O episódio aborda o lipedema, uma doença ainda pouco conhecida, com foco em sua natureza inflamatória. O Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular, explica que o
Aproveite para deixar um comentário nesse vídeo e trazer perguntas sobre o assunto. Boa tarde, Dr. Alexandre.
Acho que é uma pergunta interessante, acho que é uma pergunta legal de fazer para todo mundo que trata o lipedema, porque as visões podem ser um pouco diferentes. Aliás, o tema desse amato cash é lipedema, um outro olhar.
Então, vamos lá. As pessoas podem acreditar que o lipedema seja só a doença de gordura nas pernas, mas está muito longe disso. A deposição da gordura nas pernas é uma consequência de vários outros fatores.
E eu geralmente acho algo importante que a gente falar no começo. Boa tarde.
O seed é o Código Internacional de Doenças. E tem vários códigos que são mais genéricos. Então, por exemplo, se você tem uma apendicite, mas você não tem certeza que tem apendicite e tem a dor abdominal, você não precisa usar o código de apendicite.
e emissão. Olá, boa tarde a todos. Eu sou o Dr. Fernando Amato, cirurgião plástico aqui do Instituto Amato. Sejam bem-vindos ao nosso quinto episódio do Amato Cash, um programa ao vivo do nosso canal do YouTube. E o objetivo desse Amato Cash é trazer pessoas de relevância, sejam amigos, famosos ou celebridades, e até mesmo, no nosso caso, família, com assuntos importantes, principalmente voltados à saúde, focando na qualidade de vida e bem-estar. Então, hoje, apesar do clima de festa junina, com a minha camisa xadrez, o tema ainda é lipedema, mantendo a programação do Junho Roxo, um mês de conscientização do lipedema. E como convidado, nós temos o Dr. Alexandre Amato, médico, cirurgião vascular, também um grande estudioso sobre o tema. E aqui, no nosso canal, temos vários vídeos dele explorando esse assunto. Você já viu, já gostou? Aproveite para deixar um comentário nesse vídeo e trazer perguntas sobre o assunto. Boa tarde, Dr. Alexandre. Antes de tudo, gostaria de saber, gostaria que você se apresentasse, tem pessoas que podem não te conhecer, mas eu gostaria que você começasse esse vídeo falando sobre esse assunto, o que o fez se interessar pelo assunto, pelo lipedema. Em primeiro lugar, obrigado pelo convite Fernando, para quem não sabe, o Fernando é meu irmão. E agradeço a disposição de estar fazendo aqui o AmatoCast e o convite e a oportunidade de falar aqui no Junho Lipedema. O Junho Lipedema, que é o mês que a gente se dedica a falar bastante, divulgar essa doença que ainda é desconhecida por muitos médicos, e ainda é desconhecida pela população em geral. E o lipedema é um assunto que eu adoro, e especialmente no mês de junho, eu coloco todos os meus vídeos, todo o foco nesse assunto. A gente já fala dele há bastante tempo, então, eu tenho uma playlist aqui no canal caso alguém queira assistir. E para quem não me conhece, eu sou cirurgião vascular, eu ato no lipedema já desde 2015 por aí, e eu tenho estudado, publicado, falado bastante sobre o assunto lá atrás, quando comecei, ninguém falava sobre isso, muitos falaram que eu era louco, e agora eu fico feliz de ver que tem muita gente se interessando pelo assunto. Agora, o porquê que eu me interessei pelo assunto é difícil resgatar isso, porque foi uma confluência de vários fatores, desde casos de varizes que a gente operava e via um resultado que não era tão perfeito quanto eu queria, e eu não tinha uma explicação tão boa, afinal, tudo tinha sido feito de forma perfeita, e caramba, porque uma dava extremamente certo, e a outra não, continuava com os sintomas, e hoje para mim é tão claro que os sintomas não estavam vindo das varizes e sim do lipedema. E com o tempo eu fui vendo que é extremamente frequente no consultório do cirurgião vascular, e isso me despertou o interesse, talvez por querer fazer a diferença de alguma forma para essas pacientes. Então, já que você já explicou a sua jornada, o que é o lipedema? Acho que é uma pergunta interessante, acho que é uma pergunta legal de fazer para todo mundo que trata o lipedema, porque as visões podem ser um pouco diferentes. Aliás, o tema desse amato cash é lipedema, um outro olhar. E é exatamente isso, porque eu vejo que às vezes a gente vê interpretações diferentes, e no caso do lipedema, como é uma doença que está sendo redescoberta, eu vejo que pode ter alguns detalhes diferentes de um olhar de um médico para outro. Então, Doutor Alexandre, o que é o lipedema? Quais são as suas causas? Então, vamos lá. As pessoas podem acreditar que o lipedema seja só a doença de gordura nas pernas, mas está muito longe disso. A deposição da gordura nas pernas é uma consequência de vários outros fatores. Então, a gente minimizar ou simplificar o problema como sendo a gordura, pode parecer que o fato de tirar a gordura resolveria o problema e estar muito longe disso. Do ponto de vista de aparência, o que a gente vê como sinal, o sintoma, é a gordura, a gordura que deposita em membros inferiores de forma simétrica, ou seja, o lado esquerdo é igual ao lado direito. Só que tem uma desproporção da parte de cima do corpo com a parte de baixo. Então, as mulheres costumam reclamar que usam um número para a roupa em cima e outro número para a roupa em baixo. Muitas vezes tem que fazer algum ajuste ou não conseguem usar botas, mas também tem a dor, a sensibilidade