# Alimentos Que Entopem Suas Artérias — e Um Parece Saudável O Dr. Alexandre Mato, cirurgião vascular, analisa oito alimentos comuns sob a ótica de um "tribuna
Responde só o nome, no final você confere se acertou. Para um alimento entrar no meu pódio, precisa ser culpado em quatro [música] critérios. Um, mecanismo de dano à artéria.
Dois, evidência epidemiológica.
Três, dose real de consumo. Não adianta condenar caveiar, gordura de foca ou carne de paca se isso não está no almoço de segunda-feira do brasileiro.
E quatro, dificuldade de escapar. Não me preocupa tanto aquilo que você só encontra num restaurante exótico. Me preocupa o que está escondido no produto comum, barato e aparentemente inocente.
Calma, vamos julgar isso agora. Por décadas, o ovo foi o vilão do colesterol. A ciência atual mostra que o colesterol alimentar tem impacto limitado no colesterol sanguíneo da maioria das pessoas.
Se você tem medo de infarto ou AVC, presta atenção.
Talvez o problema não esteja só no colesterol, pode estar em três alimentos comuns que chegaram ao seu prato hoje.
E um deles parece inofensivo.
Eu sou Dr.
Alexandra Mato, cirurgião vascular e hoje o réu está no seu prato.
Açúcar, sal, ovo, fritura, pão branco, óleo de cozinha, refrigerante e ultraprocessados.
São oito acusados.
Três deles vão ser condenados e três serão absolvidos.
E talvez você esteja culpando o suspeito errado.
Antes de começar, me conta nos comentários, na sua opinião, qual é o pior alimento para as artérias? Responde só o nome, no final você confere se acertou.
Para um alimento entrar no meu pódio, precisa ser culpado em quatro [música] critérios.
Um, mecanismo de dano à artéria.
Como que ele concretamente ajuda a formar a placa? Dois, evidência epidemiológica.
Os estudos populacionais confirmam isso? Três, dose real de consumo.
Não adianta condenar caveiar, gordura de foca ou carne de paca se isso não está no almoço de segunda-feira do brasileiro.
A pergunta é: aparece na rotina? O brasileiro come muito? E quatro, dificuldade de escapar.
Não me preocupa tanto aquilo que você só encontra num restaurante exótico.
Me preocupa o que está escondido no produto comum, barato e aparentemente inocente.
Então, pensa num tribunal, precisa de prova, motivo, oportunidade e impacto real.
Então, antes de chegar no pódio, três absolvições que vão te surpreender.
Três alimentos que o povo corta achando que ajuda e a ciência atual mostra que o dano estava sendo super estimado.
Então, absolvido número um é o sal.
Mas com uma ressalva importante.
Todo mundo já ouviu que sal mata, mas hoje a ciência mostra que essa história é mais complexa.
Alguns estudos grandes encontraram uma curva em J.
Tanto sódio de mais quanto sódio de menos aparecem associados a mais eventos cardiovasculares.
Mas atenção, isso não quer dizer pode pôr sal à vontade.
O problema no Brasil é a soma.
Tem sal no preparo da comida, tem tempero pronto embutido, tem sal nos pães, queijos, enlatados, ultra processados.
O brasileiro ainda consome sódio demais, muitas vezes sem perceber.
E tem um grupo que não pode generalizar essa absolvição.
Quem tem hipertensão, pressão alta, já tem doença renal ou insuficiência cardíaca, precisa de orientação individual.
Para esses, a restrição de sódio continua sendo parte do tratamento.
E o veredito, sal não entra no pódio dos três piores pra aterosclerose, mas não é liberação irrestrita, é reposicionamento do vilão.
Absolvido número dois é o ovo, mas com ressalva.
Talvez você esteja pensando, mas e o colesterol do ovo? Não era isso que entupia a artéria? Calma, vamos julgar isso agora.
Por décadas, o ovo foi o vilão do colesterol.
A ciência atual mostra que o colesterol alimentar tem impacto limitado no colesterol sanguíneo da maioria das pessoas.
Pra maior parte da população, o ovo inteiro, inclusive a gema, pode fazer parte de uma dieta saudável.
A ressalva é para quem tem diabetes, LDL muito alto ou hipercolesterolemia familiar que deve individualizar com médico porque respondem de forma diferente.
