocar um título desse no livro na verdade é exato oposto tem tanta coisa que precisa ser falada e que não é falado e aí as pessoas ficam todo dia pensando só no negativo, na negatividade sabe aquele rabbit hole, aquele espiral negativo, a pessoa só olha o lado ruim não vai enxergar que tem o outro lado é, também não dá pra gente falar sobre a beleza do lipedema e não citar o exemplo da Yasmin Brunei, que participou da Big Brother exato, teve essa discussão de um outro participante que criticou o corpo da Yasmin e esse assunto ficou muito em pauta nas redes sociais na mídia, todo mundo achou a postura dele muito ruim de criticar o corpo e ao mesmo tempo todo mundo foi em defesa da Yasmin falar que o corpo dela é muito bonito e que realmente chama muita atenção e vai nessa linha das curvas acho que o problema tá mais do outro lado tá mais de quem fala falar mais sobre quem é atacado o cara que critica um corpo desse é porque ele tem a testosterona baixa é sério do ponto de vista evolutivo o homem com a testosterona ele vai buscar a mulher que é capaz de que tem uma fertilidade alta que tem o hormônio e as marcações visuais disso é o corpo em curvas que eu acabei de falar então o homem que olha e acha feio ou critica desculpa o problema tá com ele, tem que ver dosar a testosterona olha gente, vai finalizar assim se despedir, porque foi polêmico agora isso, a gente vai continuar no próximo episódio trazendo casos que repercutiram na mídia casos de famosas que falaram que tem lipedema como elas fazem esse tratamento e até a questão cirúrgica, porque muitas delas optaram por essa opção então vou te agradecer aqui até agora porque foi um papo muito legal, construtivo e não vou me despedir porque a gente a gente continua, vocês esperem o próximo episódio até mais, conto com a sua participação

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