O episódio aborda a **menopausa precoce**, com a ginecologista Dra. Juliana Mato explicando definições, sinais de alerta, causas, impactos na saúde e possibilid
Isso, acho que começa por aí, né, para o pessoal entender primeiro o que é menopausa, e acho que depois a gente pode explicar melhor quando que acontece essa menopausa precoce, mas quando que de fato é precoce ou não, né, porque tem muitas dúvidas sobre isso.
A gente tem um episódio, se eu não me engano, sobre o período pré-menopausa, que tinha um nome... Climatério. Climatério.
É, um ano... Sem amestroação. Sem amestroação.
Porque a gente sabe que, desde as mulheres mais jovens, eu já escutei falar desde criança, que a fase da menopausa...
Então, às vezes, não tem o fogacho, não tem esses calores, mas começa com uma irregularidade menstrual, um pouco mais de irritabilidade. Então, dependendo de mulher para mulher, ela tem alguns sintomas da menopausa, mas não são aqueles clássicos que toda mulher chega e fala, nossa, eu tô morrendo de calor.
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um Amato Cash pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Nos últimos episódios nós recebemos convidados especiais, falamos um pouco sobre medicina integrativa e antes sobre trombose venosa profunda, um nome um pouco difícil, parece um tema complexo, mas foi uma conversa muito interessante. Hoje a gente recebe a nossa doutora Juliana Mato, médica ginecologista, vocês estão vendo aí que o título é menopausa precoce, um tema que você já tinha pedido aqui inclusive nos comentários, eu tinha visto pessoal falando sobre isso, então a gente vai conversar bastante sobre esse assunto hoje.
Novamente para quem ainda não conhece a doutora Juliana, eu vou apresentar a nossa convidada de hoje. A doutora Juliana Mato tem título de especialista pela Febrasgo e pela Associação Médica Brasileira, pós-graduada em Fertilidade e Reprodução Humana pela USP, a Universidade de São Paulo, e Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pela UNISA. Mais uma vez, bem-vinda doutora.
Obrigada, é um prazer estar conversando com você de novo. Passou tão rápido, né, a última gravação que a gente fez, ao mesmo tempo parece que faz bastante tempo. É verdade.
Um misto de sensações. Doutora, então como eu falei, é um assunto que a gente até citou uma vez ou outra aqui, conversamos sobre alguns tópicos que envolvem a menopausa precoce, hoje é um tema maior, um tempo maior para falar sobre esse assunto, que eu tenho certeza que vai tirar muita dúvida o que você acha mais interessante que a gente vai poder citar. Sim, com certeza.
Vamos falar um pouquinho sobre a definição de menopausa precoce? Isso, acho que começa por aí, né, para o pessoal entender primeiro o que é menopausa, e acho que depois a gente pode explicar melhor quando que acontece essa menopausa precoce, mas quando que de fato é precoce ou não, né, porque tem muitas dúvidas sobre isso. Antes de tudo, antes de a gente começar de fato aqui no nosso tema, eu só queria agradecer para quem já acompanha há bastante tempo, sabe, para quem está chegando agora, a gente tem um patrocínio aqui do Amatocache, que é do laboratório Origem, especializado em saúde intestinal, que é onde tudo começa. O foco da Origem é qualidade de vida e prevenção.
Doutora, então, finalmente agora no assunto, menopausa. O que pode definir a menopausa? A gente tem um episódio, se eu não me engano, sobre o período pré-menopausa, que tinha um nome... Climatério. Climatério.
Falei sobre climatério recentemente, inclusive, no meu trabalho, e eu tinha esquecido. Climatério e menopausa, a gente explicou um pouco da diferença, quando que é considerado menopausa. Se eu não me engano, você tinha dito que a menopausa é quando fica um período ali, um ano, um ano e meio, né? É, um ano... Sem amestroação.
Sem amestroação. Aí é o marco, é definido como menopausa. O climatério é aquela fase que antecede a menopausa que pode durar em torno de uns cinco anos.
Começa com irregularidade menstrual, até realmente chegar em um ano sem menstruar e definir realmente a menopausa. Tá. E esse climatério que dura cinco anos, pode ser cinco anos de sintomas ali da menopausa? Porque a gente sabe que, desde as mulheres mais jovens, eu já escutei falar desde criança, que a fase da menopausa... Todo mundo tinha alguém na família, né? Que falava, ah, ela tá na menopausa, então fica com frio, calor, tem a irritabilidade, enfim, são cinco anos de sintomas? Então, esse climatério não são todos os sintomas que as pacientes, elas referem, né? Então, às vezes, não tem o fogacho, não tem esses calores, mas começa com uma irregularidade menstrual, um pouco mais de irritabilidade.
Então, dependendo de mulher para mulher, ela tem alguns sintomas da menopausa, mas não são aqueles clássicos que toda mulher chega e fala, nossa, eu tô morrendo de calor. É um pouco mais ameno, né? Ele é mais caracterizado pela irregularidade menstrual, irritabilidade, são as principais características. Tá.
