O episódio apresenta uma conversa entre Letícia Miyamoto (Instituto Amato) e Yuri Schesman, instrutor graduado de Kung Fu, sobre como essa arte marcial pode imp
Na verdade, instruir Kung Fu, para quem está instruindo, pouco importa a nomenclatura, né, mas se a gente for usar uma hierarquia, eu fui graduado há pouco tempo como Sifu de Kung Fu, que é como se fosse um mestre, um jovem mestre, ele está começando a trajetória para se tornar um grande mestre de Kung Fu.
Não, na verdade não, na verdade eu estou iniciando essa trajetória, eu era professor e agora me tornei Sifu de Kung Fu. Legal, e não está certo a gente falar que Kung Fu é um esporte então, né, a gente estava falando aqui nos bastidores um pouquinho antes, e isso também já me surpreendeu.
Hoje em dia eu diria que é um estilo de vida, antigamente foi usado como uma forma do exército se defender mesmo de povos invasores, e hoje em dia não, porque hoje em dia a guerra é outra, hoje em dia nós não necessitamos mais dessa guerra de invasão, ela existe hoje em dia, mas eu acho que a maior guerra que nós travamos hoje em dia é a guerra conosco mesmo, então o Kung Fu vem auxiliar exatamente nesse ponto.
Ó, o filho do Renato está dublando, o filho do Renato, e aí eu fui de estúdio em estúdio e tal, e nunca mais parei.
Eu era criança, eu comecei com 6 anos. Meu Deus! 6 anos.
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez a sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais para falar sobre a conscientização do lipedema de um jeito que você nunca viu, porque a gente fala bastante sobre esse assunto aqui no canal e antes também recebemos um outro convidado especial, foi uma série sobre telemedicina e também inteligência artificial na medicina. Hoje novamente nós recebemos um outro convidado especial, desta vez o Yuri Shesman, que é especialista em Kung Fu, vai conversar aqui um pouquinho com a gente sobre todos os benefícios dessa prática para a saúde, que é o objetivo aqui do nosso canal, conversar sobre melhores práticas para a saúde, qualidade de vida, enfim, esse é mais um episódio sobre esse assunto que vocês tanto pediram para que a gente trouxesse o Yuri, então ele está aqui com a gente, eu vou apresentar o nosso especialista de hoje antes de dar as boas-vindas.
Yuri Shesman é formado em artes cênicas pela Belas Artes e pós-graduado em música pela Fian, é professor de Kung Fu formado pela International Traditional Kung Fu Association, atua como ator e também dublador desde 1991 e dá aulas de Kung Fu desde 2011, tem formação marcial de nove anos de Karatê e 18 anos de Kung Fu, além disso tem uma escola de Kung Fu, o Núcleo de Kung Fu Shaolin, há dez anos onde apresenta uma forma diferenciada de aprender e aplicar o Kung Fu no dia a dia. Bem-vindo, Yuri. Muito prazer, é um prazer estar aqui, Letícia, muito obrigado pelo convite e estou aqui aberto para esclarecer sobre os benefícios que o Kung Fu pode trazer hoje em dia para todo mundo.
Legal, Yuri, até citei aqui na abertura do episódio de hoje que muita gente até já comentava, a gente falou já de muitas práticas, muitos esportes, enfim, muito que envolve, que eu falei, qualidade de vida de uma forma geral, fisioterapia, enfim, tudo que está relacionado à saúde e eu já tinha visto alguns comentários das pessoas citando o Kung Fu e eu confesso que olhando aqui, eu fui dar uma pesquisada, né, antes da gente começar a gravar, vir aqui gravar hoje e tem muita curiosidade, né, já queria começar inclusive perguntando sobre o que é mais correto falar, que você é um professor de Kung Fu, mestre de Kung Fu, qual que é o termo correto? Na verdade, instruir Kung Fu, para quem está instruindo, pouco importa a nomenclatura, né, mas se a gente for usar uma hierarquia, eu fui graduado há pouco tempo como Sifu de Kung Fu, que é como se fosse um mestre, um jovem mestre, ele está começando a trajetória para se tornar um grande mestre de Kung Fu. Ah, entendi, então ele está acima de um mestre comum, ou tem isso? Não, na verdade não, na verdade eu estou iniciando essa trajetória, eu era professor e agora me tornei Sifu de Kung Fu. Legal, e não está certo a gente falar que Kung Fu é um esporte então, né, a gente estava falando aqui nos bastidores um pouquinho antes, e isso também já me surpreendeu.
É, isso é uma confusão que acontece, é natural, porque algumas artes marciais, e o Kung Fu inclusive, tem levado a arte marcial para o desporto, o que pode ser uma prática, mais uma prática para entendimento de todo o benefício que o Kung Fu pode trazer, mas como o desporto tem visibilidade, tem transmissão tal, o leigo acaba vendo aquilo e achando que é mais uma prática desportiva, como todas outras, como um tênis, futebol, bowling, e na verdade não, a arte marcial não é um desporto, tradicionalmente, a arte marcial, ela foi usada originalmente para a defesa pessoal, contra povos invasores e contra animais, eu estou falando de Kung Fu, que é a mãe das artes marciais, algumas linhas dizem que o Kung Fu como arte de proteção existe há aproximadamente 3 mil anos, e registros mostram que 500, 400 a.C. já existia a prática da arte marcial chinesa, como a gente conhece hoje. Tá, então a gente pode falar como uma prática, estilo de vida? Hoje em dia eu diria que é um estilo de vida, antigamente foi usado como uma forma do exército se defender mesmo de povos invasores, e hoje em dia não, porque hoje em dia a guerra é outra, hoje em dia nós não necessitamos mais dessa guerra de invasão, ela existe hoje em dia, mas eu acho que a maior guerra que nós travamos hoje em dia é a guerra conosco mesmo, então o Kung Fu vem auxiliar exatamente nesse ponto. O Kung Fu como nós conhecemos hoje, de uma forma holística que trabalha a mente, o corpo, a mente, a emoção, o espírito, ela foi trazida pelo Bodhidharma, um monge, que viu que nos mosteiros os monges estavam morrendo de inanição por tentar chegar à iluminação, só que eles não trabalhavam o corpo, e ele já vinha de conhecimentos de prática, exercícios físicos, corporais, para trazer longevidade para aquele corpo, e ele acreditava que se a gente quer difundir o bem, a gente precisa ter um corpo forte, para ter muita saúde, para conseguir fazer isso, e aí ele fez essa transformação dentro do templo Shaolin, isso é uma das histórias que dizem, como a China é muito antiga, então tem muita coisa que não tem registro escrito, é um registro verbal passado de geração em geração, e ele fez essa transformação com os monges que estavam ali precisando de saúde, e guerreiros que tinham muita força física, mas tinham pouco desenvolvimento interno, estratégico, vamos dizer que ele colocou esses dois grupos para se conversarem e trocarem informações, daí que existe o Kung Fu como a gente conhece hoje, que não só trabalha a parte física, onde você vai melhorar todos os aspectos fisiológicos, como aprender a se defender, para uma possível situação onde você precise, mas também você vai aprender a redescobrir quem é a Letícia realmente, porque hoje em dia na sociedade nós vivemos com algumas máscaras necessárias para viver, então existe a Letícia entrevistadora, existe a Letícia filha, existe a Letícia esposa, namorada, vizinha, amiga, e às vezes a gente está revestido de todas essas outras máscaras e esquecemos da nossa real essência, e aí o Kung Fu é como se fosse um despertar para isso, a prática em si, com tudo isso que eu falei da defesa pessoal, do lado físico, mas ele vai despertando esse outro lado através da própria prática.