dolorosa. Então, toda aquela inflamação que vem junto com o lipedema traz essa sensação de peso, cansaço roxo na perna, que às vezes não consegue explicar de onde está vindo. Ah, mas tudo isso é por causa da gordura. Longe disso, a gordura está só reagindo a toda a inflamação sistêmica. Quando a gente tira uma gordura dessa, a inflamação continua lá. Então, o problema é a gordura, não, o problema é a inflamação, que é a doença do século. Ótimo. Já estou aproveitando aqui, estou lendo as perguntas. Quem tiver dúvida, coloque. Eu abri uma caixa de pergunta no meu Instagram, o pessoal ficou tímido e não mandou pergunta. Mas eu estou vendo aqui no chat, já tem uma pergunta muito interessante, né? E eu geralmente acho algo importante que a gente falar no começo. Boa tarde. O lipedema é reconhecido como doença pela ANS? Tem seed? Ah, esse é um assunto legal, né? Porque o seed, vamos explicar como é que funciona o seed, né? O seed é o Código Internacional de Doenças. E tem vários códigos que são mais genéricos. Então, por exemplo, se você tem uma apendicite, mas você não tem certeza que tem apendicite e tem a dor abdominal, você não precisa usar o código de apendicite. Você pode colocar o código de dor abdominal, um R10, e está lá, classificado na doença. Então, pensando assim, o lipedema sempre teve algum código em que ele poderia entrar, como dor nas pernas, como deposição localizada de gordura, e tem vários outros códigos que poderiam ser utilizados também. Agora, a pergunta que faz é, se está reconhecido como doença, tem que ser liberado o tratamento cirúrgico. No final, quem está perguntando isso, está perguntando se o convênio vai liberar. Então, falando aqui do áudio, o seu áudio está um pouquinho baixo. Eu aumentei aqui e você precisa vir falar um pouquinho mais perto. Ok. Então, o que é muito importante para isso é se o procedimento está cadastrado no rol da ANS. E isso independe se tem código ou não. Se a agência de saúde colocou o procedimento como um procedimento que os convênios têm que cobrir, que o SUS têm que cobrir, aí sim, é muito fácil conseguir a liberação. E não é a presença ou ausência do código que vai ajudar nisso. Obviamente, um seed próprio para o lipedema, que foi o que criaram recentemente, pode ajudar numa argumentação perante um juiz, falar assim, que essa doença está aqui e está escrito na literatura que precisa operar. Então, eu vou pedir uma autorização para o juiz. Facilitem um argumento a mais, mas está longe de ser uma autorização retilínea para o procedimento. É importante falar que pela OMS é reconhecido como doença. A gente usa no Brasil o seed 10, já tem um seed 11, e nele tem a doença lipedema. Então, também, na verdade, o reconhecimento como doença já existe. Lá no seed 9 tinha já a deposição localizada que poderia ser utilizada. Aí tem outra pessoa falando sobre o que ficou feliz de te ver ao vivo, e que vê todos os tipos de lipedema, nunca viu, falando sobre a barriga. E que ela acredita que possa ter, e fala que tem tipo 3 e 4. Vou até aproveitar, porque eu coloquei uma animação aqui com a classificação. Você pode aproveitar esse gancho e a gente fala um pouquinho dos estágios, os estágios do lipedema e a possibilidade ou não de existir em outras áreas do corpo. Então, vamos lá. A classificação de estágios, a classificação evolutiva, tem que tomar muito cuidado com essa classificação. Ela serve para a gente entender a doença. Só que quem olha essa imagem, fala assim, Puxa, se eu estou no estágio inicial, eu tenho que arrancar essa gordura da minha perna aqui, porque é óbvio que eu vou chegar no estágio final. E, está longe disso, o estágio final, que é o lipolinfedema, o estágio 4, onde tem o lipedema associado ao lipedema, ele é raro na população. O estágio inicial é muito mais frequente. Quem está no estágio 4 passou pelos estágios anteriores, mas não quer dizer que todo mundo que está no estágio 1 que vai chegar no estágio final. E essa classificação, ela pega somente os membros inferiores. Agora, se existe o lipedema em abdômen, sim, existe. Não é tão frequente quanto as pessoas imaginam. Na região pubiana também, não é? Também existe. O Fernando está me entrevistando aqui, mas ele também é especialista em lipedema. A gente opera junto o lipedema já há muito tempo. O áudio aqui falou que já agradeceram que melhorou bastante. Ótimo. Então, se tiver algum outro ponto do áudio de imagem, a gente está tentando melhorar. É um desafio aqui, mas é tudo para a gente conseguir fazer essa live, ter uma certa cadência, uma rotina. Para quem não é inscrito no nosso canal, é importante se inscrever no canal. Compartilhar com quem pode se interessar sobre assuntos sobre o lipedema. Quem tiver dúvida, aproveita para perguntar. Se quiser comentar sobre algum outro vídeo que a gente tem no canal, aqui é um bom momento, a gente acaba lendo e relendo depois. Então, não deixe de fazer o comentário. O doutor Alexandre passa boa parte do tempo dele, respondendo os comentários nos vídeos dele. Talvez sejam os vídeos que mais tenham respostas. Então, a gente se esforça no canal. A gente não terceiriza nossos serviços. Então, isso que às vezes torna mais humano o nosso canal e a ideia é essa. Então, um pouquinho mais de a gente focar no bem-estar das pessoas e não deixar algo tão automatizado. Não esquecer do paciente. Às vezes pode parecer um pouquinho