E esse período da menopausa mesmo, né? Que a gente tá definindo, então, um ano sem a menstruação e aí os sintomas costumam aparecer mais fortes ou não? Sim, costumam aparecer mais fortes, mas irritabilidade, queda de cabelo, ressecamento vaginal, ressecamento de pele, secura vaginal, são esses sintomas mais característicos mesmo da menopausa e que começam mais nessa fase. Tá. E a menopausa precoce é definida por uma idade específica, uma faixa de idade? Sim.
Quando a gente fala em menopausa precoce, a gente tá falando mulheres 40 a menos. Então, é quando a menopausa, ela ocorre antes dos 40 anos de idade, que é a fase onde a mulher, teoricamente, ela ainda estaria ali na sua fase reprodutiva, porém, ela chega nessa fase mais cedo, né? E existem várias causas pra isso, né? E a gente vai conversar bastante sobre essas causas. Tá.
E essa menopausa precoce, ela é só por conta da idade ou ela também diferencia, por exemplo, como que vai acontecer, tanto de sintoma mesmo, como o período que a mulher vai ficar ali nesse climatério também? Isso muda junto? Muda. Na verdade, então, vamos definir um pouquinho a menopausa precoce. A menopausa precoce é essa que acontece antes dos 40 anos.
Quais são os principais fatores que levam a uma menopausa precoce? A genética. A genética fala muito sobre essa característica, né? Então, por exemplo, se você tem a sua mãe que parou de menstruar lá por volta dos 50 anos, quer dizer que provavelmente você vai ter uma menopausa lá próximo da idade normal de se ter a menopausa. Porém, se você tem uma mãe, uma tia que entrou na menopausa antes dessa idade, antes dos 40 anos, pode ser que você tenha chance de entrar na menopausa nessa fase também.
Então, tem muito a ver com a genética, mas tem outros mil fatores associados. Por exemplo, estilo de vida, alimentação, o estresse oxidativo. Quando a gente fica muito tempo comendo mal, estressada, o nosso corpo responde.
E o nosso corpo responde com essa falência ovariana precoce. A gente vai tendo esse estresse oxidativo com mais apoptose, mais morte celular desses óvulos. Então, isso também pode levar a uma menopausa precoce.
E tem muita gente que fala que, por exemplo, a menstruação é boa, apesar de irritar as mulheres, que dá aquele trabalho, os sintomas que a gente está falando, os transtornos, enfim. Até estava conversando nos bastidores aqui, que não é nada legal, de forma geral. Mas muitas pessoas comentam, menstruar é bom.
Quanto mais tempo você menstrua, melhor você fica ali, tanto de estética como de saúde. Existe, existe. Porque quando a gente está na nossa fase reprodutiva, quando a gente tem os nossos hormônios funcionando, a gente tem uma produção de estradiol a toda no nosso organismo.
O que acontece? A gente tem lá o FSH, que é o hormônio folículo estimulante, que é produzido lá na nossa hipófise, no nosso cérebro, que manda uma mensagem para o ovário para produzir estrogênio e progesterona. Com isso, a gente tem os ciclos menstruais. Então, quando a gente tem o aumento do estradiol, esse estradiol vai proliferar o endométrio, que é aquela camada de dentro do útero que é preparada para uma gravidez.
Se a gravidez não ocorre, o estradiol desce, a progesterona que já está subindo continua subindo e no final do ciclo tem a exclamação do endométrio e tem a menstruação. Então, assim que ocorre o ciclo menstrual. Quando a gente tem o estrogênio funcionando, o que ele faz? Ele dá uma proteção óssea, então, mantém a nossa massa muscular, mantém a nossa massa óssea, ele é protetor cardíaco, ele mantém a beleza da nossa pele, a produção de colágeno, a beleza dos nossos cabelos.
Quando a gente tem essa menopausa antes, você fica muito mais tempo na sua vida com falta desse estrogênio e aí as ações pela falta de estrogênio acontecem por mais tempo. Por exemplo, se você entrou na menopausa com 35 anos, você vai viver até quantos anos? Até os 90? Olha quanto tempo, olha essa janela de tempo que você tem para ter as coisas ruins que a falta do estrogênio causa. Então, você vai ter uma perda de massa óssea por mais tempo, que vai a longo prazo, você pode ter uma osteopenia, uma osteoporose, você vai perder ali a proteção cardíaca, então, você pode desenvolver uma doença cardíaca mais cedo, ter perda de massa muscular, por isso que é importante fazer atividade física, então, essas mulheres lá no futuro vão ser mais sarcopênicas, vão ter menos massa muscular, isso tudo fala a favor de longevidade, envelhecer bem, então, é importante mesmo a gente avaliar essas pacientes que entram na menopausa precoce e já começar com um tratamento adequado.
