A prática de ioga é apresentada como uma filosofia de vida com fundamentos voltados para a saúde e o bem-estar integral, integrando corpo, mente e aspectos espi
E ele me colocava os pés no chão e isso foi, para mim, fundamental para poder falar uma linguagem que pudesse ser compreendida em todos os mundos, inclusive um mundo um pouco mais científico. Então, muito mais eu aprendi do que ensinei.
Ioga, ioga, tanto faz. Se a gente falasse sânscrito, você teria que falar tudo corretamente. Então, ioga, não é nem gá, é ioga, tem um gá meio fechado, aí você vai falar os outros termos.
Ele dizia assim, não sei por que vocês implicam com isso no Brasil. Eu vou para a França e eles falam ioga. Eu vou para a Argentina e eles falam joga.
Porque teve um professor que insistiu muito nessa questão do O fechado, porque o correto é ioga. Se você fala ioga, você não sabe fazer nada e tal. E isso marcou, mas tanto faz.
Legal. Ioga não separa corpo, mente e alma. Para ele, tudo que você faz num plano, você interfere no outro.
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto e está no ar mais um Amatocast pelo canal do Instituto Amato. Agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação para conversar aqui comigo sobre tudo que envolve qualidade de vida. No último episódio nós estivemos com a cardiologista doutora Marisa Amato para falar sobre dicas de viagem para ter esse momento de lazer com a família garantido sem passar por nenhum perrengue ali surpresa.
Antes também nós estivemos com o doutor Luiz Henrique Dickmann, psiquiatra, para falar sobre desmorfia corporal, aquela preocupação excessiva com o corpo que faz as pessoas fazerem alguns procedimentos estéticos desnecessários, enfim, tem todos esses episódios aqui no nosso YouTube, no nosso canal e eu vou pedir agora para apresentar para o doutor Fernando Amato, cirurgião plástico também que está aqui conosco, trazer o nosso convidado especial aqui de hoje, que é o professor de ioga. A gente vai falar também aí sobre, pode falar dos dois jeitos, Marcos Rojo. Obrigada pela sua participação.
Obrigado e que agradeço, prazer estar aqui. Então, Letícia, a gente convidou o Marcos para saber qual é o motivo de a gente ter chamado ele, já que nosso canal é voltado para a saúde e a ioga, os fundamentos dela é a saúde, o bem estar e faz todo sentido para o canal. E o Marcos, especificamente, a gente conhece, ele é um grande amigo da família, já há muito tempo, ele era um grande amigo do meu avô, Irani Nova Moraes e ele fazia aula de ioga com o Marcos e naquela época, nas férias, eu só aproveitava e, às vezes, fazia uma aula ou outra e, inclusive, ele me ajudou quando eu estava prestando vestibular.
Então, algumas orientações simples de alongamento, mas que me ajudaram muito, concentrando para prestar a prova de vestibular. Então, são hábitos também que a gente aprende na ioga, até mesmo como lavar o nariz, coisas simples, mas que melhoram muito a qualidade de vida. Então, esse é o motivo da gente ter chamado o Marcos.
Obrigado por aceitar o convite. Eu agradeço. E hoje eu estou aqui, na verdade, para complementar essa entrevista, porque eu tenho muito para aprender sobre a ioga.
Então, seja bem-vindo. Obrigado, Fernando. Uma alegria estar aqui, muito bom recordar do seu avô.
Desculpe, mas foi o único aluno particular que eu tive na minha vida. Eu sempre trabalhei com grupos, grupos grandes, mas houve uma empatia, uma afinidade. Aprendi muito com o professor Irani.
Eu ia lá dar aula para ele, mas, realmente, cada aula era uma lição. Ele sempre dava boas dicas e eu consegui trabalhar um pouco mais nesse ambiente médico, um pouco mais nesse ambiente acadêmico, graças às instruções do seu avô. Então, no começo, eu ia falando assim, não, porque o ioga é muito bom, porque energiza... Calma, energiza o quê? O que é isso que você está querendo falar? Não, não, doutor, quero dizer assim, não, porque os chakras, mas que chakras? E ele me colocava os pés no chão e isso foi, para mim, fundamental para poder falar uma linguagem que pudesse ser compreendida em todos os mundos, inclusive um mundo um pouco mais científico.
Então, muito mais eu aprendi do que ensinei. Tenho muita saudade dele. A gente começa exatamente com essa questão de deixar bem claro, uma forma bem simples de explicar para as pessoas como que funciona, quais são os benefícios, de fato, para a saúde, tanto física como mental.
Então, a gente já esclarece, ioga, ioga, tanto faz, né? Ioga, ioga, tanto faz. Se a gente falasse sânscrito, você teria que falar tudo corretamente. Então, ioga, não é nem gá, é ioga, tem um gá meio fechado, aí você vai falar os outros termos.
A gente fala muito Krishna, Krishna, mas é Krishna. Agora, como a gente assume a ignorância no sânscrito e eu, para começar, porque fiz até um curso de sânscrito uma vez, mas é muito difícil. Então, aportuguesamos e dá tudo certo, não tem nada errado.
Eu trazia um professor lá da Índia, professor Iraniu conheceu, professor Garotti, e toda vez que ele dava aula, a primeira pergunta era essa, mas é ioga ou ioga? Ele dizia assim, não sei por que vocês implicam com isso no Brasil. Eu vou para a França e eles falam ioga. Eu vou para a Argentina e eles falam joga.
Eu vou para não sei o quê, ele ia dando sotaques. Por que no Brasil foi que essa mania de ioga ou ioga? Porque teve um professor que insistiu muito nessa questão do O fechado, porque o correto é ioga. Se você fala ioga, você não sabe fazer nada e tal.
E isso marcou, mas tanto faz. Então, a gente vai ouvir das duas formas aqui. Bom, vamos lá já direto para a pergunta que eu imagino que seja a dúvida principal, além da pronúncia.
A gente fala muito sobre os benefícios para o corpo da prática, tanto para quem já une com outros tipos de atividades também, ou para quem prefere só fazer ioga ou ioga. Bom, agora há de fato benefício para a mente dessa prática? Como que funciona? Já desde o início a pessoa consegue já perceber esses benefícios ou não? É um hábito de vida, um modo de vida? Legal. Ioga não separa corpo, mente e alma.
Para ele, tudo que você faz num plano, você interfere no outro. Não há como trabalhar com o corpo sem que exista alguma relação com a mente. É claro que o ioga vem de uma origem espiritual.
Antigamente se praticava ioga? Esse antigamente nem é tão antigamente. Antigamente quer dizer há 100 anos atrás. O ioga era dedicado a monges, aqueles que queriam saber a razão da existência, o que eu vim fazer aqui, para que tudo isso, quem construiu isso, para onde eu vou depois que eu morrer.
Então, pessoas que buscavam esse autoconhecimento praticavam ioga nos monastérios. Mas o que era o ioga? Uma prática, um grupo de técnicas. Mas não era só ficar fazendo ioga o dia inteiro como asanas.
A gente pensa no ocidente que ioga é só aquelas posturas, ficar de cabeça para baixo, torcer. Mas existe toda uma fundamentação filosófica, existe toda uma fundamentação psicológica nisso. O ioga não é para o corpo, é através do corpo.
O corpo é uma estratégia. Então, através de alguns movimentos, alguns exercícios, eu quero modificar o meu padrão mental. Por exemplo, quando você está tenso, você tem uma modificação de tônus muscular.
Ou quando a gente está deprimido, tem uma modificação de postura. Entende o ioga, que a gente também tem o caminho de volta. O que é o caminho de volta? Se eu melhoro a minha tonicidade, se eu relaxo o hipertônico, se eu fortaleço um pouco mais o hipotônico, se eu mudo a minha postura, isso também pode mudar o meu padrão mental.