amador, mas é porque a gente faz com carinho. A gente faz algumas coisas. Às vezes o áudio está ruim, porque a gente quer ter certeza que o que a gente está fazendo vai ficar bom. Às vezes fica ruim e o comentário de vocês que ficou ruim nos faz melhorar. Muitas vezes a gente já teve experiências de terceirizar alguns serviços e o negócio de desandar e a gente perdeu o controle. Então, a gente vai terceirizando no momento certo. Bom, voltando ao tema do Lipedema, um outro olhar. Uma outra pergunta que eu deixei separado aqui, eu acho ótimo ela. Muitas mulheres se sentem às vezes porque o que acontece com a gente? E os homens quase tão livres dessa doença. Mas a pergunta é, acomete homens? Quando que acomete homens? Como que identificaram? Ok. Sim, se a resposta fosse rápida, pode acometer homens, mas é extremamente raro. Como eu atendo o Lipedema do Brasil inteiro, acabo drenando o paciente do Brasil inteiro, eu tenho uma incidência um pouquinho maior aqui no consultório. Mas é extremamente raro. Normalmente se o homem está achando que tem Lipedema, é melhor afastar outras causas de perna enxada, de gordura nas pernas, antes de pensar no Lipedema. Mas que é possível é, quando acontece, tem alguma outra comorbidade associada, que pode ser alguma questão hormonal, que pode ser alguma questão inflamatória, que pode ser alguma doença hepática, alguma coisa de receptor de estrógeno, alguma coisa está acontecendo, porque não é para acontecer. É, doenças hormonais, doenças que envolvem os hormônios e que o homem não tem estrogênio e que tem um desbalance hormonal, por exemplo, um desbalance hormonal que, a obesidade às vezes é um desbalance hormonal por conta da aromatase, que converte a testosterona em estrogênio. Mas não basta isso para ter o Lipedema. Tem que ter uma cascata de eventos. Tem uma cascata de eventos e tem uma intensidade muito maior nesses hormônios. E aí, tem uma pergunta muito interessante, que o Lipedema é tão perigoso quanto a trombose? Puxa, que pergunta legal, nunca ninguém me perguntou isso. Então, vamos falar da trombose, que aí fica fácil colocar na balança. A trombose é quando forma um coágulo, o sangue forma como se fosse uma rulha, com o intuito de fechar algum trauma na parede do vaso, alguma coisa assim. E esse coágulo, se acontece numa veia do sistema venoso profundo, ela pode acabar se desprendendo, aí ele muda de nome, ele passa a se chamar embolo e aí ele vai parar no pulmão e vira uma embolia pulmonar, que é catastrófica e pode levar ao óbito. O Lipedema, por outro lado, eu não vejo nenhuma situação em que levaria ao óbito ou até mesmo a uma amputação. Então, eu não coloco no mesmo nível de gravidade. A trombose venosa profunda é muito mais grave do que o Lipedema. A trombose é um dos três maiores complicações que um cirurgião pode ter, que eu vejo são os três que podem levar ao óbito. Está entre as principais causas de morte em hospital. Muita gente que morre e não sabe por que morreu, se vai fazer uma autópsia, descobre uma embolia pulmonar. A gente fala, muitas vezes eles podem ir ao óbito por trombose, por sangramento e por infecção. E esses são os três itens que a gente sempre fica com medo, que realmente eles têm o risco de auto, de morte e infecção, e quando a gente fala de infecção grave com sepsis, então às vezes é uma infecção simples e isso a gente trata. E o sangramento também, um cirurgião, um sangramento importante, também pode causar uma anemia profunda. Eu queria falar uma coisa também, que a forma que eu vejo o Lipedema hoje é como uma resposta do corpo à inflamação. É a tentativa do corpo da mulher de se proteger da inflamação, enquanto a trombose é por si só uma coisa que pode, e que também é uma resposta, tenho machucado, um trauma, tenho que fechar uma rola para não ficar sangrando, só que o Lipedema está lá, enquanto está o Lipedema, ele está absorvendo aí, protegendo da inflamação. E também a trombose está relacionada a um processo inflamatório também intenso, uma cirurgia muito grande, tem uma resposta inflamatória muito intensa e é um risco maior também para desenvolvimento de trombose. Outra pergunta, olha, tem perguntas legais, essa é ótima também, o Lipedema é genético? É agravado por hábitos? Sim, o Lipedema é genético, mas ele, vamos lá, as doenças causadas por um gene só são doenças raras, quando tem muita gente na população com a doença, ela não pode ser causada por um gene só. Então, a gente já fez um trabalho de pesquisa da prevalência do Lipedema no Brasil, isso dá 12,3% das mulheres adultas, dá 12 milhões de mulheres portando o Lipedema, e de acordo com as outras estatísticas, então você tem outros trabalhos que mostram de 10% a 17%, então tem trabalhos que chegam até 17%, ou seja, é mais que 10% da população feminina. Exato, é ocidental, por exemplo, no Japão eles não sabem tratar Lipedema porque não tem Lipedema no Japão, então essa é uma característica da população, e também uma característica genética, que também pode estar relacionado ao hábito. Exato, então são vários genes associados, e que tem o gatilho do hábito, o gatilho inflamatório, e ainda mais a epigenética, que vai ligar e desligar os genes bons e ruins do corpo, então você consegue sim modular sua resposta inflamatória com os hábitos de vida. Ótimo, aí aproveitando a discussão que a gente está tendo, e eu aproveito para falar que ontem