É isso que eu ia te perguntar, tem como reverter na mesma medida, por exemplo, entrou na menopausa muito cedo, mas fazer algum tipo de tratamento, ter alguma solução que consegue equilibrar e deixar aquela mulher igual como se ela estivesse menstruando mais tempo? Equilibra, mas ela não é um tratamento que você vai manter a longo prazo e que você não vai ter as ações ruins da menopausa. Ela vai acontecer, mas vai ser numa velocidade menor. E aquela mulher que, por exemplo, não menstrua porque usa DIU, está no período normal ou algum outro método, eu sei que tem algum DIU que não menstrua, né? Sim, tem o DIU hormonal.
Isso, que a pessoa não menstrua ou toma um anticoncepcional contínuo também, tem algum tipo de prejuízo de não ter a menstruação de fato? Porque também tem as avós, não sei se é um mito ou verdade, ainda nos nossos mitos e verdades, que as avós costumam falar, não pode cortar a menstruação que faz mal, quando a gente é mais nova e está menstruando normal. De fato, tem prejuízo de cortar dessa forma? Não tem prejuízo. É interessante até falar aqui um pouquinho sobre a quantidade de óvulos que cada menina nasce.
Quando a menina está lá dentro da barriga da mãe, ou seja, ela está lá dentro da vida intrauterina se desenvolvendo, quando essa mãe está lá na vigésima semana de gravidez, mais ou menos entrando no sexto mês, ela tem aproximadamente ali nos ovários dela, de 400 a 500 milhões, desculpa, de 6 a 7 milhões de óvulos. Quando essa menina nasce, ela já vai ter de 2 a 3 milhões de óvulos, e quando ela começa a menstruar, ela tem 400 a 500 mil óvulos. Então, você vai vendo que ela vai perdendo aí essa reserva ovariana dela, né? Então, quando ela chega aí por volta dos 40 anos, se ela tem aquela genética da mãe entrar na menopausa mais cedo, a gente acredita que ela também vai entrar na menopausa mais cedo, e com isso, ela vai ter de prejuízo para ela uma diminuição do período que ela pode ficar mais fértil, aquele período que ela pode engravidar.
Então, é importante a gente avaliar essa paciente, acompanhar as mulheres, conversar em consulta. Olha, sua mãe entrou na menopausa com quantos anos? Foi mais cedo? Não foi mais cedo? Ah, uma coisa que é interessante eu falar também, não é só genética, né? A gente tem as doenças autoimunes que também estão associadas com uma menopausa precoce, com essa falência ovariana precoce, que são, por exemplo, a tiroidite de Hashimoto. Hashimoto é uma doença de tiroide com muita prevalência na nossa população.
E o que é a doença autoimune, né? A doença autoimune, ela produz anticorpos contra as nossas células. No caso da tiroidite de Hashimoto, ela produz células de defesa contra as células da tiroide, né? E quando a gente tem uma doença autoimune, a gente tem mais facilidade de ter outras doenças autoimunes relacionadas e isso vai afetar o ovário também. E às vezes é algo silencioso, né? É algo silencioso.
Então, é uma coisa a se tomar cuidado também, né? Não é só a tiroidite de Hashimoto, tem síndrome do X frágil também, que é uma outra doença genética. Mas é interessante, lupus eritematoso sistêmico é uma outra doença que pode cursar com falência ovariana precoce, né? Mas considerando, então, que a pessoa não tenha nenhuma condição e também não tem essa questão da genética, se a pessoa fica sem menstruar por uma escolha, dependendo do método, isso não seria prejudicial? Não seria, porque você já vê que ela já nasce com aquele número pré-definido de óculos, né? Lá na formação embrionária, tem aquele tanto. Depois ela nasce com aquele tanto e depois, quando ela entra na vida dela de primeira menstruação, tem 400 a 500 mil.
Ah, e quando começa a menstruar todo mês, só um óvulo, ele cresce e ele ovula, né? Mas a gente tem a apoptose, que é a morte celular programada. Então, cerca de mil óvulos daquele ciclo também ela perde naquele mês, né? Independente se tiver usando o anticoncepcional ou não, e aí vem o ponto da sua questão. Então, se ela está usando um diormonal, ela vai ter essa apoptose, essa morte celular programada de qualquer jeito.
Independente se vai menstruar ou não. Então, assim, menstruar ou não não é o que vai mudar na vida dela em relação à menopausa precoce, tá? E também não é o que vai mudar na vida dela ela ter menos ciclos ou mais ciclos menstruais que vai mudar alguma coisa no organismo, tipo propensão à doença ou infertilidade, não existe isso. E tem aquele mito que fala, precisa limpar o corpo, né? Nossa, quantas vezes eu já escutei a avó, minha avó fala muito isso.
Não, precisa menstruar porque está limpando o corpo. As pessoas têm essa sensação, né? Que a hora que está saindo ali o sangue, quando acaba, estou limpa. É, na verdade, o útero nem prolifera endométrio quando a gente não menstrua, né? Porque o que acontece? Quando eu falei lá do ciclo menstrual, que o estrogênio aumenta, vai aumentando aquela camadinha de dentro do útero que é o endométrio e quando descama é a nossa menstruação.