Eu já comecei a arrumar a minha postura. Às vezes eu estou falando com os alunos, eu digo assim, muito bem, vou dar um exercício, mantenha as costas retas, a classe inteira mexe. Já está vendo, vocês não estavam.
Agora, veja como é interessante. Crianças pequenas não precisam dessa informação. Os nossos menininhos, os meus netinhos, três, quatro, cinco anos, eles se sentam de forma ereta, eles agacham, eles fazem tudo de forma certa.
Então, a gente tem essa informação lá dentro. Mas por uma série de motivos, eu acho que às vezes até culturais, a gente vai modificando o padrão postural. E pelo trabalho de ioga, a ideia é a permanência, você se mantém nos exercícios que você faz, é modificar um pouco esse desajuste do padrão, voltar para aquilo que é natural.
E manter costas retas é natural. E a gente fala também sobre essa questão de filosofia, de vida que envolve também a prática. Mas vale a gente destacar agora, logo no início, antes da gente entrar nessas questões quais são os benefícios de fato, como funciona a prática em si, que todos esses benefícios, tanto para a mente como para o corpo, eles são comprovados.
Não é apenas uma questão de filosofia ou apenas uma questão de crença que pode se envolver, como o senhor já falou, mas que existe essa questão de comprovação dos benefícios que a prática traz. Existe, existe, Letícia. Existe, Fernando.
O que acontece é o seguinte, que embora o ioga seja uma disciplina muito antiga, desde quando o ioga é praticado, a gente não sabe, há alguns milênios. O texto mais antigo de ioga é um texto de um senhor chamado Patanjali, um sábio. Esse texto tem mais ou menos dois mil anos.
Mas não é ele que criou o ioga. O ioga já existia antes dele. Então, desde quando é praticado, a gente não sabe.
Se você perguntar para um indiano mais ortodoxo quem ensinou o ioga, quem foi o primeiro, ele vai dizer Shiva. Shiva é uma entidade divina. Ele quer dizer assim, isto veio, veio para o humano.
O que veio? Esse anseio, essa necessidade de você querer saber algumas coisas que a gente não sabe na vida. Aquilo que a gente disse agora há pouco, quem sou eu? Então, isto vem marcado em algum momento, vocês são novinhos, vocês não sabem disso. Mas ele vai ficando mais velho, eu já estou fazendo 70, a gente começa a pensar, o que eu estou fazendo da minha vida? Para que tudo isso? Será que o que eu estou fazendo faz sentido? É isso que eles dizem? Como algo que Shiva plantou dentro da gente.
A divindade, o criador, chame do que quiser, mas essa preocupação. Então, embora seja uma disciplina muito antiga, o Yoga nas cidades é recente. Apenas em 1920 é que começaram a sair monges e começaram a ensinar o Yoga nas cidades.
O primeiro centro de Yoga na cidade de Mumbai foi montado em 1918. Logo em seguida, seu amigo Valayananda, que é um mestre que a gente segue, uma escola do governo da Índia, ele monta uma escola para criar professores, para ensinar o Yoga e para pesquisar o Yoga. Então, no campo da ciência, o Yoga é muito novo, ele começa em 1920, quer dizer, em 1924, para ser mais preciso.
Mas eles iniciam com aparelhos muito rudimentares, era muito precário. As primeiras pesquisas que começam a aparecer fora desse instituto da Índia, em 1950, eles ainda se baseavam nessas pesquisas feitas por esse senhor que eu chamei, seu amigo Valyananda. Hoje, os Estados Unidos é o país que mais pesquisa.
O Brasil, claro, tem um número muito reduzido de pesquisas, a Índia logo em seguida, mas isso tudo é muito novo. Então, falar assim, tudo é comprovado? Não. Ou seja, tem muitas comprovações.
Eu fiz o meu mestrado em 2007, eu fiz pela Neurologia lá da USP. Pena que o doutor não estava ali porque ele ia me ajudar muito. Imagina, um educador físico, a Faculdade de Medicina da USP, a USP é uma universidade conservadora, a medicina é conservadora.
Se você olhar a UNIFESP, nesse campo ela está muito mais adiantada. Então, pesquisar meditação, entrar nesse campo, a UNIFESP foi muito mais, a USP é conservadora. Mas, quando eu fiz o meu mestrado, havia apenas cinco trabalhos com o nome yoga no catálogo lá da universidade.
Não tinha. Agora, existe um crescimento exponencial, mesmo no Brasil vai crescendo, mas, ainda assim, é muito pouco perto do que você pode comparar, por exemplo, com a educação física. Você tem muita comprovação em educação física, tem uma produção científica muito grande.
Quando eu fiz o meu mestrado, eu estava lá, como educador físico, na Faculdade de Neurologia com tema yoga. E a Neurologia é bem conservadora. A minha orientadora, uma professora japonesa, uma doutora, a doutora Sueli, muito brava, mas um amor de pessoa.
E ela diz assim, você vai apresentar o seu trabalho na semana que vem. Então, me mostre o que você já tem pronto. E eu coloco a primeira frase, que é uma frase clássica do yoga.
Yoga e aquietação das modificações da mente. E disse, essa frase é citada por Patanjali. E ela diz, quem é Patanjali? Ele tem artigo em alguma revista indexada? Não, não, doutor, eu estou falando de um homem de dois mil anos atrás.
Mas ele não tem nenhum artigo, não. Então, nem ponha. Aliás, você falou que yoga e aquietação das modificações da mente.
Você vai apresentar isso por uma banca de neurologistas. Me diga, o que é mente? E depois de longos três minutos, sem nenhuma resposta, disse, doutora, vamos tirar essa frase, eu não tenho a menor ideia. Então, o que eu quero te mostrar é o seguinte, quando o yoga vem e você vai juntar a espiritualidade com a ciência, é difícil.
Esse diálogo está acontecendo, as coisas estão acontecendo, mas acontece uma coisa que eu acho que com o prejuízo do yoga, a meditação está indo muito bem, todo mundo fala de mindfulness hoje, se pesquisou muito a meditação transcendental e desconectaram a meditação do yoga por culpa de professores de yoga. Então, enfatizaram muito o aspecto físico, o aspecto de posturas, de asanas e o trabalho bonito do yoga está nesse campo da filosofia, está nesse campo da meditação, mas isso ficou desconectado. Tanto que eu participo de eventos e já montei eventos onde a gente põe yoga e meditação.
Como se fossem duas coisas separadas que a gente vai abordar naquele tema. Então, não tem muita comprovação científica, tem algumas, mas hoje tem muito mais comprovação do que antigamente. Mas, que tipo de comprovação que tem da yoga na saúde? Em relação a sono, em relação a respiração, melhora de pressão, de frequência cardíaca, o que tem comprovado na medicina, na nossa medicina atual, de medicina baseada em evidências, o que tem comprovado da yoga nesse aspecto? Tem bastante coisa nesse sentido, Fernando, mas não tanto quanto a gente gostaria.
Então, tem trabalhos relacionados com sono, tem trabalhos relacionados com respiração. Eu estou fazendo parte de um projeto que é o doutorado de um professor lá da faculdade de medicina do ABC, e é pelo Incor. Ele está fazendo o doutorado dele e nós estamos pesquisando o efeito de yoga para idosos hipertensos.
Tem muita pesquisa que fala sobre hipertensão e yoga. Tem muita pesquisa que fala sobre o trabalho respiratório. O meu mestrado era com isto.
Então, nós trabalhamos com crianças com uma distrofia muscular grave, que se chama Duchenne. Então, nós aplicamos yoga para essas crianças e houve um efeito bem significativo. Quando elas têm uma redução constante de quase 5% ao ano de perda conforme a normalidade, eles vão perdendo a sua capacidade respiratória e com os exercícios de yoga, eles se mantiveram.