são uma matéria da Folha de São Paulo, quem não é de São Paulo, é um jornal de boa relevância em São Paulo, sobre o Lipedema, achei super interessante, consegui participar, fiz uma contribuição, foi esclarecedor, acho que é importante, principalmente porque valoriza essa conscientização da doença. Mas tem três pontos lá que eles falaram, não foi o que eu falei, foi o que o outro profissional falou, e que eu discordo, e eu queria saber a sua opinião. Um momento, eu vou falar os três e depois você pode responder. Em um momento cita a doença como uma doença crônica progressiva. Eu não vejo como progressivo, mas eu queria saber o que você acha. O outro ponto que diz que a cirurgia é a única maneira de remover a gordura, ou seja, a única maneira de remover a gordura é pela cirurgia, e que a reincidência após a cirurgia é incomum. Então, eu queria que você falasse para o nosso público sobre esses três pontos. Muito obrigado. Então, vamos lá. A doença é progressiva enquanto houver inflamação. Então, como a deposição de gordura é uma resposta do corpo à inflamação, o corpo inflama e vai depositar mais gordura. Se a gente tira a inflamação, para de depositar gordura e passa a ser como uma pessoa normal sem lipedema. Então, a história normal de quem tem é cíclica. Então, você tem períodos da vida com mais inflamação, períodos com menos inflamação, e nesses períodos com mais inflamação ocorre uma maior deposição de gordura, e quando está controlada a inflamação, não tem uma deposição diferenciada do restante da população. Então, é uma progressão cíclica e dependente de outro fator, que eu vejo como sendo a doença principal, que é a inflamação. Agora, quem vai progredir? Ah, mas eu conheço gente que progrediu continuamente. Sim, são pessoas que entraram numa crise inflamatória e ficaram inflamando a vida toda, e essas vão sim progredir rapidamente. Então, você tem que controlar a causa, que é a inflamação. Agora, com relação à retirada da gordura, para e que não tem recidiva. Isso. Então, quando retira a gordura... Que é a única maneira de retirar a gordura, é doente, é cirurgia, e que não tem recidiva. Então, na hora que você tira a inflamação, a gordura serve como o acúmulo de energia. Você tirou a inflamação, o corpo não está mais naquela situação de guerra, de fuga ou luta. O corpo não está mais preparado para hibernanar, nada disso. Não precisa mais acumular a gordura, o corpo vai liberar essa energia acumulada no lipidema. Só que tem que estar desenflamado, senão não vai conseguir isso. Então, por isso que as mulheres que têm lipedema falam, ah, eu tentei dieta, tentei exercício físico e não consegui perder a gordura das pernas. Sim, porque estava inflamada, o corpo estava em situação de crise, lá falando, tomei preparando aqui para a guerra, vou armazenar energia, não vou liberar essa energia por qualquer razão, não. Então, na hora que você desenflama, a dieta correta, o tratamento correto, faz sim o corpo perder gordura como perderia normalmente uma gordura abdominal de um obeso. Então, é assim possível. Agora, com relação à recidiva, a completa desconhecimento da fisiopatologia da doença. Se você tira a gordura, você simplesmente tirou o alvo da inflamação. A inflamação não vai aparecer mais naquele local e ela vai aparecer em todos os outros órgãos e com sintomas diferentes. Se você não trata essa inflamação, ela pode aparecer como várias doenças crônicas de origem inflamatória, desde obesidade, diabetes, aterosclerose, Alzheimer, câncer, tudo isso. Agora, se você mantém a inflamação, ela pode voltar como gordura na perna, pode principalmente se não foi retirado tudo. E aí vem o limite do que é possível ser retirado na cirurgia, porque se você tem o limite, que é 7% do peso corporal, para fazer uma cirurgia segura, você só pode tirar esse 7% e vai sobrar um pouquinho ali, mantendo a inflamação, ela vai voltar. Eu tenho um paciente que já chegou comigo com seis cirurgias prévias de lipedema. E aí ela chegou para mim e falou, olha, eu queria operar mais uma vez. Eu falei, não, você vai fazer o tratamento conservador, porque se eu te operar a sétima vez, vai ter oitava, vai ter nona, vai ter a décima. A gente ganha e o paciente perde. Acho que tem que ser uma situação em que os dois ganham, né? Exato, tem que ser bom, tem que ser saudável, tem que ser algo que seja sustentável para o resto da vida. É, tem um... Nossa, tem muita pergunta legal. Agora eu fiquei até meio... Vai ter que começar a escolher. Não, não vou escolher, vamos responder todas. A gente vai só focar algumas, porque... Tá. Eu acho que é importante falar da recidiva e a gente aprendeu muito com a pandemia. Os pacientes que foram bem perderam a indicação clínica, a indicação cirúrgica. A cirurgia meio que acabou virando como uma questão mais estética e a paciente melhorou. E por um outro lado, as pacientes que desandaram, recidivaram em outros lugares que elas não tinham, não tinham queixa. Então a paciente começou a apresentar no anti-braço. Você viu que a paciente, aí você vê uma salsichinha, começava o braço, parecia uma salsicha, porque tinha um garrotezinho na mão. Então a gente... Poxa, mas a paciente já tinha operado, estava ótimo, estava evoluindo super bem. Então a gente viu esses dois lados. E pegando esse gancho, e que tem pergunta aqui, falando quando é indicado o tratamento conservador, o que