E tem várias, não sei se é tipos que eu posso falar, mas por exemplo, Shaolin é uma delas. Sim, são estilos, a gente chama de estilos. O estilo Shaolin é um estilo que foi criado dentro do Templo Shaolin, em Danfang, e existem vários outros estilos difundidos no mundo, estilos tradicionais chineses.
Alguns dizem cento e poucos estilos, outros dizem trezentos e poucos estilos, na verdade eu não sei te dizer quantos existem, mas existem muitos, e a razão disso é porque antigamente os estilos eram passados de família para família, então era descendência, do pai para o filho, do tio para o sobrinho, e aí cada geração acrescentava um elemento, ou um ponto de vista, e cunhava um novo estilo, então por isso que existem vários estilos, às vezes de uma única ramificação existem vários estilos, mas os tradicionais, que são os estilos que nós ensinamos na Núcleo, e na International Tradition, os estilos tradicionais são os que carregam ainda essa essência de trabalhar físico, mental e emocional para o desenvolvimento do ser humano, é uma arte marcial holística, então a gente pode encarar dessa forma, e hoje eu acho que talvez, eu sou suspeito a falar, mas eu acho que das práticas corporais que eu conheço, talvez seja uma das mais acessíveis, tanto financeiramente como fisicamente, porque a arte marcial é muito simples de você iniciar, ela não requer muitas coisas, as pessoas têm uma tendência a achar que para fazer arte marcial você já precisa ser um mestre, você já precisa saber muito, você tem que ter um alongamento, você precisa ter uma flexibilidade e ser rápido, ágil, na verdade você vai aprender tudo isso, é um caminho, e é o que o Kung Fu trabalha, exatamente aproveitar o trajeto, o caminho, e não tentar só pensar no objetivo que está lá na frente. Legal, então a gente já vai conversar um pouquinho sobre esses benefícios, tanto para o corpo como para a mente, porque esse da mente realmente é bem curioso, que envolve vários aspectos, e como realmente pode ajudar na pessoa individual, nessa questão que envolve até, a gente fala estilo de vida pensando em algo saudável para o corpo, mas a gente está falando de realmente você achar um caminho na sua vida. Exatamente, caminho, na verdade várias artes marciais têm o caminho como uma partícula do nome da arte, como o Karatedo, Judo, Do é caminho, no Kung Fu não tem essa partícula, no Kung Fu seria o Tao, de onde vem o Taoísmo como filosofia, não como religião, que significa caminho, então é isso, é um caminho mesmo, exatamente, foi bem definido por você, não é um estilo de vida como uma prática diária de fazer alguma coisa todo dia, é uma forma de pensar, uma forma de encarar, uma forma de visualizar ao seu redor a vida, a sua vida e a vida do outro, porque na verdade a gente interdepende um do outro, a vida do outro que está ao meu redor precisa estar organizada para a minha se organizar, senão essa espiral vai causando um transtorno familiar, no bairro, na sociedade e assim vai.
Sim, muito legal, então Yuri, eu queria saber um pouquinho agora também sobre, eu falei, a gente já foi engatando aqui no assunto, mas lendo o seu currículo é muito curioso, você trabalha como dublador, inclusive já tem vários trabalhos importantes, que pode até citar alguns para quem estiver acompanhando às vezes, lembra, a gente está aqui inclusive com um dos seus alunos, sim, exatamente, da nossa gravação, nosso cinematógrafo, ele está fazendo toda a parte aqui do estúdio, mas ele também é seu aluno fora daqui, como que foi unir tudo isso para você, você sempre teve interesse por Kung Fu, você também é dublador e músico, como que você consegue unir isso na sua rotina? Sim, na verdade a música agora está estacionada dentro da minha vida, mas é uma paixão, eu tenho os meus instrumentos lá, eu já trabalhei com música, inclusive, e na verdade ela está estacionada como um músico profissional que atua cantando todos os dias, mas eu trabalho com música na dublagem, então, um dos últimos filmes que eu fiz cantando foi, por exemplo, Live Action da Pequena Sereia, que eu faço o Sebastião, que é aquele caranguejinho e ele canta no filme, aí eu coloquei todo o meu conhecimento de música para cantar lá, mas falando de dublagem, eu comecei por acaso porque eu sou filho de um dublador, meu pai é o Renato Março, um dublador das antigas, ele ainda atua até hoje, ele fez papéis conhecidos, ele é uma das vozes do Sirigueijo do Bob Esponja, ele fez a primeira voz do Chucky, o brinquedo assassino, aquele boneco assassino, sabe? Dentre tantas coisas que ele já dublou também, e a verdade, eu gostaria, eu sempre gostei de fazer exatamente o que hoje em dia com as redes sociais, as pessoas têm curiosidade de conhecer os donos daquelas vozes que elas gostam, e eu ia com meu pai no estúdio, muito pequeno ainda, com 3, 4 anos, para ficar vendo quem eram as pessoas dos desenhos que eu gostava de assistir, e um belo dia faltou uma pessoa lá, e eu estava lá tanto tempo vendo, que eles falaram assim, pega o Yuri, vamos ver o que ele apresenta ali, e aí eu acho que por eu ver tanto, e sem uma responsabilidade, um compromisso de querer fazer, porque eu nunca quis fazer, eu sempre só quis ver, eu acho que meu cérebro guardou uma caixinha lá, assimilou como era o processo, eles falaram, ó, ele entendeu, ele sabe e tal, e aí eu nunca mais parei, foi de boca a boca, olha, eu não tinha um nome ainda, eu era o filho do Renato, né? Ó, o filho do Renato está dublando, o filho do Renato, e aí eu fui de estúdio em estúdio e tal, e nunca mais parei. E você era criança ainda? Eu era criança, eu comecei com 6 anos. Meu Deus! 6 anos.