Não só se mantiveram, como eles melhoraram. 5%. Então, tem poucas pesquisas, mas já tem muita coisa.
Onde o yoga entra mais nesse campo? Não se tem pesquisado sobre yoga e flexibilidade, yoga e coluna. A maioria das pesquisas entram nesse campo do efeito das práticas, especialmente para essas doenças que a gente chama de crônicas. Aquilo que é mais crônico, aquilo que o yoga pode ajudar.
Hoje, o yoga faz parte deste núcleo de disciplinas, o que a gente chama de disciplinas integrativas. Então, são... Antigamente se falava de yoga-terapia, mas a gente não gosta desse termo também. A gente usa yoga como terapia.
Não era o propósito original do yoga. Mas o que a gente faz nos hospitais? A gente ajuda, principalmente no Einstein, na Oncologia. Nós estamos lá há bastante tempo.
Então, a gente ajuda o paciente a suportar um tratamento que não é absolutamente nada fácil. Então, a gente entra para modificar um padrão mental, para acalmar, para relaxar essas pessoas através do exercício respiratório, para que, nunca dizendo que vai curar, mas a gente entra como alguém que ajuda nesse procedimento que é oferecido, obviamente, pela medicina moderna. Tem um... Tem um tema que a gente já abordou no passado e agora você falando, veio aqui para mim, que é a medicina do estilo de vida.
A medicina do estilo de vida, aliás, a gente pode até refazer esse tema com a doutora Lorena, que vai ser bem legal, que ela é baseada em alguns pilares. Sono, atividade física, alimentação, manejo do estresse, relacionamentos e uso de tóxicos. Então, quando você tem um controle melhor disso, você vai promover uma melhora na qualidade de vida, vai promover saúde.
Como que você vê a ioga nesses pilares? Eu vejo, na verdade, eu vejo quase em tudo, porque eu acho que, já que como é uma filosofia, não é uma atividade física, eu acho que talvez seja isso a mensagem, que é uma filosofia de vida também, muito mais do que uma atividade física. Mas eu acho que tem a parte da atividade física, tem um manejo excelente do estresse, o controle da respiração, tem um manejo de... do sono, alimentação, talvez não seja, mas se você começa a conectar tudo, talvez melhore a alimentação. Alguém que está tratando, se cuidando, talvez a pessoa também até evite usar tóxicos e também começa a ter um manejo melhor dos relacionamentos e estresse.
Como que você vê isso? A ioga nesses pilares? O ioga como um sistema de filosofia, a Índia Antiga apresenta seis sistemas de filosofia. O ioga é um deles. O que é um sistema de filosofia? É algum grupo de técnicas que se propõe a ajudar a pessoa a passar pela sua vida, pelos seus problemas, ou tudo aquilo que que, enfim, que envolve a vida de cada um com mais qualidade, com mais precisão.
Eu costumo dizer, eu fiz parte do grupo de qualidade de vida lá da USP, eu fazia palestra sobre qualidade de vida, trabalhei em empresas multinacionais, uma vez ganhamos um prêmio da ABQV, Associação Brasileira de Qualidade de Vida, e a gente falava muito de qualidade de vida, mas o meu tema era o ioga e qualidade de vida. Mas quando a gente fala em qualidade de vida, a gente tem esses pilares que você falou como muito importantes e são muito importantes, mas muita gente não consegue isso, tem muita gente que não consegue ter horário pra fazer o seu exercício, o sono é péssimo, se alimenta mal, eu digo principalmente aquelas pessoas que moram na periferia, pegam duas horas de ônibus pra vir, duas horas de ônibus pra voltar, a gente é uma, talvez uma minoria privilegiada que ainda consegue separar um tempinho, roler, hoje eu vou sair com o meu amigo, mas tem gente que trabalha o dia inteiro, quando volta pra casa, tem uma casa pra arrumar, os filhos, o marido que talvez seja problemático, enfim, mas eu falava mais pra essas pessoas, então eu dizia, na verdade, pro ioga, como um sistema de filosofia, talvez a palavra qualidade de vida devesse ser trocada por vida com qualidade, qual é a vida que tem qualidade, quem dá qualidade à sua vida, vida com qualidade é aquela vida que vale a pena, será que a sua vida vale a pena, o que você faz vale a pena, ou seja, você faz pelo outro, a gente faz pensando no bem comum, no bem coletivo, porque as vezes a gente é muito egoísta nessa coisa do qualidade de vida, então quanto mais coisas eu tiver, e se eu tenho, e se eu tenho, e tem gente que tem tudo isso e tá sofrendo, tem gente que tem tudo isso e tem depressão, então o ioga fala muito mais dessa vida com qualidade, esta ideia da vida com qualidade, tá muito mais relacionada com o gostar do que você faz, enquanto a gente pensa que no ocidente que qualidade de vida é fazer o que gosta, faça o que você gosta. E fica uma dúvida, mas o que que eu gosto? Você tem que experimentar, né? Então, tem que experimentar, mas o que que eu gosto de tirar férias, vai tirar férias a vida inteira, perde a graça das férias.
Eu gosto, eu adoro as férias, mas acho que no quinto dia de férias eu surto. Eu tenho um amigo, foi a Monte Verde, quando Monte Verde era uma cidade muito pequenininha, ele foi, o Rui, e a esposa tinha que trabalhar, ele foi sozinho. Catou um monte de livros, ia passar um fim de semana, mas Monte Verde era realmente uma vila naquela época.
E aí ele diz, no primeiro dia, ótimo, ele acordou cedo, leu, praticou ioga, saiu, caminhou, olhou no relógio, nove horas da manhã. Aí foi comprar algumas coisinhas na venda, preparou almoço e não sei o que, e fez, e leu, olhou, meio-dia. Aí ele falou, vou dar uma descansadinha, descansou e depois praticou e leu, três horas da tarde.
Segundo dia ele veio embora. Tá louco, o tempo não passa aqui. Enfim, acontece isso, mas é muito gostoso a gente trabalhar e gostar do trabalho.
O indiano está muito envolvido com essa ideia de gostar do que faz. É muito deles, de uma família como a sua, que vem de uma geração de pessoas, suponha, eles são artesãos e aí chegam numa idade que o pai diz pro filho, olha, seu avô era marceneiro, eu sou marceneiro, você é marceneiro, então essas são as suas ferramentas, goste do que você faz. Essa é uma forma de você espiritualizar o seu trabalho.
Goste, faça com amor, faça com dedicação. Você pode oferecer o seu trabalho pra humanidade, pra divindade ou pra quem você quiser, faça disso no momento espiritual. Eu conheci um colega, eu estudei lá em 79, vocês não tinham? Os seus pais nem tinham casado em 79 ainda.
Tinha, tinha. E aí eu encontrei, eu fui casado também, encontrei um amigo, encontrei não, ele fez o curso conosco. E no final, o Ashok disse assim, Marcos, fique pro meu casamento.
E eu não podia ficar, porque eu já tinha outros planos e enfim, ele disse, mas o casamento indiano é uma festa de três dias, você vai ser meu convidado, venha. E realmente é uma festa muito grande, o Ashok era um cara super bacana, mas eu não pude ir. Mas eu fiquei perguntando pra ele sobre a noiva.
Mas e a sua noiva? Que tava lá, recém casado com a minha esposa. E ele disse, eu perguntei ao homem, ele falou, não sei, eu não conheço minha esposa. Eu disse, como não conhece sua esposa? Ele falou, não, aqui na Índia o casamento é arranjado.