é o tratamento conservador e quando que o paciente deve ou deveria fazer a cirurgia. Ok, então... Eu vou inverter um pouquinho a resposta, mas vou responder tudo isso. Eu vejo a cirurgia como a única indicação mesmo de cara, assim, se o lipedema estiver atrapalhando mobilidade e atrapalhando exercício físico, atrapalhando a mudança de hábito de vida. Caso contrário, tem sempre que começar pelo conservador. O conservador envolve vários aspectos, entre eles, dieta, exercício físico, mas o foco principal, isso aqui ajuda, né, dieta, exercício físico ajuda, mas o foco principal é descobrir o que está inflamando e tirar isso da sua vida. E se não fizer isso e operar, vai pedir a próxima cirurgia e depois mais uma e não vai ter fim. E cada vez vai ficar mais difícil descobrir o que está inflamando, porque o lipedema funciona como um aviso do corpo de que tem algo de errado. Eu não tenho lipedema, você não tem lipedema, você inflama, eu inflamo, e a gente não sabe quando está inflamado. Talvez não seja a gordura que esteja doente, é o paciente, né? Exato. Às vezes você começa a tratar a gordura e você esquece o paciente, o paciente continua tendo problema, continua tendo gatilho, não descobriu o gatilho, não sabe o que causa a doença, precisa de um autoconhecimento, então a paciente precisa participar disso, ela precisa identificar toda a rotina dela, toda a alimentação, todos os hábitos que... São pacientes que têm vários problemas acontecendo ao mesmo tempo, é hábito intestinal que não está legal, é a dieta que não está legal, é o estresse que está estourado, é o sono, é o ritmo circadiano que não está funcionando, e aí coloca como prioridade máxima fazer uma cirurgia que não vai resolver nada disso e pior, vai piorar tudo isso, então tem que ser com muita calma. Eu vejo também uma certa ansiedade muito grande e o ímpeto, a vontade de fazer, descobrir o problema, vou marcar para ontem a cirurgia porque é a solução. Em primeiro lugar ela carrega esse gene desde que ela nasceu, porque é essa pressa, eu sei porque é a pressa e a gente publicou aqui na clínica, o primeiro trabalho que mostra com relação da inflamação do lipidema com o TDAH que aumenta essa impulsividade, mas a gente tem que tratar o paciente como conjunto, não posso resumir o paciente num bloco de gordura e falar, o tiro essa gordura e resolveu. Tem algum exame para identificar o lipidema? Tem, também publicação nossa, é o ultrassom com a medida de panícola de pouso. E exame de sangue? Tiveram algumas tentativas, incluindo o fator 4 plaquetário que se mostrou super sensível nos Estados Unidos, só que o público dos Estados Unidos é diferente do nosso. Então acredito que lá eles estavam identificando mais obesidade com esse fator 4 plaquetário do que o lipidema em si, porque isso não se provou real aqui no Brasil e a gente tentou. O que você acha do carnavidió? Você acha que ele tem alguma aplicabilidade no tratamento do lipidema? Olha, o carnavidió ele ajuda, ele não resolve a inflamação, mas ele pode melhorar a sintomatologia. Eu não gosto de usar principalmente de cara no início, porque acaba mascarando a inflamação, eu tenho que resolver a inflamação. Só que em alguns casos, e são raros esses casos, que a gente tem uma dificuldade maior para identificar o gatilho, ele pode ser útil. Agora eu vejo que são mulheres sofridas, que já passaram por muito problema na vida, muitos médicos e com vários problemas arrastados e ninguém consegue ajudar, e aí encontra no carnavidió um alívio para os seus sintomas. Então eu não descarto de cara, e isso como uma possibilidade. O uso excessivo de cortisona, pode desencadear o lipedema? Com certeza, a corticórdia faz muito mal para quem tem lipedema. Só que assim, o corticórdia é um excelente medicamento no geral, então eu queria falar que... Ele é um feijão com arroz, ele funciona muito bem para tudo. Não sabe o que tem, tomamente cortei. É a saída fácil, muitas vezes tem uma alternativa melhor, mas o corticórdia para quem não tem lipidema é uma saída fácil. Para quem tem lipidema, a minha mensagem é evite ao máximo, mas se for questão de vida ou morte, eu não vou discutir não. Não conta para endócnico que você tomou. Quais são os riscos de engravidar com o lipidema? Nenhum, eu já peguei paciente. Aliás, o paciente que tem... Aliás, veio uma paciente com essa, veio para mim que queria operar, porque ela queria engravidar... Não, pelo contrário, engravidar... É, toque sua vida. E depois você faça o lipidema, mas... Dá para resolver tudo. Eu já peguei uma paciente que veio chorando aqui quando eu falei que podia engravidar, porque o outro médico falou que por causa do lipidema era proibido engravidar. E o sonho da vida dela era uma gestação. Pelo amor de Deus, engravidar, a gente resolve tudo depois. É tranquilo, não é isso que o pessoal está colocando na mídia que tem que operar. Mas aí, se eu engravidar, vou ter que fazer, não sei quantas cirurgias... Não, longe disso. Tenha seu filho, siga sua vida. Eu já tive caso e também isso é curioso, né? Quando me perguntam se toda gestação vai piorar o lipidema, não, eu tenho o caso de paciente que falou que durante a gestação o lipidema estacionou. Então, é aqui um negócio, né? São vários genes, uma diferente da outra. Tem paciente que piora, às vezes também por causa do ganho de peso, né? Da alimentação. Da alimentação, muda muito