É, porque precisa de todas as idades, né? Exatamente, todas as idades, de 4 a 90 anos, na verdade é uma profissão que tem esse lado bom, porque você consegue uma longevidade, né? O ruim é que a maioria dos conteúdos, às vezes não preza tanto, nem por criança e nem por gente mais velha, né? Ele fica numa faixa etária ali entre 20 e 50 anos, mas tem trabalho para todas as idades. Legal, então hoje a sua rotina mesmo ali está mais ligada ao Kung Fu. Sim, eu divido, na verdade eu nunca parei de dublar, eu dou aula de Kung Fu, mas eu nunca parei de dublar porque essa coisa da mente que a gente estava conversando, olha como é interessante, quando eu comecei a treinar Kung Fu, eu estava muito mal de saúde, porque por causa da música eu comia errado, dormia errado, e aí eu fui ficando obeso, fiquei com mais de 100 quilos, e isso estava afetando minha saúde, pressão alta e outras coisas.
E minha irmã começou a treinar Kung Fu, e eu já tinha treinado, cara, até antigamente, só que eu me machuquei e fui mal diagnosticado, e aí eu fiquei por um tempo muito grande para me recuperar, e aí eu peguei meio ranço de arte marcial, e aí quando eu voltei a treinar, me machuquei muito, demorei muito para me recompor, e depois de um tempo, quando eu fui começando a ver os benefícios que isso me causou, e isso que me deu a sementinha de querer ensinar Kung Fu, porque eu tive uma transformação não só física, como mental, como forma de lidar com algumas situações, mas eu ainda tinha uma coisa que não tinha sido mudada, eu estava cansado de dublar, talvez por estar muito tempo fazendo a mesma coisa, desde criança, eu estava querendo desopilar um pouco, e às vezes eu achava o meio um pouco, sei lá, tóxico pelo ego das pessoas e tal. E a música ao mesmo tempo. E a música estava ao mesmo tempo, música era uma coisa que eu fazia em paralelo, mas a música foi uma coisa que acabou também atrapalhando um pouco na minha saúde, e depois que eu comecei o Kung Fu, naturalmente eu fui me desligando da música, não pela música em si, mas pelo modo que eu estava lidando com a música.
E aí eu me desliguei da música, depois fiquei só no Kung Fu, e aí um belo dia eu fui marcar uma reunião com os meus mestres, porque eu queria avisar a eles que eu ia parar de dublar, ia ficar só com o Kung Fu, e o meu intuito de ter uma escola era para isso, além de ensinar e ter um sustento, porque eu não ia mais dublar. E o meu mestre ouviu, meus mestres ouviram, sempre muito carinhosos, e no final ele me fez uma pergunta que explodiu minha mente, que ele falou assim, depois que você parar, depois que você se cansar do Kung Fu, o que você vai fazer? Eu falei assim, mas eu não vou me cansar, mestre. Ele falou, vai.
Eu falei, por que o senhor acha isso? Porque você está se cansando da dublagem, então você também vai se cansar. Eu falei, não, jamais. Ele falou, vai, você só precisa saber o que você vai fazer.
Eu falei, mas por que o senhor está falando isso? Ele falou, porque você está querendo fugir da situação que está sendo imposta a você para você aprender. E eu não tinha entendido, ele falou assim, é como se eu fosse um guerreiro, que quando é apresentado a guerra ele vira as costas e vai embora, e deixa todos os outros lá sofrendo com a batalha. Eu falei, e o que eu tenho que fazer? Ele falou, você tem que pegar o seu Kung Fu, o que você aprendeu até agora, e levar para esse lugar, para a dublagem.
Levar para as pessoas, mudar a sua forma de dublar, mudar a sua forma de ver a dublagem. E foi incrível, Letícia, porque essa conversa foi numa sexta-feira, e eu fiquei fritando sexta, sábado e domingo. Segunda-feira eu já cheguei para dublar com outros olhos.
E aí eu descobri que o problema estava comigo, e não com o lugar. E isso é uma coisa que o Kung Fu vem ensinar, que é exatamente isso. Na verdade, às vezes os nossos olhos estão meio nebulosos, ou eles estão viciados com uma forma de enxergar a vida, de enxergar as coisas, e isso faz com que a gente tome decisões erradas.
E aí eu decidi que nunca mais ia parar de dublar. Então hoje em dia eu caminho com as duas coisas, eu caminho com a dublagem e caminho com o Kung Fu. Eu tento organizar a minha vida, eu também sou pai agora de uma menininha, a Hanna, que tem quase dois anos, então... É verdade, você tem uma família, você tem uma pessoa que dá mais trabalho nesse sentido, de você conciliar tudo.
Exatamente. E como conciliar isso, sem ser uma coisa agressiva para o meu corpo, tóxica, ou que me crie um mal que acontece hoje com muitas pessoas, que é a ansiedade. Ansiedade, depressão, estresse.
O Kung Fu é como se fosse um balizador, ele vai trazer harmonia para isso. Quando eu pratico, não só quando eu ensino, quando eu ensino também, mas quando eu me coloco como o aluno, porque a gente estuda até hoje com os nossos mestres, isso não acaba nunca. Então isso é como se fosse a minha... Colocando um português mais fácil para as pessoas entenderem, como se fosse a válvula de escape, mas não é uma válvula de escape, porque na verdade é uma forma de compreender tudo.
Escape parece que eu estou querendo me livrar de alguma coisa, e na verdade eu não quero me livrar, eu quero entender para reunir e conseguir dar conta disso tudo. Então é como se fosse um processo terapêutico, sabe? Existem terapias infinitas hoje, algumas mais conhecidas, outras menos, mas o Kung Fu, para mim, como aluno, funciona assim, como uma terapia, como uma hora que eu volto para casa, eu consigo reavaliar os meus comportamentos, as minhas decisões, e eu tento, nós tentamos na Núcleo, nós tentamos na nossa organização, os nossos mestres nos ensinam isso sempre, mestre Marco Serra, mestre Márcia, mestre Tomizaki, mestre Stephanie, que é exatamente, essa é a nossa função, de tentar pegar tudo isso que está acontecendo no mundo, a rapidez dos movimentos, a sociedade que nos pressiona cada vez mais, pegar tudo isso, entender tudo isso e lidar com isso, não se revoltar e nem fugir disso, porque é a nossa realidade. É como se eu estivesse sido colocado num combate, eu não posso fugir dele, não tem como eu fugir, eu preciso participar.
Como eu vou participar? Qual a melhor forma de fazer isso? Então, isso é o grande ponto que eu acho que o Kung Fu pode ser benéfico hoje em dia para a sociedade, para o ser humano, porque as práticas sempre nos levam para uma coisa externa, então eu preciso, eu vou para musculação, eu vou precisar do ambiente, porque em casa eu não vou conseguir fazer, eu preciso do aparelho, senão eu não vou conseguir fazer. Isso é bom por um lado, porque te motiva, mas a gente não pode ficar dependendo das coisas, e quando a gente consegue desenvolver o Kung Fu num nível mais elevado, o Kung Fu é o cargo dentro de mim. Inclusive o termo Kung Fu, pouca gente sabe, não quer dizer a arte marcial chinesa, isso é o que a gente conheceu aqui no ocidente.