Eu disse, como casamento é arranjado? Ele falou, é, as famílias se conversam, decidem e a gente acata. Eu achei aquilo primitivo, bárbaro, atrasado. Eu disse, como? Não é possível.
E aí eu não aguentei, ele falou, mas fala mais. Ele falou, sim, é porque o casamento é entre duas famílias, não entre duas pessoas. E eu disse, mas você gosta da sua noiva? Essa foi a pergunta mais besta que eu deve ter feito na minha vida, como gosta da noiva? Ele não conhece.
Ele disse, ainda não. Mas o legal é esse ainda, ainda não. Vou gostar.
Ele tem essa coisa da educação da vontade. Bom, eu achei aquilo tudo muito atrasado, bárbaro. Depois, como pai de três filhas e um filho, eu comecei a achar que essa coisa de casamento arranjado é legal, tem sua sabedoria, que eu não percebia na hora, mas enfim.
Dá certo na Índia e também não dá. Tem casamento frustrado na Índia, que também o nosso casamento por escolha pessoal dá certo, às vezes não dá, enfim, é mais ou menos a mesma coisa. Mas o que chama atenção é isso, essa educação da vontade, gostar do que você faz.
É muito bom gostar de trabalhar. É muito bom eu estar aqui e falar assim, poxa, que legal que eu estou aqui com o Fernando, que eu não via há tanto tempo, uma família que eu adoro. Estou aqui, uma experiência nova.
Ou eu podia estar pensando assim, que coisa, podia estar lá em casa agora, podia estar não sei o quê, podia ter ido no shopping comprar presente de Natal. Então, a gente é que cria isso. Então, você acorda e vai trabalhar feliz numa segunda-feira ou infeliz.
Isso é muito uma competência da gente. É aí que o yoga entra com filosofia de vida, é aí que o yoga fala, você dá qualidade à sua vida? O que você faz? Você é que dá qualidade à sua vida, você é que faz da sua vida uma vida que vale a pena. Nem lembro mais qual foi a sua pergunta, já me perdi.
O que você perguntou? A conexão da medicina do estilo de vida com a yoga, qual o envolvimento. Mas eu acho que a resposta é tal. Está indo.
É porque eu realmente eu não entendo de yoga, não pratico, se pratiquei, você foi testemunha de todos os eventos, mas eu realmente eu respeito muito e acho muito legal como filosofia. E eu acho que as pessoas, essa história do mindfulness, a yoga é a personificação do mindfulness, de parar, respirar e foi o que eu consegui absorver quando eu precisei de orientação para poder prestar prova de vestibular, porque realmente eu fico pensando mil coisas, vou, não, para, respira, faz um alongamento e eu vi que parar por um tempo eu ganho muito mais. É verdade.
E quando você falou ah, porque as pessoas não conseguem, tem outras rotinas, mas muitas vezes eu vejo que as pessoas elas não tem essa visão que um investimento de um curto período de tempo pode ganhar muito mais. Essa confusão, essa conturbação que as pessoas têm dessa vida moderna se elas não param para respirar, não param para se organizar e vão fazendo as coisas sobre demanda, aparece e vai resolvendo, fica cada hora apagando um incêndio diferente, mas é só incêndio porque as coisas vêm em cima da hora. É o que eu digo.
Então, deixa tudo para a última hora, as coisas ficam muito conturbadas e eu vejo isso nas pessoas e eu acho que eu resolvi minha vida criando rotinas. Eu tenho o meu período de respondimento, eu tenho o meu período de respondimento de WhatsApp, eu tenho o meu período de estudar e eu quando o meu período de fazer ginástica, obviamente que eu corto de ginástica dá preguiça, mas eu acho que ninguém é perfeito, mas eu acho que a gente organizando assim a gente consegue completar uma missão, consegue e eu vejo que a ioga ela é bom porque ela ajuda não só você parar, esvaziar, mas como a você ter energia para organizar. Eu concordo plenamente com você, aliás gostei muito da sua afirmação, fiquei muito feliz de achar que posso ter ajudado um pouquinho, ainda que seja no seu vestibular.
A ideia do ioga é modificar o padrão mental, então existe um padrão mental, o ioga ele interfere principalmente em comportamento, a ideia do ioga é mudar comportamento. O ioga é descrito por esse sábio que eu disse aí, o tal de Patanjali, ele tem oito partes, ele tem oito membros, oito pedaços, os dois primeiros e na classificação indiana quando ele põe primeiro é porque é o mais importante, os dois primeiros são comportamentos, eles vão descrever cinco coisinhas que são muito importantes na sua vida e que fazem com que você não seja um problema para o mundo e o mundo não seja um problema para você. O primeiro desses cinco é a não violência, então o ioga começa pela não violência, eles chamam de ahimsa, a não violência começa com a gente mesmo, então não violência de pensamento, de palavra e trabalhar com a não violência, mas esse é um exercício, não é um exercício físico de músculo, mas é um exercício atitudinal, tentar não ser violento, isso tem que ficar na cabeça do praticante.
A pessoa pensar coisa violenta ela vai trazer mais violência, então tentar suprimir os pensamentos ruins e trazer pensamentos bons. Exatamente, isso é o texto de ioga e ele vai dar no final da história, ele vai dizer assim, quando vier um pensamento perverso, um pensamento ruim, você deve transformá-lo no seu oposto, então sei lá, você está andando no trânsito, o cara te fechou e você ficou com raiva dele e a sua vontade é sair correndo e fechá-lo para ele ver como é ruim, mas antes de tudo isso se estabelecer em você, você pensar assim, não, não é pessoal, ele está com pressa, ele é um mau motorista ou como diz aquela monja que eu estava falando no começo, ela diz assim, ele está com pressa porque ele quer ir no banheiro, mas a hora que você já deixa enraizar o pensamento de raiva, ele se instala e ele começa a crescer lá dentro, é muito difícil você reverter e ficar não, eu não vou ficar com raiva dele porque eu pratique ioga, eu não posso, porque esse cara aqui dirige mal, você já ficou com raiva, então tem que ser bem exatamente no ponto que você falou, quando o pensamento vem, quando ele se instala, mude. Bom, aí tem mais cinco regrinhas e depois o Patanjali vai falar de outras cinco regrinhas, regrinhas e atitudes de comportamento que fazem com que você não seja um problema para você mesmo.
E o contentamento é um destes. O que é o contentamento? Contentamento é essa coisa que eu disse, você torna, você pode acordar e dizer assim, que bom, mais um dia, que gostoso, hoje está sol, que gostoso, hoje está chovendo, que gostoso, mas em geral tudo contrário. Nossa, que calor, não aguento mais.
Hoje não aguento mais, daqui a pouco nós estamos reclamando da chuva, daqui a pouco estamos reclamando do frio. Então é assim, é tentar educar a mente. Para agradecer o que está vindo, não reclamar e nunca estar satisfeito.
E isso depende de cada um de nós. Depois que Patanjali falou destas dez condutas, e nós não vamos falar de cada uma, mas aí ele vai falar das posturas de yoga, aí vem os exercícios de yoga, aí vem aquelas posturas de torção, de não sei o que, e o que é postura? A palavra asana que eles usam, ela é traduzida para a nossa língua portuguesa como postura. E a palavra postura carrega no seu sentido a palavra atitude.
A gente diz isso. Eu não gostei da sua postura ontem naquela reunião. A gente fala disso como atitude.
Então o que estamos treinando... Mas a gente tem que falar o que a gente pensa ou não? Você tem que falar sem violência. Tem que ser a verdade, tem que falar, mas não pode falar com raiva. Eu acho que você tem que apresentar, porque se alguém faz alguma coisa que eu não gosto, ultimamente eu tenho feito esse exercício de falar, olha, nunca no mesmo momento, sempre para um segundo momento, para tirar qualquer interpretação de energia negativa.