durante a gestação. Aliás, tem dois grandes fatores de risco aí do lipidema, né? E que acabam confundindo o diagnóstico, mas podem estar associados. Um seria a obesidade, né? A obesidade, eu acho que... Você separar a obesidade do lipidema é muito importante, não é? Você separar os dois. Porque pode ter os dois juntos. Se você não tratar a obesidade, você não vai tratar o lipidema. E muitas vezes se você tratar a obesidade, talvez não seja suficiente para tratar o lipidema. Por quê? Tem pacientes que, às vezes, fazem cirurgia bariátrica e acaba não tratando o lipidema. Porque não resolveu o problema da alimentação, dos hábitos. O paciente continua sendo o mesmo e pode ter fatores desencadeantes. Nesse caso, às vezes, a história do paciente é... Eu já fiz dieta, exercício físico, nunca consegui perder volume nas pernas. Aí, um dia larga a mão e aí fala... Eu gosto de comer, não gosto de fazer exercício. Aí, vem a obesidade em cima do lipidema. Aí, ficam os dois problemas. Mas a questão é... Antes, ela não conseguia perder a gordura nas pernas porque ela estava inflamada. Então, ela já tinha um gatilho inflamatório. Aí, depois, ela adquiriu outro, que é a própria obesidade. A própria obesidade também é um gatilho inflamatório. E o outro fator, na verdade, é assim. O lipidema é fator de risco para o limpedema. Sim. Que é o estágio mais avançado do lipidema. É o limpedema. Limpedema. Estágio 4. E aí, eu queria pegar esse gancho porque tem uma pergunta muito comum. Acho que simples, né? O doutor, o lipidema é o mesmo que elefantiasi. Acho que é assim que pronuncia. Então, lembrando o que é elefantiasi. Elefantiasi. Ela é um lipedema. Ou seja, é um dano no vaso linfático. Ela sempre vai ser assimétrico. Então, vai ser uma perna bem maior do que a outra. Não é um pouco maior. É assim, muito maior. E é um lipedema. O lipedema pode ocorrer por várias razões. Então, quando é secundário, pode ser secundo, há uma erisipela, pode ser secundário, há um trauma. Pode ser secundário. Há uma cirurgia. Há uma cirurgia. Agora, a elefantiasi é especificamente quando acontece por causa de uma única causa, que é a filariose. Então, é uma doença que no Brasil está quase radicada no Nordeste, ainda tem alguns pontos em que a gente pode encontrar a filária. E é interessante que não tem nenhum exame que a gente faça para ver que é a filária. Então, é aí a história de como, onde o paciente morou, o que... É importante, né? Muitas vezes as pessoas acabam chamando o lipedema de elefantiasi, mas elefantiasi é um tipo de lipedema. Lembrando que o lipedema pode evoluir para um lipedema, só que o lipedema, geralmente, quando aparece, não tem nada a ver com o lipedema, ele é assimétrico. Ou seja, comete uma perna só e não as duas, ou um braço só. Não sei se seja primário, que é uma doença genética, tem a doença de Millery, mas aí é uma questão familiar e muito raro, muito raro. E outra coisa que perguntaram aqui, é se os membros superiores, braços, podem ser atacados por lipedema. A gente já falou aqui, né? O braço e o anti-braço podem, sim, ser acometidos, assim como as pernas, coxas, colo, glúteo e até mesmo o abdômen. É isso aí. Tem mais pergunta? Vamos falar um pouquinho de história do lipedema no Brasil. O que você achou quando eu falei que eu ia aprender a fazer cirurgia de lipedema na Alemanha? Eu, história. Eu ia falar a história quando começou, 1940, tudo. Aí, Alexandre, eu não posso falar o que eu achei, o que eu falei, porque a gente é irmão e a gente tem um certo carinho, vocês podem reparar que ele tem, aparentemente, uns 10, 20 anos a mais do que eu, mas são só 5 anos, então a gente não pode ir nesse caminho. Mas o que que... Não, eu vou falar pessoal, ele falou, você é louco, você não vai fazer isso, não sei o que. Aí, quando eu voltei da Alemanha, marquei a cirurgia, ele apareceu para ajudar. Então, foi o primeiro a acreditar. Tem uma pergunta aqui, aproveitando esse gancho, e aí seria aqui médico procurar. E outra pergunta, esse tipo de lipossirurgia para limpedema é realizada por um equipamento específico para o limpedema? Por que não é feita por todos os cirurgiões plásticos? Olha, eu posso contar a minha visão disso e seria legal ouvir a sua também. Porque por muitos anos, eu tenho 20 anos de formado, 21 quase, eu sempre recebia paciente que tinha tentado fazer uma lipospiração com o cirurgião plástico, aí voltou e falou que o cirurgião plástico não iria fazer. Os poucos que tentavam fazer se arrependiam amargamente porque colhiam os frutos de operar uma paciente inflamada, e o pós-operatório é catastrófico. Então, eu via que eles tentavam uma ou duas vezes na vida, que o gato escaldado tem medo de água fria, não tinha um resultado legal, aí passavam a empurrar o problema com a barriga e falar que não faziam. O cirurgião plástico foge um pouco do paciente obeso. E o lipedema, como a gente já disse, é um fator de risco para o lipedema. Então, é difícil você seguir... E quando o paciente procura um cirurgião plástico, ele quer buscar o melhor resultado. E ele esquece de ver o lipedema como uma doença reparadora. E acho que o maior problema desde tudo em relação aos médicos é que a pessoa entenda a doença e o paciente entenda também. Porque se a pessoa vai procurar... Ah, eu não gosto desse culote, eu não gosto dessa coxa. A pessoa fala, mas você está opesa, vai emagrecer. Não faz o