Então, não tem esses ciclos hormonais para acontecer isso. Então, nem prolifera o endométrio. Então, não tem nem menstruação ali para descamar o útero.
Não tem nem como se limpar dentro do útero porque não tem essa camadinha para descamar. É só um sangramento. Não tem nem sangramento.
O que ocorre quando você para, por exemplo, o anticoncepcional contínuo. Você está lá usando, usando, usando. Se você esquece uma pílulazinha, o que acontece? Você pode ter aquele sangramento de escape, que é um sangramento bem pontual, né? Esse sangramento, ele não vem desse endométrio.
Na verdade, é pela falta do hormônio. Então, o seu corpo está acostumado ali a tomar todos os dias aquela pílula. Aí, pegou lá o pico plasmático.
Você esqueceu de tomar a pílula. Pico plasmático do estrogênio e da progesterona. Upa, faltou.
Aí, seu cérebro vai falar, hum, tem alguma coisa errada. Dá um desequilíbrio hormonal e tem um sangramento bem pequenininho. Que não chega a ser a menstruação porque não tem nem aquele endométrio proliferado para descamar e menstruar.
Precisaria de mais tempo. Alguém que toma e fica bastante tempo sem tomar, para aí sim existir a menstruação de verdade. Exato.
Um dia, dois dias não é o que vai mudar. Tá. E agora, falando da menopausa precoce, voltando aqui do assunto mais específico do tema, do episódio.
Você falou uma idade ali a partir dos menos de 40 anos, que é considerado precoce. Mas tem algumas pessoas jovens, até adolescentes, que param de menstruar do nada. Poderia ter uma menopausa precoce em alguém de 20 anos, por exemplo, ou não? Existe também uma idade mínima para ser considerada precoce? Eu nunca vi com 20 anos.
O que a gente precisa avaliar nesses casos? Principalmente adolescente, mulheres mais jovens. Elas podem estar com um peso menor, então, um percentual de gordura menor. A gente sabe que mulheres com percentual de gordura menor que 18, elas podem parar de menstruar.
Por quê? Porque elas não têm aquela gordura para fazer a transformação, a aromatização. E aí, o corpo para. Simplesmente para de funcionar.
Existem outras doenças também que têm que ser avaliadas nessa fase. O aumento da prolactina, que é o hormônio que é produzido na nossa adeno hipófise, que é aquele hormônio que as mulheres produzem quando estão amamentando, sabe? Tem o microadenoma hipofisário, que é um tubor benigno de hipófise, da adeno hipófise, que ele pode produzir essa prolactina e a mulher também para de menstruar. Então, existe um diagnóstico diferencial que a gente tem que procurar outras doenças que não realmente uma menopausa precoce para essa fase.
Porque aí poderia ter algo por trás que não uma menopausa precoce é considerada ali a partir dos 40? Menor que 40. Ah, e ovário policístico também, né? Muitas mulheres que têm ovário policístico não menstruam, param de menstruar. Porque a partir dos 40, então, já é considerada uma, depois dos 40, uma idade normal.
Sim, uma idade normal, porque a mulher pode estar até naquela fase do climatério. Mas antes dos 40, realmente é precoce. E a partir de que idade pode ser uma menopausa precoce, mais normal ali dentro da menopausa precoce, né? Ah, eu já vi até com 30 anos.
30? 30, 31, é o que eu mais vejo quando vem paciente com essa queixa, que a gente faz o diagnóstico mesmo dessa falência ovariana, dessa menopausa precoce. Tem algum sinal, algum sinal que a pessoa pode sentir que está começando a entrar nessa menopausa precoce? Tem. E já tentar reverter, é possível reverter de alguma forma? Reverter não reverte, porque como a gente nasce com esse número pré-definido de óvulos, a gente vai gastando, vai gastando.
Então, chega aquele período que ela não tem mais o que gastar, né? A menopausa, ela acontece quando a gente tem por volta ali dos 10 mil folículos ainda remanescentes. E qual que é o sinal, né? O que caracteriza isso? Quais são os sintomas que a mulher tem que prestar atenção? Irregularidade menstrual. A menstruação, ela começa a ficar curtinha.
Então, às vezes, ela chega no consultório e fala assim, nossa, eu menstruei no dia 1º e hoje já é dia 20 e eu estou menstruada de novo. Então, esses ciclos começam a encurtar o intervalo entre uma menstruação e outra. O que pode levar a gente a pensar numa menopausa precoce também é irritabilidade.
Quem não tem uma irritabilidade dependendo do seu estilo de vida, né? Dependendo do seu trabalho, do estresse do seu dia a dia. Todo mundo tem um pouco, né? Mas a mulher, ela fica muito mais irritada. Algumas mulheres têm aqueles calores, mas não chega a ser tão forte como realmente na menopausa.