E sempre falar, porque a pessoa não vai saber, vai ficar com briga de faísca, porque você há dois anos atrás falou... Ele disse que não pratica ioga, mas ele pratica e não sabe o que está praticando. Isso é praticar ioga. São vários exercícios que a gente aprende com a vida, que se você simplesmente bater a porta e brigar, não quer dizer que não aconteça não, porque principalmente em casa, com criança berrando, com cachorro fazendo xixi na casa, tem todos os fatores de estresse, mas pelo menos aqui, como instituição, que é uma clínica, tem funcionários, eles não têm que absorver meu problema pessoal, eu tenho que levar de uma forma profissional e eu tenho que poder falar.
Mas se alguém faz alguma coisa que não é correto, a gente deve falar, é um bem para a pessoa falar. Então dizer para ele, mas também como você disse, não preciso brigar com a pessoa, passo um pouquinho, olha, isso não é assim, assim, assim, é bom para a pessoa. Isso é uma prerrogativa de quem vai ficando mais velho.
Quando a gente é pequenininho, a gente é muito transparente no que fala. Ontem minha netinha entrou em casa e a minha esposa coloca agora no mês de dezembro, sempre no calendário, uma coisinha, um chocolatinho, até chegar o dia do Natal. Aí ela pegou, era um chocolatinho, e ela falou, é só isso que tem hoje? Então assim, é muito espontâneo, a criança fala, é legal, a gente acha divertido.
Só um chocolate hoje? Outro dia era um brinquedinho. Enfim, eu também me sinto agora mais velho, com muito mais facilidade de falar as coisas, porque eu acho que é um benefício que a gente traz para as pessoas. O seu avô era mestre nisso.
Em falar para as pessoas. Mas agora tem uma outra dúvida, e como escutar? Porque falar é fácil, e às vezes você quer falar, e você precisa falar e está resolvido. Você não quer que a pessoa se justifique, mas a pessoa que está recebendo uma informação, não estava esperando, vem em forma de crítica? Vai vir em forma de crítica, porque a pessoa não estava esperando ali, você está falando contra algo que ela fez, ela provavelmente não fez intencional, se você está próximo da pessoa, geralmente não fez de forma intencional, mas é o jeito dela, talvez ela não tenha interpretação.
E como receber uma informação, uma crítica? Eu acho que a minha maior dificuldade é se alguém faz algo que eu fiz e eu não estava prestando atenção, eu prefiro nem comentar, nem responder, ficar quieto e absorver, e talvez em algum momento de reflexão, talvez eu refleti isso. É muito difícil ir com essa cabeça de que a pessoa falou algo para te ajudar na sua evolução. Normalmente você recebe como um ataque, não diretamente você, as pessoas... Todo mundo vai receber, todo mundo recebe como uma crítica, de uma forma péssima.
Toda vez que eu falo, eu vejo isso, que as pessoas se sentem super mal e querem responder e justificar, e eu em nenhum momento pedi para elas justificarem, eu simplesmente quis falar para que no futuro melhore, mas eu nem sei mais como falar, porque sempre a reação é que a pessoa não gostou do que eu falei. Por isso que se torna uma discussão, porque aí a pessoa justifica, você explica, ela justifica. Eu nunca falo no momento, porque se eu falar no momento, eu estou com a cabeça quente e talvez eu me alimente.
Se eu falo depois, talvez eu tenha mais maturidade de não alimentar a discussão. Só que como receber? Porque quando eu recebo, eu também não estou preparado para aquela informação e talvez eu queira me justificar, interpretar. Como receber? Boa pergunta, eu não sei.
Eu diria, se a gente diz com boa intenção, sem raiva, alguma coisa que a pessoa fez e que não era correto para ele melhorar, você fez seu papel. Se ele ficou com raiva, é o problema dele. Você não fez aquilo com raiva.
Agora, quando compete a gente, quando a gente ouve, talvez a gente tenha que um comprimido de humildade ou alguma coisa assim, fala, deixa eu pensar nisso. Eu tive um aluno, inclusive médica. Eu acho que dermatologista, não me lembro.
Bom, enfim, um dia ela falou assim na aula, professor, o senhor fala muito. Eu falo muito na aula. E, realmente, ela tinha toda a razão, mas, na hora, eu não gostei daquilo.
Falei, pô, já fui embora. Ah, tá bom, obrigado. Fui embora para casa, agora que eu falo muito.
E é o que acontece. O aluno está lá sentado. O aluno mais antigo, como ela, existe um momento que, depois da técnica, você quer ficar sentado quieto.
O que a gente chama de meditação, no finalzinho da prática, ele fica lá sentado. Mas eu ficava dizendo, então, percebo o contato dos isquios com o solo e a coluna e não sei o quê. Aí eu parava, ela fala assim, ai, graças a Deus, ele parou.
Aí logo, agora sim, está respirando. E ela tem razão. Então, leva para casa e você vai digerir.
Como? Vai digerindo. É claro que o mundo é um lugar onde a gente vai aprender. Mas é que eu vejo dificuldade na sociedade em você conseguir comunicação com as pessoas.
As pessoas não conseguem opinar, porque não é que eu quero que faça do meu jeito. Eu só vi um jeito, eu achei que não está legal e não quero mudar a pessoa. Só que eu tenho que me falar, né? Porque às vezes é uma coisa que eu acho que seria melhor dessa forma.
Mas eu estou te informando só a minha opinião. Você não precisa seguir minha opinião. Só te dei minha opinião.
Eu só achei que era importante, era válido da minha opinião. E eu acho que é difícil as pessoas aceitarem receber. Eu não vejo as pessoas, ai, obrigado que você falou isso, foi muito bom.
Ela pode dizer isso no começo, Fernando, mas daqui a algum tempo ela vai achar isso legal. Talvez, né? Vai passar o tempo e ela vai reconhecer. Mas eu vejo isso com todo mundo, né? E outras pessoas que eu vejo que trazem uma energia ruim e você vê que não tem melhor, é a melhor coisa que tem que fazer.
E eu faço, eu me afaço das pessoas. É natural isso. E tem essa questão que ele disse de ver as coisas como uma forma positiva, né? Na vida, mas de relacionamento, acredito também, faça muito sentido na questão de quando você vê algo bom também, que a pessoa te causou, ou algum comportamento que você achou legal, você falar, expressar que você achou aquilo legal ou que a pessoa mudou.
Ah, eu achei que isso... Reforço positivo, exatamente, era essa palavra. Porque isso leva à questão da vida, da forma que você enxerga a sua própria vida, só que também para os relacionamentos, né? Porque isso torna a pessoa, ah, ela gostou disso, então talvez uma próxima vez vai fazer de novo a mesma coisa. Então tem outro lado, né? Em vez da crítica.
Porque com criança, né? Eu fico muito preocupado nessa parte de comunicação porque eles vão ser o reflexo meu, só que daqui 20 anos. Então eu não sei o que que eu estou semeando agora, né? Mesmo em ser fazendo tudo isso, pode ser totalmente diferente, mas eu acho que eles são o reflexo dos pais, da sociedade, tudo. Então eu fico muito preocupado como agir perto deles e eu não posso falar que eu sou a melhor pessoa do mundo.
Porque eu me estresso, não querem tomar banho, aí de repente você tá falando com eles e eles começam a brincar, aí você fala, ah, liga a TV. Então a gente tem muita dificuldade e o maior treino é com eles. Mas é assim mesmo, Fernando, é pra todo mundo.
E só de você admitir que isso faz parte do seu natural, é muito melhor do que você colocar isso como se fosse uma condição estereotipada. Agora vamos todo... Não, você é assim, é o natural, você tem amor e você faz com boa intenção e a gente erra. Como pai, a gente erra.