A arte marcial chinesa se chama Wushu, que Shu é arte e Wu é marcial ou guerra. Então arte da guerra. Kung Fu na China é muito tempo desprendido numa ação, alto grau de conhecimento, então você que se esmerou para ser uma entrevistadora, você faz Kung Fu no que você faz.
Um bom motorista de ônibus, ele faz Kung Fu no que ele faz, ele é um Kung Fuista. Então tudo que a gente faz com excelência, e se dedicou muito para chegar nesse resultado, é Kung Fu. Então o Kung Fu é muito benéfico para a nossa sociedade por conta disso.
E por um ponto que a gente acaba sendo levado pela urgência das coisas, que a gente quer tudo para ontem. Hoje em dia a sociedade nos leva a isso. E o Kung Fu vai nos mostrar que a gente precisa de tempo para maturar alguns processos.
E quando eu interiorizo isso, eu começo a entender que nada é tão rápido assim, não precisa ser tão rápido, tem coisas que eu preciso esperar. Então é uma linha que a gente pode colocar como aprender com um bom professor, treinar, ter persistência, perseverança e aguardar. Você precisa ter essas quatro coisas, porque não vai acontecer de uma hora para outra.
Por isso que as pessoas às vezes desistem de treinar arte marcial tradicional, porque elas acham que amanhã vai ter uma faixa preta. Eu até brinco com os alunos, não sei se o Kevin já viu isso, mas eu brinco com os alunos, porque eles falam assim, você quer ter a faixa preta? Eu pego uma faixa preta e coloco na mão deles. Aí você tem a faixa preta.
Porque ter não é a chave, a gente precisa ser. Então ser é a chave do Kung Fu. Você treina para ser um artista marcial, para ser merecedor daquela faixa que você vai conquistar no seu exame.
Porque você pode ter um pedaço de pano que vai amarrar sua calça. Isso aí qualquer um pode ter. Mas o que você tem dela dentro de você? O que você é dessa graduação que você conseguiu? Nada, porque você nem sabe o que é aquilo.
E às vezes a gente tem muito disso na sociedade, das pessoas, muita gente ensina muita coisa, mas muita gente sabe pouca coisa também. Ensina um pouco de tudo, mas sabe pouco de muito, muito de uma coisa só. E aí o Kung Fu vem ajudar nesse ponto, da gente reunir isso, ter paciência com os processos, ter paciência consigo, a autoavaliação, a autocompaixão, porque às vezes a gente é muito perfeccionista com os outros e conosco mesmo, e aí cria ansiedade, cria depressão, criam-se esses processos.
E a gente pode resolver todos eles, porque está tudo dentro da gente. Talvez a gente precise de um empurrãozinho, um arte marcial, a yoga, alguma coisa que vá trazer essa volta para casa, que é a nossa proposta, da nossa organização com o Kung Fu. Sim, eu ia te perguntar justamente isso, na minha próxima pergunta, sobre como que isso mudou a sua visão de mundo, a visão, como você age, igual a gente estava comentando, na família, no trabalho, como você enxergava a dublagem, que você já estava desistindo, mas a sua resposta foi exatamente o que eu queria saber, essa mudança de visão, como que você enxergava antes para como que você enxerga a partir da prática? Eu acho que foi bem explicado, mas é isso, né? Eu nem sei te falar como eu enxergava, eu acho que eu não estava nem atento a isso, eu acho que é aquele processo quase que como é, quase que como um animal, vou falar irracional, mas eu não acredito que os animais sejam irracionais, mas como um animal, como um boi, ele é movido por instinto.
Talvez naquele exemplo que muita gente fala assim, com a sensação, nossa só essa semana eu já escutei isso umas três vezes, tem uma sensação que eu acordo, eu vivo para trabalhar e não trabalho para viver, sabe? De que as pessoas vivem nesse automático, parece que pelo menos no dia de semana você não faz mais nada, você só está ali no automático, dorme para trabalhar, aí trabalha, dorme de novo para trabalhar, e vai, e vai. Às vezes não para para pensar, né? Às vezes acaba usando de subterfúgios viciantes para trazer um pouquinho de satisfação, porque o dia não é satisfatório, então a comida, a bebida, o vício em drogas, o vício em várias coisas que estão aí, vício em internet, porque o dia foi tão desgastante mentalmente para mim que eu preciso de uma pílula de satisfação, e aí eu acabo me viciando em alguma coisa e para aguentar essa coisa. E isso também é pela falta de presença, né? Porque a pessoa, como ela não está gostando do que ela faz, a mente dela não está presente no que ela faz, a mente dela está em outro lugar, então ela está executando.
Como a mente dela está em outro lugar, ela não tem satisfação naquilo. E o Kung Fu também ajuda nisso, trazer a presença, aproveitar o que você está fazendo. A gente costuma falar para os alunos que é uma hora de aula, então ele precisa subir as escadas da escola já envolvido na aula.
Então a gente fala assim, deixa a conta lá embaixo, deixa o chefe lá embaixo, as situações que você precisa resolver lá embaixo, venha treinar, aproveite essa uma hora, e quando você sair, vai estar tudo lá te esperando para você pegar e resolver. Mas é por falta de presença. E o que difere o Kung Fu de ser uma atividade física para uma atividade corporal, que é uma atividade corporal, não é uma atividade física como algumas pessoas acham.
Porque atividade física, eu consigo executá-la sem estar plenamente concentrado, focado naquilo. Um exemplo é, por exemplo, se eu falar para você andar numa esteira ou correr numa esteira, musculação, você pode estar com fone de ouvido, você pode estar olhando uma tela, você não vai tropeçar ou parar de correr por conta da cena que mudou na TV que você está vendo, ou a faixa da música mudou e você tropeça. Não, você continua.
Arte marcial não tem como. Você não executa o movimento, você se machuca, numa luta você não consegue defender o movimento, você é acertado. Por quê? Porque você não esteve presente.
Então, é como se a nossa consciência, a nossa presença, fosse um balãozinho que está toda hora querendo voar e a arte marcial traz ela sempre juntinho da gente. Então, não foge. E quando eu consigo estudar isso e treinar isso, eu consigo levar esse processo para a minha vida, que é o mais importante, que eu acho que é o grande benefício do Kung Fu, porque o Kung Fu é um microcosmo.
O aluno vai lá para a escola, ele consegue resolver tudo isso lá dentro da escola, às vezes, mas sai e ainda é um parto, um problema. O que a gente tenta é ele tentar levar essa consciência para fora. Quando ele for trabalhar, trabalhe com focado, concentrado.
Ah, não é o meu trabalho dos sonhos, mas ele é um processo para você chegar onde você precisa. Então, aceitar e usufruir da melhor forma possível, porque senão fica sendo um tormento. A vida fica pesada, fica dificultosa, a pessoa está ali, mas não quer estar ali.
Então, a mudança que o Kung Fu me trouxe é essa. Eu sempre estou no melhor lugar possível. Eu sempre estou onde eu quero estar.