Mais queda de cabelo também é um outro sinal importante. Unha fraca. Então, por isso que é importante todo ano ir no ginecologista fazer os exames hormonais para ver como é que está e acompanhar.
Perguntar para a mãe, com quantos anos você entrou na menopausa, mãe? Porque eu preciso acompanhar e tal. E aí, nessa questão genética, só a mãe influencia ou, por exemplo, tia, avó, mais a mãe? Mais a mãe, tia, a irmã da mãe, né? Mais a parte feminina mesmo. Tá.
Mas tem outras causas também de menopausa precoce, que não só essas. Que é a questão das doenças, né? Que a gente citou. Das doenças e também daquelas pacientes com câncer, né? Aquelas pacientes que têm algum tipo de câncer e vão fazer um tratamento com quimioterapia ou radioterapia.
E aí para para sempre. Aí ela tem a quimio, a rádio, ela, principalmente a quimio, ela ataca a célula ruim, que é a célula do câncer, mas ela ataca a célula boa também. Por isso que a gente tem aquela baixa imunidade no câncer, né? Quando você está no tratamento do câncer.
E aí essa paciente pode ter essa apoptose, essa morte desses folículos dentro do ovário e entrar numa menopausa precoce. Tá. Além disso, ela pode também ter uma menopausa precoce cirúrgica.
Ah, teve um cisto de ovário, precisou fazer uma cirurgia, teve que tirar o ovário por alguma questão. Ou cisto, ou câncer, ou sofreu um acidente, teve uma hemorragia e teve que tirar algum órgão. Então, também isso é causa de menopausa precoce.
E na menopausa, parece uma pergunta óbvia, mas só para confirmar. A menopausa, a partir do momento que a menopausa precoce foi confirmada, ele teve o diagnóstico, não tem chance de ter... De reverter, não. Ou meter no sentido de poder engravidar, por exemplo? Não, não.
Menopausa, quando você está na menopausa, dificilmente você vai engravidar. Mas aquele período do climatério que antecede a menopausa, que você já tem uma alteração hormonal e que você já tem a irregularidade menstrual, muitas mulheres acham que nessa fase não engravida. Mas pode engravidar, as chances são menores, mas não é impossível de engravidar.
E aquela gravidez um pouco mais difícil? Difícil. Algumas mulheres que entram na menopausa mais tarde, que também tem essa, tem a menopausa precoce, mas eu já vi mulher entrar na menopausa com 56 anos e que engravidou com 52, por exemplo. Mas porque, teoricamente, ela já ia ter essa menopausa mais tarde.
Então, a reserva ovariana com 50 ainda estava boa. Mas isso são casos mais raros. E aí, se a pessoa entrou na menopausa mais tarde, o risco da gravidez é por conta da menopausa ou é por conta da idade da mulher? O risco da menopausa, quando ela entrou na... Na gravidez, considerando a gravidez.
Considerando a gravidez. Não, não entendi, fala de novo. Se, por exemplo, a mulher entrou com 52 anos, esse exemplo que você usou.
E aí, o risco da gravidez é por conta da idade ou por conta da menopausa? O risco para o bebê ou para ela? Para ela engravidar. Para os dois. O risco dela engravidar, quando ela está nessa fase de menopausa, é que os óvulos nessa fase, ela já tem uma quantidade menor, porque a gente entra na menopausa lá com 10 mil folículos ainda.
Então, esses óvulos, eles já são mais velhos, então tem o risco desses óvulos terem alguma neoploidia. E quando fecundados, ou ela tem um aborto, ou esse bebê poder ter uma chance maior de ter alguma síndrome. E para a mulher, qual que é o risco de engravidar depois dos 50? Pressão alta, diabetes gestacional.
Entendi. O que eu ia perguntar é isso, por exemplo, se a mulher teve a menopausa precoce com 30 anos, e aí se ela engravidar no climatério desse período, é também arriscada uma gravidez? Sim, porque ela também está naquela falência ovariana, que ela tem aquela quantidade de óvulos pequenininha, que pode ser que ela fecunde aquilo e tenha, por exemplo, um abortamento. Entendi.
Então, depende da idade, mais pelo que está acontecendo no organismo. E é comum a menopausa precoce? Acontece bastante? Muita gente que te procura? Cerca de 30% dos casos de menopausa são precoces. Então, a gente tem aí uma quantidade boa da população brasileira, 30%.
É, bastante gente. E fora as pessoas que não sabem, que não têm informação, que não procuram mesmo. Às vezes está sem menstruar e foi feito um diagnóstico de ovário policístico lá no passado e fica nessa, sabe? Tratando um ovário.
Ah, não, eu tenho ovário policístico. Não é assim. Não é isso, não é menopausa.