E os filhos vão perceber mais tarde que esse erro não é um erro que comprometa, esse erro faz parte. Não é intencional e talvez se for pensar em intenção, talvez a intenção é totalmente o contrário, né? Eu como avô, eu faria tudo diferente com meus filhos. Então eu os educaria diferente hoje pelo que eu vejo como as coisas são.
Mas naquele momento, naquela situação, é o que a gente fez. Enfim, deixa eu completar aquele negócio lá, senão vai ficar meio capenga. O yoga fala desses dois primeiros momentos como atitudinais e é isso que nós estamos conversando, que é o fundamento do yoga e é disso que faz do yoga o sistema de filosofia.
Quando a gente entra na parte dos exercícios, das posturas, isso não é um trabalho pro corpo, como eu disse. Às vezes a gente entende a educação física como a educação do corpo. E ela é, em parte, a educação do corpo.
Educação do corpo quer dizer assim, eu treino meu corpo pra uma habilidade. Eu bato faltas naquele cantinho da área pra acertar na hora do jogo no gol. Eu treino a arremessar mil vezes aquela bola na cesta pra na hora do jogo acertar.
Isso é educação do corpo. É destreza. Eu estou adestrando.
A ginasta faz aquele salto dela muitas vezes. Mas também a gente entende a educação física como a educação para o corpo. Então eu vou na academia para o corpo, pra minha saúde e pra minha estética.
Ainda a maior parte das pessoas vão às academias por estética, mas muitos já têm ido por causa do corpo. Isso é ótimo. Mas no fundo, o conceito mais importante da educação física, especialmente na minha formação daquela época, quando a gente pensava muito na educação física escolar, é educação através do corpo.
Eu uso o corpo como uma ferramenta de educação. E isso é o yoga. Aí o yoga entra muito bem nesse rol de atividades da educação física como educação através do corpo.
Então o que eu quero quando eu pratico yoga é trabalhar com o corpo, mas pra aquisição de algumas experiências e sensações que são importantes nesse caminho do autoconhecimento. O que é caminho do autoconhecimento? É essa observação interna de querer saber quem sou eu. Enfim, tudo aquilo que a gente falou no início.
Depois vem um grupo de técnicas que se chamam pranayama. São técnicas expiratórias e que têm uma conexão mais íntima do que o próprio exercício, a própria postura com as emoções. Emoções e respiração andam juntos.
Quando a gente está irritado, quando a gente está com raiva ou ansioso, a respiração é predominantemente inspiratória, predominantemente rápida e torácica. Então mudar o padrão pra um padrão abdominal lento e padrão expiratório, segundo o yoga, você pode modificar também o seu padrão emocional. E depois de tudo isso, aí vem o mais importante, que é a meditação.
Tudo isso foi preparação pra meditação. Mas o yoga chega no ocidente, ele para nas posturas e fica nisso. E a gente começa a achar que yoga é uma espécie de ginástica lenta.
É pra aquisição de habilidades extraordinárias e ficou aí, mas isto é um problema de má compreensão. Eu tive um professor chamado Pratap e enfim, nessa coisa de autoconhecimento, eu sempre me lembro dele. Ele é um psicólogo, mas é daqueles indianos que usa barba grande, cabelo grande, completamente diferente.
E ele vive hoje em Philadelphia. Ele até saiu lá da Índia, ele mora em Philadelphia. E ele estava contando que indianos não gostam de lugar frio.
O indiano está acostumado com o calor, então Philadelphia faz frio. E ele estava lá numa época de frio, um aluno ofereceu pra ele uma casa pra ele passar na praia um fim de semana, não sei que praia, se era Flórida, onde é que era, mas era mais quente. E ele foi.
Foi sozinho. E o vizinho do lado começou a ficar muito intrigado, porque ele olhava, tinha movimento na casa, mas o carro do dono não estava. E ele não via nenhuma pessoa conhecida, ele falou, mas está esquisito, essa casa tem movimento, acende a luz de noite, mas eu não estou vendo o fulano lá, deve ser... E o vizinho estava intrigado.
E o Pratap, quando vai fazer prática, ele enrola a barba, faz um coque aqui, faz um coque aqui, põe aquelas roupas esquisitas, e estava no meio da sala, numa torção, ou numa posição meio exótica, parada ali, quando o vizinho abre a porta e abruptamente olha, e leva um susto, quando vê aquele homem sentado, todo esquisito, fazendo uma postura esquisita, e diz a ele, quem é você? O que você está fazendo aqui? E ele disse, pois é, isso que eu estou querendo saber, quem sou eu? O que eu vim fazer aqui? Ele conta isso como uma história verdadeira, mas é engraçado fazer essa conexão, que através do exercício físico, através do exercício do corpo, você quer se preparar para um estado de autoconhecimento, de observação, mas é isso, a gente não pode perder de vista, a gente leva o yoga nos hospitais, eu já levei o yoga na antiga Febem, na Fundação Casa, tínhamos uma equipe muito grande, e toda vez que a gente vai para um lugar desses, a gente faz uma adaptação, adaptação do yoga no hospital. Trabalhei bastante com a Silvana, ela teve lá alguns problemas, estava acamada, e dá para dar yoga, eu posso dar uma prática de yoga, a educação física nesse ponto é um pouco mais restrita, mas de repente eu dou simplesmente um exercício respiratório para uma pessoa, eu estou dando yoga, ou dou uma prática de relaxamento, ou estou dando uma meditação, ele está fazendo yoga. Então não é apenas o exercício físico, mas marcou muito essa ideia do yoga como exercício físico, só isso que eu queria tirar um pouquinho, essa ideia, porque senão a gente não junta muito onde está o exercício e onde que entra isso.
O exercício é só uma parte. É só uma parte. Uma parte para conseguir trabalhar todo o restante, toda a filosofia.
Por isso que quando você diz eu não faço yoga, eu sempre falo assim, ah, ele faz e não sabe. Você não faz asanas, mas o resto você faz. Quando a gente fala dos principais benefícios da prática, até no começo o senhor citou, essa questão de alívio de dor, enfim, de estresse e ansiedade, e aqui tem uma lista que fala dos principais que são citados, por exemplo, o estresse e a ansiedade que a gente já citou, combate a inflamação, alívio de dores, reduz sintomas da TPM, que entra nessa questão também da ansiedade e tudo mais, controla a pressão e os batimentos cardíacos, melhora do condicionamento físico, desempenho dos estudos e do trabalho, nosso exemplo também como vestibular do doutor Fernando.