Por mais que eu não tenha habilidade para tal coisa, mas eu estou ali querendo aprender, querendo desenvolver, querendo ver o que eu posso aprender com aquilo. Porque senão a gente sempre está ou lá na frente, eu quero estar no próximo lugar, no futuro ou no passado. Eu nunca estou aqui.
E a vida acontece aqui. A vida só acontece hoje. Amanhã não é vida.
Ontem foi. Ontem você não tem como resgatar. Amanhã você é só uma projeção, você não tem como você vai usar de ideias e probabilidades para falar o que vai acontecer.
Mas você não tem certeza. Você só tem certeza do que está acontecendo hoje aqui na nossa conversa. Só disso.
Então, é tão difícil hoje para a gente isso, porque nós somos bombardeados demais com coisas que nos levam para um extremo ou para o outro. Ou para achar que o passado estava mais interessante do que hoje e o presente. Ou achar que o futuro vai ser melhor do que hoje e nunca estamos no hoje.
E hoje é a chave para lá no futuro estar gostoso. A gente precisa trabalhar hoje, precisa estar vivendo hoje. E o Kung Fu traz muito isso, porque é muito interessante na luta.
Eu faço um paralelo da luta porque a luta é para mim como se fosse o processo da vida. Tem hora que você precisa avançar, tem hora que você precisa recuar, tem hora que você precisa esquivar, tem hora que você precisa aguardar, como na vida. E na vida, se você não estiver atento, você leva uma paulada dela.
E na luta também. Por isso que te traz consciência, te traz presença. E eu acho isso fantástico, porque a partir do momento que eu consegui e continuo tentando, porque é uma vigília diária, a gente não pode deixar a peteca cair.
Mas eu vejo que o Yuri, de antes do Kung Fu para hoje, treinando Kung Fu, é outra pessoa, completamente. Profissionalmente, na minha família, entre os meus amigos, entre os meus núcleos profissionais, em todos os aspectos, eu sou uma pessoa completamente diferente. Nossa, eu realmente consigo entender.
Acho que para quem está acompanhando também, foi uma explicação muito didática mesmo, de como você teve essa mudança de visão. É difícil, às vezes, a gente colocar em palavra, né? É, é muito difícil. Porque é sentimento, né? É sentimento.
Então, às vezes, é difícil. Como é que eu vou achar palavras para estrenar isso? Ou talvez eu tivesse que ficar aqui um dia conversando com você para chegar nesse ponto. Exatamente.
Fazer um reality show da sua vida para mostrar realmente a diferença. A gente estava falando bastante sobre esses benefícios físicos, apesar de não ser uma atividade física, que você explicou, benefícios mentais, emocionais. Agora, falando rapidamente sobre os benefícios físicos, para quem pratica.
Quais são os ganhos mais perceptíveis? Tem algum ganho externo? Como que funciona isso? Demais, demais. Na verdade, a gente usa a tríade dos três pilares, físico, mental e emocional, porque o físico é o primeiro que vai ser impactado em qualquer praticante. Nada disso que eu te falei vai ser acessado com um físico fraco.
Porque um físico fraco padece de assistência. E não vai ter tempo nem condição mental para acessar essas outras coisas. Então, assim, o físico vai ser a primeira porta.
Primeira coisa que a gente vê nos alunos acontecer, em qualquer idade, e alunos que praticam outras coisas. A gente tem aluno lá que faz Ironman, por exemplo. E ele foi fazer uma aula e ele falou assim, nossa, como eu estou cansado.
E ele corre cento e não sei quantos quilômetros. Você fala assim, como é que ele está cansado? Porque é uma outra prática. E talvez essa coisa de trazer a consciência para o que você está fazendo, crie um outro processo.
Então, assim, resistência física, controle de pressão arterial, perda de peso para as pessoas que precisam, ganho de massa óssea para a terceira idade. Você fala assim, mano, Kung Fu para a terceira idade? Sim, Kung Fu para a terceira idade. Porque não é o Kung Fu do filme.
Kung Fu não existe. Kung Fu é cinematográfico. Qual que é a ideia com uma pessoa da terceira idade para treinar Kung Fu? É trazer qualidade de vida, qualidade de mobilidade, mobilidade articular, melhorar os níveis de estresse, de ansiedade para essa pessoa.
Então, assim, a gente tem alunos lá que começaram com setenta anos e estão treinando. É o Kung Fu dele, é o tempo dele, são as particularidades dele. Então, é claro que ele não vai ter a rapidez e flexibilidade de um garoto que está na mesma fase que ele, mas com 17 anos.
Isso é claro. Isso é fisiológico. Mas o que a gente ensina e tenta mostrar para ele é que ele está no máximo que ele consegue.
E na maioria das vezes, muito melhor do que vários da idade dele. E é isso que é bom. Porque ele vai trazer longevidade e vai trazer qualidade.
Porque não adianta você ter muita vida, mas estar sobrevivendo. Você precisa estar vivendo. Porque sobrevida é que você já está com muitas coisas envolvidas ali para te manter em pé, vivo.
Então, o nosso trabalho é exatamente esse de trazer para cada nível, para cada faixa etária, o que ela precisa. Por exemplo, as crianças precisam muito de concentração, foco. Elas estão muito dispersas na maioria das vezes.
Estão com a mobilidade articular muito comprometida, porque muito celular, videogame, não brinca mais de correr, pular e tal. E aí criam sobrepeso e muito impacientes. Então, o Kung Fu vai ser benéfico porque ele vai trabalhar em todas essas frentes.
Mas falando do físico, como você estava citando, então, mobilidade articular, ganho de massa óssea, resistência física, melhora na mobilidade articular geral. Todas as articulações ficam mais flexíveis. Melhora na flexibilidade, como um todo muscular.
Então, assim, as pessoas basicamente sentem isso logo no primeiro mês, já sentem alguns benefícios. E esse benefício vai se estendendo e amplificando. Depois a gente vai acessar o segundo benefício que o Kung Fu trabalha, que é o mental.
Como é que a gente vai trabalhar isso? Em cima de mostrar a dificuldade e mostrar como vencê-la. Porque, às vezes, a gente tem um processo de auto-boicote muito grande. Então, é difícil.
Ah, não vou fazer isso, não é pra mim, eu não sirvo e tal. E você consegue sim o que você precisa de tempo, de maturação, de experiência, experimentar aquilo, errando, acertando, consertando e até você chegar nisso. Então, assim, a gente tem muita crença, muitos dogmas, muitos paradigmas e o Kung Fu tem que ir quebrando isso.
Esse é o processo mental. Quando a gente consegue chegar nisso, você se torna uma mente mais ativa e menos reativa. Você para de reagir às coisas e age mais.
Porque senão você sempre fica numa postura de vitimismo e sempre de agressividade é o que vem de encontro a você. E o Kung Fu corta isso. Não, você é o responsável.
Você não está conseguindo agora, mas você vai conseguir daqui a pouco. Só depende de você. Eu não consigo treinar por você.