diagnóstico de lipedema, perde o paciente, porque o paciente às vezes... Ela fala assim, mas eu tenho dor, doutor, eu não consigo andar. Então, perde a oportunidade de encaminhar, fazer o diagnóstico, perde a oportunidade para encaminhar para um médico que trate tanto a obesidade quanto o lipedema, porque ele pode não querer fazer o tratamento clínico. Mas ele pode encaminhar no momento certo. Faz esse tratamento, volta daqui tanto tempo, vamos reavaliar, vamos conversar. E às vezes até fazer a lipospiração, mas após uma melhora. Então, eu vejo que o cirurgião plástico não... É difícil encontrar cirurgião plástico que trate o lipedema, por isso. Mas agora, como a doença está sendo mais falada, tem mais artigo científico, tem mais médico, mais cirurgião plástico, falando sobre a liposutura para a área lipedema ou tentando fazer um tratamento clínico, mas toma muito cuidado, porque muitas vezes o cirurgião vai querer vender a cirurgia. Esse é um grande medo que tem que ter. Se você vai no cirurgião, que nem dermatologista, é cirurgião plástico. Se o paciente vai no cirurgião plástico com queixa no rosto, já que é um lífite infacial. Se vai no dermatologista, é porque não quer um lífite infacial e quer procedimentos menos invasivos. É a minha visão do cirurgião plástico nessa relação. E em relação ao tratamento do lipedema, eu vejo que todo mundo que se propõe a fazer um tratamento multidisciplinar, vendo todos os aspectos do paciente, é bem-vindo para tratar o lipedema. Todo mundo tem espaço para todo mundo, até para quem não é médico, quem trabalha como educador físico, nutricionista, fisioterapeuta. Tem que tratar, porque todo mundo precisa abraçar essa causa. Todo mundo precisa, porque é promoção de saúde. Todo mundo pode promover saúde e deve. Eu acho que eu vejo dessa forma, não sei como você vê. Não, é isso aí. Eu acho que tem que tomar muito cuidado para o martelo que acha que tudo é prego. Todo parafuso é prego. Exatamente isso. Se a pessoa tem só uma coisa para oferecer, vai fazer você caber na oferta dele. Exatamente. Paciente com lipedema, pode receber massagem? Pode, desde que seja leve, não tem problema nenhum. Não pode doer. Tem que lembrar que não tem uma obstrução linfática. Então você não precisa fazer força. Eu tive uma paciente que tinha aquela bolinha no maléolo, e ela foi num japonês específico que fazia uma massagem específica lá, e ele falou que ia tirar aquela gordura e ficou empurrando a gordura. Eu fico imaginando a quantidade de trauma que aconteceu lá. Ela disse que no dia seguinte estava o pé completamente preto, inchado, inflamado, uma pior, clínica absurda. Então cuidado com qualquer massagem modeladora, com qualquer coisa muito pesada que possa causar algum trauma em tecido. Também tem uma pessoa que a gente fala apenas a responder, que alguém fez o diagnóstico de lipedema, mandou tirar o glúten, açúcar, embutido, mandou tomar omega-3, curcuma, e está tratando o hipotiroidismo. Só que essa mesma pessoa está falando que tem os dois pés inchados. O pé normalmente não é o lipedema. O lipedema ele poupa os pés e as mãos. A não serem casos bem mais avançados que aí tem dano linfático associado. Então seria legal uma avaliação pelo especialista. Ótimo. Deixa eu ver se tem mais alguma pergunta. Nem perguntar, gente, não fiquem tímidos. Eu tenho duas perguntas aqui muito legais. Não, três, na verdade. Você acredita que a cirurgia do lipedema pode ser contra-indicada? Em quais casos? Ok, se ela pode ser contra-indicada? Eu contra-indico se o paciente não entendeu a inflamação ainda, não entendeu o que está inflamando. Eu acho que é um paciente que não vai ter benefício com a cirurgia e vai entrar numa espiral negativa na vida. As coisas vão começar a dar errado e muito errado se não entender a inflamação. Eu contra-indico nessa situação. Normalmente são pacientes que têm uma função cardíaca excelente, porque a gordura em membros inferiores protege fatores de risco cardiovasculares. Então o coração funciona, que é uma maravilha. Então não vai esbarrar numa contra-indicação cardiológica. Se tiver alguma questão psicológica, psiquiátrica também, que eu já peguei paciente passando por turbilhões na vida, acabou de perder ente querido, e aí coloca a cirria como o que precisa fazer agora. Na verdade precisa melhorar um pouquinho antes de tomar essa decisão. Veja, a cirurgia não tem volta. Depois que faz, não dá para desistir e voltar atrás. E muda muita coisa depois que faz. Vou falar um pontinho, são vários, mas um pontinho importante é, o perô vai ficar muito mais difícil controlar a gordura visceral. A gordura visceral vai estourar, o corpo vai querer guardar essa energia em algum lugar, não vai encontrar onde, vai guardar no pior lugar que tem, que é a gordura visceral. Ótimo. Lipedema tem cura? Tem controle. Tem controle. Às vezes eu quero enxergar o lipedema não como uma doença, como uma condição, porque fica mais fácil das pessoas entenderem que ela vai ter que conviver com aquilo, é uma condição dela, é dela aquilo lá, é uma característica dela, e ela vai ter que conviver, ela não vai poder tirar essa condição dela, porque doença, as pessoas, quando houve doença elas querem remédio, doença é uma coisa ruim, a condição é algo que pode ser bom ou ruim. Exatamente, porque eu acho que pode ter coisas boas no lipedema, acho que alguns controles devem