E agora o que deixa mais na dúvida é essa questão do estresse e da ansiedade, porque tem até uma brincadeira que foi num filme famoso nacional do Paulo Gustavo que ele fala que ele foi procurar a yoga pra alívio dessa ansiedade, ficar mais calmo, mas que ele ficou mais nervoso ainda de ficar ali parado e ficar nessa angústia de quanto tempo eu vou ficar aqui parado, querer olhar o relógio, querer olhar o celular, então tem muitas pessoas que tem essa ansiedade muito grande, que estão ali na correria do dia a dia, tem essa dificuldade de começar, justamente porque é uma coisa muito diferente do que está acostumado, de parar ali, se concentrar, então como que essa concentração consegue ajudar diretamente nessa questão da ansiedade? Eu estava numa festa uma vez, na casa do meu irmão, conversando com um amigo, e aí veio uma senhora que eu não conhecia e ela veio e disse assim ah, que legal, eu tô aqui, me falaram que você é professor de yoga e interrompeu a nossa conversa, a minha com o meu amigo e foi falando, não, porque eu sou muito agitada e não sei o que, interrompeu assim, sem muitas apresentações e ela mesma concluiu talvez por ser muito agitada, talvez eu devesse fazer isso, mas eu não tenho a menor paciência e foi embora, depois ela voltou mais duas vezes, e ela vinha interrompia e falava a mesma coisa, não, porque no fundo a pessoa que se sente muito agitada, que se percebe muito agitada, diz não ter paciência para fazer yoga, mas é a mesma afirmação, diz assim, você é sedentário, você não caminha, não corre há quanto tempo? Ah, nunca corri, nunca caminhei, tá bom, então nós vamos começar correndo 10 quilômetros, não dá, eu vou começar caminhando, eu vou começar acelerando, eu vou intercalar caminhada com corrida, a gente vai aos poucos, a mesma coisa, se eu pegar um aluno ansioso que foi fazer yoga, eu falo assim, ah, esse é ansioso, fica sentado aí por uma hora e não se mexa, o que vai acontecer? Eu vou perder o aluno, ele não vem mais, esse é um do outro, então aí vai da experiência do professor em trabalhar um pouquinho com pequenas permanências, talvez ele nem suporte uma hora de yoga no começo, tem que fazer uma aula de 30 minutos, mas a gente, quem precisa mais do relaxamento? Aquele aluno que se deita, larga o corpo, ele já é um relaxado por natureza, ele tá lá, ou aquele aluno que fica assim, lendo o relógio, coça a cabeça, quem que precisa mais? Quem que gosta mais? Então nem sempre aquilo que eu gosto é aquilo que eu preciso, e nem sempre aquilo que eu não gosto eu não vou fazer, porque talvez seja aquilo que eu preciso, então o que faz o professor? A gente na aula oferece o que o aluno gosta e o que ele precisa, alunos adoram relaxar na aula de yoga, eles vêm pra relaxar, muito bem, vamos começar a aula, todo mundo se deita, mas quem falou que é deitado hoje? Hoje é em pé, ah professor, eu queria começar a deitar, então eu sei o que eles gostam, mas eu também sei o que eles precisam, ele tem pouca flexibilidade, ele é muito encurtado, então ele vai fazer exercício, mas ele sofre nesses exercícios, e a gente diz, não force, o yoga não é pra forçar, o yoga não é o que você faz, o yoga não é o quanto você faz, o yoga é o como você faz, como é que você tá naquele exercício, em cada exercício sofrendo porque tá difícil, quem que torna o exercício difícil? O aluno, que ele quer fazer num padrão que ele não pode, mas o estado da mente dele na hora do exercício é muito importante, até pra todos esses efeitos que você falou, se eu quero mudar um pouco a relação dele com ansiedade, com estresse, mudar um pouquinho o aspecto de depressão, se eu quero melhorar a pressão, se ele não tem o estado adequado, aquilo não funciona, então a primeira coisa que o professor tem que ensinar pra ele é essa atitude, relaxa, tá tudo bem, tá certo, não compare, mas ele viu numa revista que aquela modelo faz aquela postura de uma forma enfim, que 10% da população talvez consiga, 90% não consegue, e aí ele vai lá, quer fazer, quer fazer, e aí quando ele não chega a encostar a mão no pé, ele fala, não consigo, mas não consegue desse jeito, você consegue do seu jeito, como é que você vai fazer? Então essa é a perícia do professor, de ir acomodando e pegar esse aluno que é mais ansioso e não propor tanto pra ele, até que um dia, e pode ser que demore, ele gosta de ficar quieto, ele acaba a prática e fala assim, o professor sabe, o senhor fala muito na aula, então estamos indo bem, estamos indo bem. Começou a incomodar. A gente também escuta falar bastante sobre tipos de yoga, qual que é a diferença disso e como que funciona de um pra outro, tem algo que é mais focado na mente, algo que é mais focado pra ansiedade, qual que é a diferença? Antigamente, os tipos diferentes de yoga estavam relacionados com características pessoais, então na Índia antiga, eles falam, você tem uma coisa que se chama bhakti yoga, bhakti yoga é yoga do devocional, aquele que é mais devocional, ele se senta na frente da divindade e faz cantos devocionais pra aquela divindade, Hare Krishna, Hare Hare, Hare Krishna, Hare Rama, na na na, ele é devoto e ele se sente bem, ele atinge um estado mental de conexão com essa divindade que o acalma também, mas existe um outro ramo antigo que é o karma yoga, é o yoga da ação, de você fazer, de você trabalhar e você está fazendo aquele artesanato, você se concentra tanto no que faz que é quase um estado meditativo, mas existe aquele que é mais intelectual e ele estuda, esse é o jnana yoga, o que ele faz? Ele estuda e ele tenta viver aquilo que ele está estudando, que legal, contentamento e tal, ele se envolve muito com aquilo, existe o raja yoga, que é o yoga da meditação, senta e medita, essas eram as linhas que eram apresentadas antigamente, o rata yoga, que é o que a gente trabalha, ela tem o corpo como uma ferramenta para levá-lo também a um estado propício para a meditação.
Quando o yoga chega no ocidente, e o ocidente não entende muito bem, ele começa a ter vários yogas, e isso obviamente tem uma relação com o mercado, quando o yoga foi a bola da vez, há uns 10 anos atrás, apareceram linhas e linhas de yoga que algumas delas eu duvido da eficiência, não as pratiquei, mas duvido, por exemplo beer yoga, já ouviram falar? É com uma cerveja? Pode olhar que você vai achar, pode olhar na internet, beer, cidadão? Toma cerveja! Nada contra a cerveja, até gosto, mas assim, toma cerveja, e por hora de fazer yoga, toma, como é que você vai fazer corrida tomando cerveja, porque vai te dar, gente, corre e toma cerveja também, mas por que misturar as duas coisas? Então tem o wine yoga, tem dog yoga, você faz com cachorrinho, baby yoga, face yoga, um concorrente da sua modalidade. Isso é marketing, né, normalmente? Puro marketing. Só pra vender, pras pessoas terem ah, vou experimentar isso também.
E vai, tem o tal do hot yoga, você faz numa sala aquecida, de pouquinho, né? Você é mais flexível, você relaxa melhor numa sala aquecida, mas você volta pro ambiente natural, volta ao natural, então não precisa aquecer a sala, porque na Índia era calor, eu não sei, então, tem muitas dessas modalidades, e hoje a gente duvida um pouco da competência de algumas, mas como eu não as pratico, é difícil dizer, mas você ia falar, eu cortei. Não, das mais comuns, como que a pessoa escolhe isso, ou, né, passa, porque ela vai procurar cada, acredito que cada professor tem uma linha, né? Pois é. Então como que a pessoa vai se direcionar em relação a câmera? Ela vai, ela vai de duas formas, coração aberto e um pé pra trás. Se o professor começar a falar alguma coisa que não é, não bate com a ideia dela, desista.
Tem algum livro, alguma coisa que você pode recomendar pras pessoas pra conhecer um pouquinho mais da história? Talvez seja uma maneira até de conhecer as linhas, né? O livro é hoje, a gente ainda tem em português uma literatura muito modesta, restrita. Então muitos textos a gente traduz e tá tentando colocar, mas a pessoa, ela é ingênua, ela não sabe. Então, assim, ele vai pra aquela academia, ele vai fazer.
E tenha cuidado, primeiro, com muitas promessas, porque fazendo yoga vai melhorar isso, isso, isso. Cuidado, não é assim que as coisas funcionam, não é assim na educação física, não é assim no yoga. Vai com cuidado, vai com o pé atrás.
E cuidado com esse misticismo que atraiu um monte de gente no começo, mas que depois espantou muita gente. Porque você adquire poderes, você tem capacidades sobrenaturais, porque textos de yoga falam disso. Mas lembre-se que eles praticavam de manhã, de tarde, de noite, eles praticavam muito, então desenvolver uma intuição, talvez pra saber alguma coisa que hoje a gente não sabe, não necessariamente é um extra poder.