Eu falo isso com os alunos. Nem se você me der um milhão de dólares, eu consigo treinar por você. Porque a experiência é sua.
A minha é minha. Ninguém consegue treinar por mim. Ninguém consegue fazer.
Ninguém consegue lidar com as dificuldades que eu estou lidando. Então, assim, é uma coisa intransferível. Isso que é interessante.
Esse é o mental. O mental vai trabalhar. As dificuldades que a própria prática impõe.
E o terceiro é o emocional. É como lidar com as emoções. Que é aí onde na nossa organização entra a parte mais incisiva da luta.
Porque a gente não pode pegar um aluno e colocar ele pra lutar na primeira, segunda aula. O que, infelizmente, muitas artes marciais fazem. E aí eu não sei de onde aquela pessoa veio.
Eu não sei qual é a relação dela com esse tipo de prática. Eu não sei qual é a criação dela. Eu não sei se ela já teve alguma experiência traumática com isso na infância.
Eu coloco ela num cenário muito agressivo, nocivo, que ela vai ter um trauma. Então, eu preparo ela fisicamente, mentalmente pra ela acessar isso. Por quê? Quando a gente vai pra luta, a luta é a experimentação de como está o nosso instinto.
Porque vai acender ali processos primitivos. Eu estou lidando, quando estou num combate, automaticamente o meu processo de sobrevivência é ativado. Eu não quero ser acertado.
Eu não quero que nada de mal aconteça comigo. Mas como eu lido com isso? Eu lido com agressividade se eu for acertado. Eu lido com entendimento de que a falha às vezes está comigo, porque eu precisava estar mais atento naquele processo.
Então, quando eu consigo chegar num processo de combate dentro da escola, em que as pessoas vão lá, combatem, acertam um, acertam o outro, mas ninguém fica mexido com isso. Não existe um processo de rivalidade, de rixa, de querer descontar. Essa pessoa está com o emocional mais equilibrado.
E se ela está conseguindo fazer isso, o que dirá no trabalho quando um chefe ou um supervisor chega de uma forma mais incisiva? Será que ela vai ser reativa ou será que ela vai entender, dar um passo atrás, recuar, entender como se fosse uma luta? Espera aí, deixa eu fazer a abordagem de uma forma diferente. Deixa eu entender o que está acontecendo. Porque, na verdade, se a gente for sempre conflitar com tudo que nos é apresentado, tem hora que a gente vai ganhar e tem hora que a gente vai perder.
E o que a gente precisa é entender o porquê aquilo está acontecendo e transformar aquilo em uma coisa benéfica. Então a luta vai transformar, vai fazer isso. E a luta é o pilar emocional.
Onde a gente consegue lidar com as emoções. E eu vou carregar isso pra minha família, pra lidar com a minha esposa, pra lidar com a minha filha, pra lidar com uma situação difícil onde ela está doentinha, pra lidar com o trabalho, pra lidar com as pressões do dia a dia, várias frentes, as máscaras que a gente falou lá no começo, como eu lido com tudo isso. Isso é o lado emocional.
Mas eu só consigo acessá-lo passando pelos três. Até a gente chegar num processo mais avançado que é a parte interna, a parte espiritual, mas sem nenhum cunho religioso. A parte onde você vai entender realmente quem é a Letícia, o que é Letícia, qual o propósito da Letícia, o que ela veio fazer aqui, o que ela pode fazer pra ser realmente uma servidora, alguém que ajude as outras pessoas a melhorarem, pra ela se melhorar também.
Essa é a construção de uma pessoa que chegou lá pra perder peso, e a gente vai transformar ela numa artista marcial. E aí ela não sabe disso. Isso vai acontecendo ao longo do processo.
É o que o nosso mestre fala pra gente. Não, não interessa porque a pessoa chegou lá na escola. Ela pode querer.
Teve bullying na escola, o outro quer se defender, o outro é autoestima, melhor de autoestima. E pouco importa. Na verdade, a gente vai acolher a todos e vai ensinar que tem um caminho a ser trilhado, um caminho bom, um caminho legal, que vai trazer pra ele benefícios infinitos.
Mas precisa ter paciência, e precisa ter calma, e é um processo, como a gente comentou, é uma mudança de vida, uma mudança de olhar. Então não tem um objetivo. Ah, quando eu chegar aqui, já tá bom.
Não terminou. O processo não acaba. Porque a faixa preta, no nosso estilo, tem faixa preta, né? Na nossa arte marcial, mas a faixa preta não quer dizer muita coisa.
Faixa preta é um... você chegou num estágio, mas existem outros estágios após a preta, existem graus de conhecimento ainda. E meu próprio, exatamente. Então assim, é o tal, é o caminho, você tem que aproveitar o caminho, porque se você chega num objetivo e não tem mais nada depois daquilo, você vai querer fazer outra coisa.
E talvez você não aproveite o caminho, né? Como uma viagem onde você está muito ansioso pra chegar na casa de alguém, você não repara na paisagem. E aí na volta, quando você já sabe onde você vai chegar, que é a sua casa, você já conhece, talvez você preste mais atenção ao redor, veja que tem colinas bonitas, tem uma paisagem bonita, tem um pôr do sol bonito, que você nunca reparou, porque quando você ia, você sempre ia na ansiedade de chegar na casa da pessoa, né? Então o Kung Fu vai mostrar isso, exatamente isso, o processo, o caminho de aproveitar as coisas, maturar. E aí a gente aprende a valorizar pequenas coisas, como um copo d'água, como uma conversa, um aprendizado que você tem com uma pessoa que você nunca viu na sua vida, sabe? Tudo isso é Kung Fu, tudo isso é Kung Fu.
É aquele, né, calma, vai acontecer o que você quer, se você está plantando aquilo, uma hora vai chegar, mas tem que aproveitar realmente, uma vez eu também escutei isso de no trabalho, né? Que fala assim, você não pode ver como, acho que é essa a mensagem que você quer passar, você não pode ver como aquilo, aquela definição de trabalho mesmo, que tem até um significado se for procurar no Google, algo de sofrimento, algo difícil de você fazer todos os dias, assim, você mesmo, e uma coisa que você realmente aproveite o processo, acho que é basicamente isso, a definição, aproveitar o processo. Quando eu falo de Kung Fu, as pessoas podem achar que Kung Fu é só a parte de luta e tal, Tai Chi Chuan, por exemplo, também é Kung Fu, é a parte interna do Kung Fu. E existem hoje estudos, existe um livro de Harvard, de dois médicos, que eles fizeram um estudo sobre as práticas de Tai Chi, para melhora cardiovascular, para melhora de concentração, para melhora em processos de Alzheimer, e está tudo isso catalogado, e é uma prática que não é invasiva, que não requer habilidades extremas, mas é o que? Talvez seja o processo de voltar para casa, de estar em contato consigo mesmo, de ter um propósito, começar a entender que não precisa dessa pressa toda para várias coisas, a pessoa começa a desacelerar, e aí o corpo dela vai falando, também, porque todos esses processos que ela teve, foi um acumulado de coisas, e agora ela está desfazendo essas camadas, como se ela estivesse descascando uma cebola e voltando lá para o núcleo.