Agora, o veredito é absolvido pra maioria das pessoas, individualizando nos grupos de risco.
O absolvido número três é a fritura, mas tem que ter um contexto aqui.
Aqui é importante separar o método do ingrediente.
Uma fritura ocasional feita em casa, com gordura adequada, temperatura controlada, sem reutilização de óleo, não é o mesmo problema que a fritura frequente em óleo reutilizado.
Então, fritura de rua em óleo reaquecido 10 vezes é outra história e isso vai aparecer no pódio disfarçado.
Se alguma dessas absolções te surpreendeu, comenta.
Por essa eu não esperava lá embaixo.
Então agora os três condenados tem prova forte nos quatro critérios.
Então o bronze, o bronze vai para a farinha branca e carboidratos refinados.
É o número três, o pó branco que ninguém chama de doce.
Então, pão francês, macarrão comum, biscoito, salgado, pizza empanado, é trigo moído, peneirado e branqueado.
Sobrou amido quase puro, sem a fibra, sem o germen.
O mecanismo de dano à artéria é claro, ele entra na corrente sanguínea quase tão rápido quanto o próprio açúcar.
Tem o pico de glicose, pico de insulina, repetição várias vezes ao dia, resistência a insulina ao longo do tempo e resistência a insulina é um dos motores da aterosclerose, do enrijecimento e estritamento das artérias e o consumo.
Ao somar pão, macarrão, biscoito, salgado, muita gente consome uma quantidade altíssima de farinha branca sem perceber e quase ninguém conta isso como açúcar.
Então, o que fazer? Reduzir.
Não precisa zerar.
pão de fermentação natural integral de verdade, macarrão integral ou de leguminosas, ler os rótulos.
Então, farinha de trigo enriquecida é farinha branca e a prata vai para óleos refinados em ultra processados e frituras reaquecidas.
É o número dois.
E aqui uma precisão importante, mas por que um ingrediente que quase ninguém vê no prato aparece? Porque ele se esconde nos produtos que parecem inofensivos.
O problema não é uma colher de óleo vegetal usada em casa.
É trocar a gordura saturada por óleo vegetal em contexto controlado.
É inclusive uma das recomendações cardiológicas clássicas.
O problema é outro.
O óleo refinado escondido em ultra processado mais fritura reaquecida.
É o consumo repetido invisível em biscoitos, salgadinho, macarrão instantâneo, maionese, molho pronto, fast food, frituras de rua.
Esse padrão de consumo combina duas coisas ruins.
Primeiro, o desequilíbrio crônico entre ômega6 e 3.
Si7 e a literatura clássica sugere uma proporção em torno de quatro para um.
A dieta brasileira média fica muito acima disso.
Em esse desequilíbrio, especialmente quando vem junto com ultraprocessados e pouca ingestão de ômega-3, aparece associado a um padrão mais pró-inflamatório em parte da literatura.
E segundo, e esse é o agravante que a gente vê na prática vascular, quando esses óleos são reaquecidos, o que acontece todo dia em fritura de restaurante de rua, geram compostos oxidados, aldeídos, e peróxidos.
Um estudo clássico do Journal of American College of Cardiology mostrou que uma única refeição com óleo de fritura usado já prejudica a função do endotélio em poucas horas.
Então, endotélio é a camada interna da artéria.
Quando ele sofre repetidamente, o terreno fica mais favorável pra formação da placa.
Então, o que fazer no dia a dia? Azeite extra virgem.
Pra temperatura alta, use pouco óleo, controle a temperatura e não reutilize a gordura.
Reduza ultra processado.
Evite fritura na rua.
Você não sabe quantas vezes o óleo foi usado.
O primeiro lugar é do açúcar adicionado ou no termo técnico, açúcares livres.
Porque um produto que às vezes vem com cara de saudável aparece no primeiro lugar.
Porque o açúcar nem sempre vem vestido de sobremesa que você sabe que é açúcar.
Não é a frutose da fruta inteira que vem com fibra.
É o açúcar que a indústria acrescenta nos produtos somado ao que você põe no café.
sacarose, xarope de glicose, xarope de milho, maltodextrina.