Às vezes fica nesse intervalo até ter um diagnóstico sem tratamento e sem saber o que está acontecendo. A gente falou bastante isso também em um episódio, mas já faz tempo, sobre o tempo que às vezes é recomendado para as pessoas, para as mulheres procurarem um ginecologista ou uma ginecologista para ter um acompanhamento, porque apesar de que hoje as pessoas falam muito sobre a necessidade, a importância de procurar um médico, ter esse acompanhamento de perto, ainda existe um tabu, né? Falar de... Parece tão coisa do passado isso, mas ainda existe. Eu vejo pessoas da minha idade, amigas da mesma faixa etária que morrem de vergonha, morrem de medo de ir até o ginecologista e esperam o máximo, só quando já está... Eu vejo a vergonha, bastante vergonha de chegar num ginecologista e falar assim, vem fazer meus exames de rotina, porque às vezes tem vergonha de tirar a roupa, de ser examinada, mas é tão importante fazer um papanicolau, que é um exame super importante para rastreamento de câncer de colo, que a gente vê que tem aumentado ainda por causa dos casos de HPV, então tem que ter um acompanhamento, não tem que ter vergonha.
Eu vejo as mulheres tendo mais vergonha de... Quando tem vergonha, tem vergonha de ir no ginecologista e ir no ginecologista homem, né? Então aí procura ginecologista mulher, mas mesmo assim, numa primeira consulta nem fala muita coisa assim. Ah, eu vim para fazer meus exames de rotina, e não conta muito, depois que vai se soltando, que vai pegando confiança, mas tem muito ainda. E o recomendado é a partir da primeira menstruação já ter esse acompanhamento.
Ah, é interessante, sim. Porque a menina, quando ela menstrua pela primeira vez, ela não vai ter aqueles ciclos regulares, sabe? Ela não vai menstruar todo mês. Tem ali um período de dois anos, que é do amadurecimento do órgão reprodutor dela, que ela vai ter essa irregularidade menstrual.
E tem várias dúvidas, né? Menstruou, não menstruou? Tô com corrimento, não tô? Será que isso é alguma coisa que tem que tratar, que não tem? Tirar todas as dúvidas é importante. Sim. Sintomas emocionais, doutora, me lembrei de citar aqui, de perguntar, acho que é o que as pessoas mais falam, né? Sobre a menopausa, acho que é o que a gente mais escuta.
Quando é precoce também, existe uma forma de aliviar isso também? Existe. Na verdade, quando entra na menopausa precoce, o tratamento com o hormônio, né? A terapia de reposição hormonal, ela vem para amenizar os sintomas da menopausa e para tentar evitar que ela tenha aquilo que a gente já conversou, né? Que é o aumento da perda de massa rosa, perder a proteção, mas também ele ajuda também nessa questão de irritabilidade. Tem muitas mulheres que têm sintomas depressivos nessa fase.
Então, a reposição hormonal, ela vem também ajudando nesses sintomas. É, porque o lado, acho que é o que mais falam, né? Assim, da menopausa, sobre isso. Ah, ela tá... dá um desconto, ela tá irritada, né? E, gente, é uma irritação real mesmo.
A queda do estrogênio deixa a mulher com um pavio mais curtinho, ela fica mais irritada mesmo, ela fica muito mais sensível, emocionalmente mais sensível. Então, não é chatice, é real. Sim.
E essa parte de diagnóstico, existe algum diagnóstico clínico que a gente tá falando desses sintomas ou tem algo que pode confirmar no exame mesmo, que sai ali a quantidade? Sim, existe. Além da clínica, né? Dos sintomas que a gente conversou, tem o exame, os exames hormonais. Então, dá pra gente colher ali no sangue um FSH, que é esse hormônio folículo estimulante, a dosagem de estrogênio, a dosagem de progesterona, um tração de folículo antral pra ver como é que tá aquela reserva ovariana.
A gente tem como fazer um diagnóstico. Até quando tá começando aquela fase do climatério, a gente tem como fazer o diagnóstico. Já tem como saber se é o climatério mesmo ou não.
Sim. E tem como confundir a menopausa precoce, tem alguma outra condição, além dessas questões de doença que a gente falou, cirúrgicas, que pode ser confundida, que existe algo muito parecido ali, que alguém pode estar assistindo porque tá em dúvida e isso é uma outra situação? É o que a gente falou. É isso, basicamente isso, o índice de gordura muito baixo.
O índice da gordura é interessante, né? É interessante. Hoje, ainda mais que cada vez mais, as pessoas estão nessa vibe fitness, né? Sim, sim. Diminuir a gordura, fazer aquele exame, até esqueci o nome aqui.
Bioimpedância. Então, tanto é que as atletas de alto rendimento, a maioria não menstruam. Principalmente essas de corrida, de atletismo, que são muito magrinhas, elas não menstruam.
E sem prejuízo pra saúde, nesse sentido? É, na verdade, a longo prazo. Isso tem um prejuízo. Ah, da mesma forma.
Exato. Entendi. Aí, coloca na balança o que que... Por isso que eu acho que essa moda de, ah, eu quero ter o mínimo de percentual de gordura possível.