Então, Kung Fu, Tai Chi Chuan, meditação, a parte externa, a parte marcial também, Qigong também, que é um treinamento de respiração através de conhecimentos de medicina tradicional chinesa e tal. Então, tudo isso vai trazer benefício. Então, é meio, é difícil expressar em palavras, porque é um conhecimento tão antigo, é um conhecimento tão profundo, e a gente, pela pressa do mundo, acaba quase que perdendo essa oportunidade de ter contato com isso.
São pouquíssimas pessoas, se a gente for falar em termos mundiais, são pouquíssimas pessoas que praticam arte marcial tradicional no mundo. E todo mundo poderia fazer, porque tem benefício para todo mundo, e todo mundo é apto a fazer. Um cadeirante pode fazer arte marcial.
Uma pessoa que não tenha um membro, pode fazer arte marcial. Uma pessoa que tenha dificuldade visual ou completa deficiência visual, pode fazer Kung Fu. Uma pessoa que não fala, pode fazer Kung Fu.
Isso que eu ia te perguntar, você tem alguma, algum impedimento? Não tem. Nós temos alunos lá com com autismo, com autismo com níveis mais avançados, temos alunos com problemas cognitivos, criança, idoso, adultos. Hoje em dia, homens e mulheres é quase 50%, 50%.
Antigamente, o Kung Fu era bastante masculinizado. Hoje em dia, não. Hoje em dia, nós temos muitas professoras na nossa organização, muitas mestras na nossa organização, e isso é muito legal, porque na verdade é o equilíbrio, o equilíbrio do yin yang, o feminino e o masculino.
Isso levou o Kung Fu para outro nível. Yuri, como que é também uma aula, a gente está falando muito dos benefícios, mas na prática, como que é uma aula, e nem todo mundo que começa a praticar, de fato, um dia quer chegar a lutar, ou não? Isso é um caminho ali natural. Por exemplo, eu que nunca fiz, como que seria uma aula minha? O que eu vou fazer assim de uma aula? Então, no começo, na sua introdução na escola, na verdade, a gente vai mostrar elementos, e a gente vai estar muito focado na parte física, porque a gente precisa fazer uma avaliação de quem é essa pessoa que está chegando.
Porque depois o treinamento vai ser voltado em cima das suas qualidades e dos setores que você precisa desenvolver mais. Porque o ideal é que você cresça em equilíbrio. Então, a pessoa com muita velocidade e com pouca flexibilidade, a gente não vai estimular a velocidade dela mais.
A gente vai estimular o crescimento de flexibilidade para ela ter mais equilíbrio no corpo. Então, o seu treino seria voltado para a parte física. Você vai aprender a ter uma guarda, manter uma guarda, noções de distância de uma possível pessoa.
Você vai trabalhar chutes, socos. No Tai Chi, você vai trabalhar outras capacidades. Começa eu sozinha ou já é com essa interação com alguém? As primeiras aulas sempre são você com um instrutor dentro da nossa organização.
Com um instrutor ou uma instrutora. Até você também se sentir à vontade de estar no grupo. Por isso, a gente toma bastante cuidado, porque infelizmente a gente não tem noção de quem é aquela pessoa.
Então, a gente não sabe como ela lida com muitas pessoas ao redor. Se ela vai se sentir pressionada a ponto de travar, de não querer mais fazer aquilo. E a nossa vontade é que ela descubra como é que ela vai conseguir adentrar naquilo.
Então, você começa sozinha e depois você entra num grupo. Você vai desenvolvendo, as aulas começam com uma duração menor, depois aumentam. E na verdade, você falou da luta.
É muito interessante. Já tivemos alunos lá que chegaram e falaram assim, não, eu não quero lutar. E tudo bem, a gente entende e ele começa a treinar.
Porque se a gente falar pra ele assim, não, você vai lutar sim, porque aqui precisa lutar. Isso já cria o que? Ele já levanta a guarda e fala, ah, então eu não vou querer, não quero isso. A gente vai demonstrar pra ele no treinamento o porquê é importante ele desenvolver a luta.
Porque, na verdade, ele não quer lutar porque ele já tem uma parte mental ali que já está tolhando ele, né? Ele já está com preconceito, né? De tudo que ele já viu de luta, ele tem um preconceito. Ele já vem com uma ideia interiorizada. Então, a nossa função é desmistificar isso e mostrar pra ele que a luta tem um cunho muito mais de autoconhecimento do que propriamente de violência, né? E, no decorrer do percurso, ele vai entendendo, e esse aluno que chegou na primeira aula falando que não queria lutar, um dia está lutando.
Entendi. E entendendo a importância. Acaba sendo natural chegar na luta.
Exatamente. Exatamente. Por isso que a gente não coloca logo de cara, por isso que é um processo físico, mental, e até ele chegar naquele patamar, quando ele vê ele está lutando, eu falo assim, você lembra que você na primeira aula, eu tenho uma memória muito boa pra isso, você lembra que naquela primeira aula você falou que não queria lutar? É mesmo, professor.
Então, você acabou de fazer uma luta. Parabéns. É, e eu não senti nada.
Falei, é, tal. Então, é isso. É um processo, paulatinamente, a gente vai chegando nesse estágio.
Legal. Eu separei também aqui, Yuri, alguns mitos e verdades sobre esse assunto. É pra encerrar os nossos cinco últimos minutos aqui pra falar sobre temas, perguntas, na verdade, que as pessoas mais fazem sobre esse assunto.
Aquele famoso que a gente vai pesquisar no Google e aparece uma lista ali, os trend topics, né? Então, vamos lá. Você pode falar se é mito ou verdade e dar uma frase, assim, pra explicar, pra gente passar rapidinho aqui em todas as perguntas que chegaram pra gente. Kong Fu é o único estilo de vida? Não.
Tem vários. Não, não é o único estilo de vida. Existem várias artes, né? Tem o caminho do buchidô, tem o caminho das artes filipinas.
É, eu falei muito do kung fu, da China em geral, porque é o que eu tenho conhecimento empírico, né? Mas existem vários caminhos. Eu acho que todo o caminho trilhado com perseverança, com calma e aprendendo com boas fontes, bons professores, você vai ter um estilo de vida. Um bom estilo de vida.
Depende muito mais de você do que propriamente do que você está praticando. Mas não. É o meu estilo.
Isso eu posso dizer. É o meu estilo. Mas não é o único estilo.
Claro que não. Legal. Esse é engraçado.
Agora o próximo. Todo praticante de kung fu consegue quebrar tijolos com as mãos? Olha, eu não sei dizer se todos. É uma pergunta muito difícil.