fazer sentido em relação até alimentação, eu não posso comer o amendoim, ótimo, não como o amendoim, mas talvez isso faça bem em outros sentidos se você não tiver comendo o amendoim. E assim tem gente que come uma outra comida e tem diarreia, é uma condição que a pessoa tenha, então eu vejo como uma condição. O que você acha de tentar chamar o lipedema de condição e não de doença? Tem alguns aspectos disso, eu penso muito, muito sobre isso. Veja, quem tem lipedema, muitas delas passam a vida com exames de sangue bons, ela se sentindo obesa, muito embora seja o lipedema, ela vai no médico, o médico fala, nossa, seus exames estão ótimos, estou com inveja. E elas não sabem que é o lipedema que está fazendo esses exames ficarem bons, e na hora que tira o lipedema, esses exames vão ficar extremamente difíceis de controlar. Muitas delas fazem quase nada de exercício, mas tem um HDL de maratonista. Por que tem isso? Ninguém para para pensar que é a gordura do lipedema ajudando nesse controle. Então, a questão é, se eu falar publicamente que o lipedema não é uma doença, vai desabar a quantidade de pesquisa científica no assunto, vai perder o interesse, porque todo mundo quer alguma catástrofe para justificar a verba para pesquisa. Por outro lado, eu vejo que sim, o lipedema tem um aspecto positivo de ajudar no controle de muitas doenças. Então, eu não posso falar que eu gostei da sua maneira de colocar como uma condição. Aprenda a usar isso. Até a obesidade, eu falo da obesidade, porque também a obesidade, em um aspecto exagerado, ela é uma doença, porque ela faz mal. Mas tem gente que vive bem em alguns pesos, que tradicionalmente não são considerados sobrepeso, obesidade e grau, e vivem muito bem e não têm problemas de saúde. Então, até um certo ponto, eu veio que algumas dessas doenças podem ter uma característica de condição e terem seus benefícios também. E a gente às vezes taxa todo mundo como doente e elas vivem bem. Então, na verdade, quem tem lipedema, talvez não precise... E vive bem, está satisfeita com o corpo, não tem dor, já tratou e não tem dor, e não tem queixa de flacidez para o que vai operar. Essa é a pergunta. Eu preciso operar para poder engravidar. Isso começou... Ou preciso operar, porque a influencer operou e está falando que todo mundo tem que operar pelo amor de Deus, gente. Eu comecei com essa reflexão da condição, quando uma paciente falou exatamente do engravidar, que ela estava querendo fazer a cirurgia para tentar curar o lipedema para poder engravidar. E talvez até a lipoaspiração pudesse dificultar a gestação de engravidar. Se a gente lembrar todas as deusas da fertilidade do passado, está aqui. As deusas da fertilidade do passado têm um corpo lipidêmico. Está aí, né? É algo para se refletir. E como viver, ou melhor, conviver com o lipidema? Não vou chamar nem de doença, nem de condição, porque esse também é uma outra reflexão. Mas como viver com o lipidema? Eu acho que a pergunta mais interessante seria como viver com a inflamação, porque seria mais ampla. Aí ajudaria todo mundo. O lipidema nada mais é do que um marcador dessa inflamação. Ele avisa que você está inflamado. Então, todas as maneiras de você diminuir a inflamação... E veja, a inflamação é um problema do mundo moderno. Todo mundo esqueceu de como ter uma vida desenflamada. Agora, todo mundo come ultra-industrializado. Ninguém mais faz exercício. Todo mundo viciado no celular. Todo mundo estressado, com trânsito, com prazos para entregar. Ninguém mais se conecta com a natureza. Ninguém mais busca a desenflamação. E o foco seria esse, acertar a dieta, acertar o exercício físico, colocar um tempo de paz na sua vida. E ajudaria todo mundo, não só quem tem lipidema. Tá ótimo. Agora, a gente teve uma ideia conversando de... Para quebrar um pouquinho o gelo do nosso amato-cache, a gente criou essa caixinha aqui. Essa caixinha é uma caixinha de pérforo cortante. Quando a gente... quem trabalha na hora da saúde sabe o que é. A gente vai lá, usou uma agulha, joga aqui, usou uma lâmina, joga aqui. Fica todo aquele pérforo cortante, assim, para ninguém se contaminar, né? Se cortar e contaminar. Ou seja, é perigoso colocar a mão aí dentro. Isso, exatamente. A gente não sabe o que vai sair. A gente não sabe o que vai sair. Então, pensando nisso, a gente vai fazer uma caixinha de pergunta. A gente já usou na semana passada, com o doutor Daniel. E a gente vai... a ideia é semelhante, né? Não colocar a mão, mas se colocar, pode se machucar. Porque a gente tem coisas piores do que agulhas aqui. Perguntas. Vamos lá, meu Deus. Se você não gostar, você reclama com a... Ah, não, mas essa aqui foi saiu semana passada. Eu posso responder, mas... Então, você pega dois. Ah, eu vou responder duas. Então, essa aqui é qual o seu estilo de música favorito. E... Tem algum bicho de estimação? Ah, essa é mais legal. Tá ótimo. Então, tá bom. Eu tenho três cachorros. Então, eu tenho um Golden Retriever, que é o Hiro. Eu comprei um Golden e eles me entregaram um urso. O bicho é grande. Eu tenho um pastor alemão, que já tá bem velhinho. É o Einstein. Não é em homenagem ao cientista Einstein, não. É em homenagem ao cachorro Einstein do filme De Volta pro Futuro. Tem que ser muito guique pra entender a referência, mas... E... Tenho o cachorrinho da minha filha, né?
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.