Não é também legal ter o mínimo possível, porque você acaba barrando a produção de vários hormônios, né? Então, você vê que você acaba bloqueando o eixo normal da produção de estrogênio do seu organismo, né? Aquele eixo hipotálamo, hipófise, ovariano. Então, não é legal também. Sim.
E até você citou agora no começo falando um pouco da questão da sexualidade quando envolve a menopausa, né? Também influência muito, né? Muda muito ali a rotina da mulher. Quando também acontece de forma precoce, envolve esse conjunto, conjunto literalmente, né? Exatamente. Queda de libido, tem a queda de libido, a secura vaginal.
Mas com reposição hormonal, isso tende a controlar bem. Isso tende, a gente tem meios de fazer com que isso se equilibre, por exemplo, com a reposição hormonal. E a reposição já costuma ser uma reposição que tudo ali entra no eixo, digamos assim.
Sim, sim. Tudo entra no eixo. Hoje em dia, a gente começa a reposição hormonal já na fase de climatério.
Então, já começou ali a ter os primeiros sintomas do climatério. Hoje em dia, a gente já começa a reposição daqui. Tá.
Você falou que evitar não tem como, mas tem como pelo menos adiar um pouco o processo. É, adiar não. Na verdade, você está repondo, o seu organismo não vai produzir de qualquer maneira.
É igual o hormônio tiroidiano. A data que tem que acontecer vai acontecer de qualquer jeito. É igual o hormônio tiroidiano.
Quando você tem o hipotiroidismo, você não produz nada, você está dando aquele hormônio exógeno ali, né? Não vai reverter o que já aconteceu, mas vai controlar para que não piore as doenças que podem se desenvolver no futuro, como uma doença cardíaca, uma osteoporose. Para não piorar a situação. Exato.
Entendi. E como que funciona essa reposição hormonal? É remédio? Sim. A reposição hormonal a gente faz com os hormônios, né? Estrogênio e progesterona.
Tem tanto o oral, quanto o transdérmico, quanto o implante. Depende muito de mulher para mulher. Qual tem mais indicação para determinada via de administração.
Ah, tá. Entendi. E é feito assim, entrou na menopausa, é feito sem término, sem data para término.
Isso vai durar para a vida inteira ou tem um período? Antigamente falava-se que eram 10 anos. Hoje em dia a gente sabe que a gente vai continuando. Entendi.
A gente vai continuando porque melhora a qualidade de vida da mulher, né? O SUS disponibiliza esse tratamento hormonal? Sim, disponibiliza. Porque tem essa preocupação, né? Tudo que a gente cita as pessoas querem saber na prática como que é. E o SUS, todos os tipos de reposição? Tanto esse dérmico... O SUS, ele disponibiliza mais o oral. O transdérmico eu não vi ainda ele disponibilizando.
O oral comprimido você todos os dias? Todos os dias. Comprimido todos os dias. Nossa, é bem próximo ali, não é? Tipo um anticoncepcional, sabe? Você vai ter que tomar todos os dias.
Entendi. E junto com isso entra a parte da nutrição, da atividade física? Sim, é muito importante. Não adianta você fazer uma reposição hormonal se você não tem hábitos bons de vida, né? Então, tem que controlar a obesidade, a mulher quando ela entra na menopausa.
Tem estudo mostrando que a cada ano de menopausa, normalmente ela ganha 2 quilos. Então, você imagina, se essa mulher ela não se cuidar com 10 anos de menopausa, no mínimo ela já ganha 10 quilos, né? Com 5 anos de menopausa ela já ganha 10 quilos. Com 10 anos, você imagina, né? Então, é importante manter a atividade física, manter uma alimentação equilibrada, acompanhamento com nutricionistas, se for fácil para essa mulher, né? Mas tem que se manter ativa.
E a pessoa que tem esse diagnóstico mesmo, né? Da menopausa precoce, tem um problema assim de aceitação mesmo disso? Tem algumas mulheres que não aceitam porque, veja bem, você com 30 e poucos anos, você está no começo da sua vida, né? Você acabou de fazer sua faculdade, está em um emprego legal, de repente quer fazer uma pós-graduação, quer fazer um mestrado, um doutorado, você não está pensando em filho nessa fase, né? E aí, de repente, vem um diagnóstico e a hora que ela resolve que ela quer ter filho, 30 mais, 32 mais, ela vê essa barreira na frente dela. É complicado. Isso gera um pouquinho de angústia, né? Ela não tem muito controle sobre o que está acontecendo porque não é reversível.