Os nomes mudam, mas o problema central é parecido, é açúcar livre, absorção rápida e carga metabólica alta.
E a forma mais agressiva dele é líquida.
Então, refrigerante, suco de caixa, chá adoçado.
Uma lata de refri tem o equivalente a cerca de sete colheres de açúcar absorvidas em minutos.
Por que é o primeiro lugar? Porque combina os piores mecanismos num pacote só.
E todos convergem para placa na artéria.
Primeiro, picos de glicose que aumentam o estress oxidativo na parede do vaso.
Estudos com homens saudáveis mostram a queda da dilatação da artéria braquial depois de uma única dose.
Segundo, elevam triglicerídeos e favorecem partículas de LDL pequenas e densas, exatamente o tipo que mais se deposita na parede.
Terceiro, contribuem para glicação.
O açúcar se liga a proteínas estruturais e forma os chamados aides, que enrijecem a artéria e aceleram o envelhecimento vascular.
E quarto, favorecem a resistência insulina, uma das bases da diabetes tipo 2, que aumenta muito o risco cardiovascular.
E o problema da onipresença, iogurte de caixa, molho de tomate pronto, granola, ketchup, açaí, pão de forma, tá em tudo quanto é lugar.
A OMS recomenda que açúcares livres fiquem abaixo de 10% das calorias diárias e sugere benefício adicional abaixo de 5%.
Algo em torno de 25 g por dia para um adulto.
O consumo médio do brasileiro tá muito acima disso.
Se você só pudesse mudar uma coisa na dieta para proteger sua artéria, seria essa.
Então o que fazer? Não precisa zerar.
Reduza bem.
Para de adoçar bebida.
O paladar se adapta em duas a três semanas.
Leia rótulos.
Prefira a fruta inteira ao suco.
Então agora um teste de 30 segundos.
Três perguntas sobre o que você consumiu só hoje.
Conta quantos sim você vai responder.
Você comeu pão branco, macarrão comum, biscoito ou salgado hoje? Dois.
Comeu algo ultra processado com óleo refinado no rótulo ou saiu para almoçar em lugar com fritura reutilizada? Três, [música] consumiu alguma coisa doce ou algo salgado com açúcar escondido? Refrigerante, molho de tomate pronto, iogurte de caixa? Marcou dois ou três pontos? Então hoje a sua artéria provavelmente recebeu uma carga maior que deveria.
Então comenta lá embaixo o seu número que eu vou ler.
Percebeu o padrão? Os três do pódio são refinados e ultraprocessados.
Açúcar, a cana processada até virar um pó branco.
A farinha é o trigo que é processado até virar pó branco.
E os olhos são as sementes que são processadas e usadas em produtos ultra processados ou frituras reaquecidas.
A natureza, ela raramente vai entregar um alimento assim, sem fibra, concentrado, refinado, fácil de exagerar.
Agora, a indústria faz isso muito bem e a artéria acaba pagando a conta.
Então, no começo eu disse que talvez o problema não estivesse só no colesterol.
Agora você viu o padrão farinha branca, açúcar adicionado, processado com óleo refinado, fritura reaquecida ajudam a criar o terreno para aquela placa que entope a artéria.
A mesma placa que pode terminar em um infarto ou um AVC.
Você não precisa ser perfeito.
E muita gente reduzir bastante esses três já pode melhorar os marcadores como glicose, triglicerídios, peso e pressão em poucas semanas.
Começa pelo mais fácil pra maioria das pessoas.
É parar de adoçar bebida.
Se você ainda não viu, eu fiz um tribunal paralelo deste, os sete alimentos que mais inflamam as suas veias.
É complementar a este aqui.
Aqui ele vê pelo lado da inflamação.
Este aqui tá vendo pelo lado da placa.
O link tá aqui em cima.
Se você quer entender a circulação de uma forma clara e baseada em ciência, se inscreve aqui no canal, ativa o sininho, compartilha com quem toma suco de caixinha achando que é saudável.
É esse tipo de pessoa que mais precisa assistir.
E me conta, você acertou o primeiro lugar? comenta lá embaixo no próximo vídeo.
A inversão.
Três alimentos que a ciência tem associado à proteção das artérias e estão no supermercado.
até lá e cuida das suas artérias.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.