Mas eu acho que é um processo que é quase que natural você chegar, porque você vai trabalhando na própria escola, você vai trabalhando o que a gente chama de calejamento. Você vai trabalhando para você ter um instrumento, porque um instrumento é um instrumento fortalecido. Mas não é com agressão.
Tem algumas práticas que são bastante invasivas. A pessoa fica toda marcada, toda roxa e tal. Sangrando.
Mas no kung fu isso não existe. É uma coisa bem lenta. Mas dá para você chegar nesses estágios.
Mas não é todo praticante de kung fu que vai chegar nisso. Porque também tem algumas pessoas que nem vão querer chegar nesse estágio. E a gente respeita.
Isso é mais uma forma de testar a força ou para uma apresentação testar onde a prática de kung fu pode chegar. Mas eu arrisco a dizer que qualquer pessoa que treine kung fu e queira fazer isso, ela consegue. Depende do treino, disciplina, o que a gente estava falando.
Mas dá para chegar. Dá para chegar sim. Ah, a busca no Google.
Com o que for ajuda no equilíbrio físico e mental. Demais. Físico, mental, emocional.
É uma tríade. Você precisa começar desde criança para ser bom em kung fu? Jamais. Você precisa começar.
Você só precisa começar. O nosso mestre costuma dizer que se você começar a fazer qualquer prática hoje, durante 10 segundos todos os dias, daqui 10 anos você tem acumulados 10 segundos por dia, todos os dias. Se você não começar você não tem nada.
É verdade. Mesmo que você comece com 60, 70 anos você vai ter 2, 3, 4 anos de experiência, 5, 6 anos contra outra pessoa que nunca teve nada, porque achou que estava velho demais, ou achou que era inapto, ou acha ah, eu não tenho coordenação motora. Tudo isso é desenvolvido.
É um treino. Sim. Kung fu não é eficaz em combate real? Não é eficaz.
É muito eficaz. Demais, absurdamente. Esse é um dos motivos de a parte desportiva do kung fu não trabalhar todas as capacidades do kung fu em luta.
Por exemplo, a parte desportiva de luta do kung fu, você tem luvas de boxe. Você não vai ter a mão aberta, que a gente usa a mão aberta. Você vai ter isso dentro da escola.
Nós lutamos com luva com mão aberta, mas isso não é um desporto. Por quê? Porque os golpes eram voltados para a guerra. Então, eu não tenho golpes para a pontuação.
Eu tenho golpes para a aniquilação do adversário. Então, vou visar o olho, garganta, vou visar baixo ventre, vou visar tímpano. Então, como é que eu vou fazer um desporto em que eu vou acertar o olho do meu adversário? Ou vou golpear a traqueia dele? Todo mundo ia sair muito machucado desse desporto.
Ninguém ia querer praticar. Por isso que, na verdade, ele é muito eficaz para combate. Exatamente porque ele é usado para isso.
Ele foi gerado para isso. Existem estilos de kung fu que imitam animais? Sim. Na verdade, o kung fu é uma arte marcial inspirada na natureza e nos animais.
É muito sábio inclusive, esse ponto de vista. Por quê? Os animais vivem no instinto de ser ou a caça ou o caçador numa cadeia alimentar. Então, como aquele animal se defende do seu predador e como ele faz para ser o predador da caça dele? Então, a visão antiga de pessoas que estavam muito ligadas nesse movimento dos animais fez com que eles importassem determinados movimentos e formas de pensar e formas de abordagem desses animais para o humano.
Então, existem estilos com carro de tigre, com pantera, com serpente, com garça e assim vai. Já está ligado também a próxima pergunta que eu separei aqui que é se tem armas tradicionais. Sim, inclui.
E as armas foram incluídas através da necessidade quando eles iam em combate. E as armas são todas inspiradas em instrumentos agrícolas porque eles eram, na maioria das vezes, agricultores. Então, tem armas que simulam um rastelo, uma pá.
O bastão é isso. O bastão, originalmente, era um galho de árvore que se tornou uma arma depois. Então, as armas tradicionais são todas inspiradas em coisas bem rústicas, bem arcaicas.
Não tem nenhuma arma muito... a não ser os mais pra frente facões e espadas que já eram feitos por ferreiros e tal, mas originalmente as armas mais antigas, elas são bem rústicas. Legal. Agora o último, Yuri.
Treinar Kung Fu pode aumentar a longevidade? Absurdamente. Dentro do Kung Fu existem práticas, existem exercícios que eram inspirados originalmente exatamente só para longevidade. Então, exercícios de oito movimentos para longevidade, de dezoito movimentos para longevidade e suas ramificações são voltados exatamente para isso.
Não são nem marciais. Eles estão inseridos no Kung Fu, mas não são nem para a prática da luta. São para estabilidade física, para controle dos processos fisiológicos e para ter muita vida.
Tanto é que a busca dos antigos chineses era ter muita vida. Eles sempre buscaram isso, de ter uma vida muito longa, muito longa, muito longa. Quem conseguia chegar nisso, eles tinham a concepção de que era mais sábio.
Quem tinha uma vida longa conseguiu entender o processo da vida e por isso ficou mais tempo vivendo, porque quem não entendia ia embora mais cedo. Essa era a ideia deles. Então, com certeza, o Kung Fu é para trazer longevidade, sim.
Muito legal, Yuri. Quero agradecer a sua participação aqui no Amateur Cash. Foi um papo realmente muito interessante.
Eu aprendi demais aqui conversando com você. Tenho certeza que quem acompanhou até agora já quer também saber um pouco mais. Se alguém ficou com alguma dúvida, pode mandar aqui nos comentários e eu vou pedir para você passar nas suas redes sociais o que você preferir para o pessoal te encontrar se quiser já estiver se interessando aqui pela prática ou enfim, qualquer outra dúvida que tiver, como que o pessoal pode te encontrar? Bom, se você estiver interessado em Kung Fu, você pode me achar no Núcleo de Kung Fu Shaolin, no Instagram da escola arroba Núcleo Shaolin e também no meu Instagram, yurichesman com dois n's no final e eu estarei aberto para ajudar e para vocês descobrirem que o Kung Fu pode ser uma fonte de longevidade e qualidade de vida absurda.
Vou deixar aqui nos comentários também todos os links para o pessoal achar mais fácil, mas foi importante você destacar. Muito obrigada pela sua participação. Yurichesman aqui com a gente a gente também, como eu citei, vai deixar todos os links para caso você tenha alguma dúvida pode comentar no nosso vídeo, quem sabe a gente traz de novo aqui o Yuri para conversar com a gente mas vocês podem mandar as dúvidas também diretamente nas redes sociais nos meios de contato que ele passou aqui no Amatocast.
Antes da gente finalizar, eu também quero agradecer o nosso patrocínio aqui do Amatocast, que é do Laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa o foco da origem é qualidade de vida e prevenção. Não deixe de curtir, comentar e compartilhar o nosso vídeo para que a gente continue trazendo especialistas aqui, como Yuri, para conversar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Muito obrigada pela sua participação e até a próxima!
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.