Mas as pessoas querem isso, mas a gente pratica muito pouco, a gente faz duas vezes por semana, uma hora cada vez, e você quer adquirir tudo aquilo, então assim, cuidado. Se você me perguntar que linha eu sigo, eu sigo hatha yoga, mas com adaptações pro yoga moderno. Eles falam no yoga tradicional de posturas onde você vai ficar três horas, meia hora, quinze minutos, a gente não faz isso, dois, três minutos é uma postura.
Por quê? Porque não temos constituição pra isso, nem sistema nervoso pra isso. Eles falam de exercícios respiratórios em que você vai ficar três, quatro minutos sem respirar, em pausa. Então a gente não, a gente adapta isso pra uma vida normal.
A primeira vez que alguém ligou na minha academia e perguntou assim, que yoga é essa? Eu trabalho com yoga há muito tempo, então que yoga é essa? Eu falei assim, como que yoga é essa? É yoga. Hoje eu entendo a pergunta, mas naquela vez como que yoga é essa que eu ensino? É yoga. Então eu costumo dizer que yoga que eu ensino, yoga da época que ninguém perguntava, que yoga é essa? Porque agora todo mundo tem que perguntar, que yoga é essa que vocês estão fazendo? Mas é uma pergunta meio descabida porque yoga tradicional é uma coisa só.
Agora a gente foge dos princípios, um pouco nesse sentido. E qual que é a idade? Qual que é a situação? Qual que é a idade? Qual que é a situação? Yoga, eu costumo dizer assim, não tem contraindicação. Como não tem contraindicação? Não, ela não tem contraindicação, ela tem adaptações.
A palavra samadhi, samadhi é o estado mais profundo de meditação segundo o yoga e tem algumas classificações ainda dentro do samadhi. A palavra samadhi quer dizer saúde perfeita. E a palavra samadhi é o estado de meditação.
Ela quer dizer o seguinte, manter-se coeso, organizado, íntegro. O antônimo de samadhi é viadhi, quer dizer doença. A palavra viadhi, doença, quer dizer estar desintegrado, estar disposto de forma não organizada, estar indisposto.
Eu acho curioso porque a palavra indisposto, quando a gente está doente a gente fala, estou meio indisposto, mas a gente não pensa muito nisso. O que é indisposto? Você não está organizado, está desorganizado. Então é assim, a aquisição deste estado pode acontecer por várias técnicas.
Eu posso dar um relaxamento, eu posso dar um trabalho respiratório, eu posso trabalhar com algum alongamento que eu crie na hora, porque o meu paciente está ali. Meu paciente não, eu não sou médico, eu sempre digo meu aluno, barra paciente. Ele está deitado ali, ele não consegue mexer braços, pernas, mas ele faz um movimento de cabeça.
Então eu digo, vamos fazer isso, o ar entra, aqui quando cair para cá o ar sai, você volta e ele se aproxima desse estado numa técnica muito simples. Então assim, adaptações eu posso fazer, mas não há contraindicação para boa postura, não há contraindicação para relaxamento, não há contraindicação para respirar bem. Então é isso.
A indicação. A indicação. Começar em casa é válido também, porque muitas pessoas falam, até na época da pandemia, principalmente por causa do nervoso, que todo mundo estava tendo que se adaptar ali, uma rotina diferente, de ter que ficar em casa, os próprios educadores físicos começaram a passar por YouTube e também a gente viu bastante sobre a ioga.
O Marcos tem o Instagram dele. Exatamente, a gente já aproveita para falar sobre isso. Já está quase terminando, a gente precisa falar, qual é o seu Instagram? Marcos Rojo Ioga.
Tem lá, ele faz toda segunda-feira às 5 horas da tarde. É para isso, para as pessoas que estão em casa. É para isso.
Primeiro só esclarecer por que Marcos Rojo Ioga? Porque antigamente você entrava no Google com o meu nome e você achava muita coisa, eu estava muito orgulhoso. Aí apareceu um jogador de futebol argentino chamado Marcos Rojo e ele é bom, ele é da seleção. Então você põe no Google Marcos Rojo, onde você quiser, só aparece ele agora e alguns falam, ah, ele foi jogar futebol.
Não, não sou eu. Então é o meu, é Marcos Rojo Ioga. Com Y ou com I? Com Y. Mas é ioga, não é ioga, pode ser.
Enfim, na época da pandemia, nós pensamos o seguinte, puxa, nós vamos estar aqui, tudo dentro de casa, ninguém sai, lockdown. E eu vi que cantores cantavam, pessoas faziam suas atividades para ajudar a população a passar melhor por isso. E aí eu reuni a família, a família, o que nós vamos fazer? Vamos dar aula de ioga.
Dávamos de manhã, dávamos de noite. Primeira aula que eu fui dar, primeira live, tinha 1.200 alunos. Eu falei assim, nossa, é pouco.
Eu disse, mas pai, você não tem ideia, 1.200 é muito. Mas tem o Brasil inteiro para assistir, tem o mundo inteiro para assistir, só tem 1.200. Bom, eu não tinha ideia, era muito. Até hoje eu encontro pessoas que dizem assim, nossa, foi super legal, aquela época foi muito bom, ajudou.
Eu não tinha ideia. Para nós da família foi muito legal, porque nós nos ocupávamos com isso, a gente organizava a aula, punha em uma sequência, preparava a câmera, fazia tudo informalmente, caseiramente, pegava o meu gênio, vem cá, você é o modelo hoje. Mas foi muito legal, fez muito bem para a população, bem que eu não sabia.
Agora veja que interessante, eu dou aula para um grupo que eu não vejo. Eu tenho dificuldade em dar aula sem estar olhando para você. Então eu precisava de um modelo para olhar para alguém.
Então, outra vez, é uma adaptação de ioga. Um ioga que tem que ser eficiente, mas tem que ser adaptado. Então, funciona bem, é legal, fazer em casa é legal, fazer por livro é legal, mas, eu diria, o mais importante mesmo é você ter um professor que te olhe e te corrija, porque se a gente... Aí não vai conseguir adaptar.
É, exatamente. Agora vamos fazer essa lateralização, mas ele tem lá uma artrose no ombro, ele para aqui, mas eu não sei. Aí ele está todo dolorido, tenso, se é numa aula presencial, eu vejo.
Então, até que a pessoa pegue bem esses conceitos, é importante ter um professor, é importante. Perfeito, muito obrigada pela sua participação, a gente já está sendo avisado aqui pela nossa equipe que o nosso tempo já chegou ao fim, mas é muito importante e esclarecedor a gente falar sobre isso, porque há essa dúvida, de fato, sobre se há benefício, que a gente falou no início, é para mente, é para o corpo? Muito importante esse assunto e a gente vai deixar também aqui embaixo no vídeo, o Instagram para quem quiser conferir. Obrigado, na descrição.
Isso. Muito obrigada. Muito obrigada pela sua participação.
Obrigado, Letícia. Obrigado, Fernando. Muito obrigado, Marcos, querido.
Um abraço. Obrigado a vocês. Obrigada, Dr. Fernando, também pela ajuda aqui, na nossa intermediação com a entrevista.
E agora, conto com a sua audiência e participação nos nossos próximos episódios, como o Dr. Fernando já citou aqui anteriormente, qualquer sugestão também de tema, vocês podem comentar aqui, mandem as perguntas que a gente segue acompanhando por aqui e tem a nossa playlist com os episódios anteriores. Conto com a sua participação e carinho da audiência nos próximos episódios. Obrigada, tchau.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.