Essa especialidade acaba tendo um pouco de psicologia junto, né? Tem que ter, tem que ter. E pior que a gente conversa tanto aqui de outras que já me vêm na cabeça, como, por exemplo, do doutor Alexandre, que tem essa parte também, né? O paciente às vezes recebe uma notícia ali que é difícil de vocês darem essa notícia, é difícil de lidar, é difícil às vezes de... não sei qual que é a melhor palavra para usar nesse momento, né? Vocês têm que ter muita... Nossa, acho que com o tempo consegue, né? A gente tem que... acho que todo médico tinha que estudar um pouquinho de psicologia porque realmente tem que dar um conforto para a paciente, tem que explicar direitinho, tem que dar um apoio e tem que saber manejar essa paciente para que ela veja que aquilo não é a pior coisa do mundo, não é? Aconteceu, não é legal, mas ela tem uma vida inteira pela frente. Sim, porque até quando é uma notícia de uma doença, por exemplo, tem doença que não tem cura, mas às vezes tem que olhar por esse lado, né? É, não é fácil, né? Porque quando acontece com a gente é um baque, mas a gente sempre tem que tentar ir pelo caminho, poxa, pensar numa coisa legal, né? Pelo menos não foi alguma coisa mais grave, vamos seguir em frente, né? Hoje tem aí o óvulo doado que dá para a gente fazer fertilização in vitro, né? Com o óvulo doado.
Isso mesmo para quem já teve a menopausa precoce tem alguma forma de... Tem, tem. Para quem já entrou na menopausa precoce já dá para resolver dessa forma. Dá para fazer uma fertilização in vitro com o óvulo doado, né? Com uma reposição hormonal durante a fase.
E aproveitando também a sua especialidade no currículo, até falei sobre essa questão da reprodução, que você é especialista, é recomendado que mesmo alguém sem diagnóstico, sem ninguém na família sobre menopausa precoce faça o congelamento? O congelamento, eu falo assim, que é um seguro de saúde para qualquer mulher, né? Então você está ali acompanhando com o seu ginecologista e você vê, ele te alerta que os seus hormônios não estão legais, o ideal é que você faça esse congelamento até 35 anos, né? Que a gente sabe que depois dos 35 anos essa reserva ovariana cai mais rapidamente, né? Então a mulher ela tem aquele período que ela tem muita facilidade de engravidar até os 28 anos, então que ela está na alta da fertilidade dela. Dos 28 aos 35 anos tem um platô e depois cai. Então o ideal é que ela fique de olho, né? Converse com o seu ginecologista, faça esse acompanhamento de reserva ovariana, tem um hormônio chamado hormônio antimaleriano que a gente também pode pedir nessas situações que também falam sobre como está a reserva ovariana dessa paciente e a gente orientar qual que é a melhor época dela fazer esse congelamento.
Mas o ideal é que seja antes dos 35 anos. E o congelamento serve para uma possível vontade de engravidar? Sim, para fazer uma fertilização in vitro lá no futuro. É o seguro de vida, não quero engravidar agora, tenho 35 anos.
Chegou lá nos 40, agora eu quero, 39, 40, agora eu quero. Vamos descongelar aqueles óculos, que aqueles óculos têm a idade do congelamento, né? Isso é importante, porque dos 32 aos 40 esses óculos vão envelhecendo. Então os óculos congelados têm aquela idade.
Então a gente sabe que antes dos 34 anos, se está tudo bem com a mulher, os hormônios normais, ela não está numa menopausa precoce, a chance dela engravidar aqui vai ser maior do que a chance dela engravidar aqui com 40. Tá. E aí tem um período também que congelado dura ou não? Não, não.
Congelado? Congelado, tá congelado? Tá congelado, não tem um período assim que fala, ah não, congelou 10 anos, vamos ter que jogar fora, não. Acho que a gente pode fazer inclusive um episódio só sobre isso, né? É interessante. Porque agora vieram várias dúvidas, não é um assunto muito conhecido, e justamente por conta dessa idade que você disse, que o ideal é que seja até os 35, às vezes a idade vai passando, igual pra mim, falo como exemplo, parece uma coisa tão distante isso, essa necessidade, que a pessoa nem pensa, nem sabe direito como funciona, qual que é a melhor época.
Sim, sim. Precisa ser mais falado mesmo. Precisa ser mais divulgado, mais falado, porque hoje em dia as mulheres têm filho mais tarde mesmo.
Então, eu acho importante esse recado pras mulheres, né? Fica de olho, acompanha com seu ginecologista, pede pra avaliar sua reserva ovariana, pra ter um melhor manejo nessa questão de preservação da fertilidade. Inclusive, então já deixem comentários, se vocês gostaram dessa sugestão de tema, pra gente trazer a Dra. Juliana pra falar sobre a reprodução, né? Esse seria o título da reprodução, né? Isso.
Agora, só queria aproveitar esse tempo pra gente falar um pouco sobre mitos e verdades que eu separei, porque às vezes é uma dúvida que a gente pode esclarecer. Menopausa precoce só acontece com mulheres acima dos 35 anos? Isso era o que estava no top 1 de perguntas, mas isso que a gente falou da idade a partir menos dos 40. Menos dos 40, o que eu vejo é a partir dos 32 anos.
Mais jovem, pode ser até que aconteça, mas eu acho que é mais raro. Tá. De, por exemplo, 20 e poucos anos, nunca houve nenhum caso.
Nunca. Aí seria outro problema, né? Exato. Na investigação.
Menopausa precoce é rara, mas real? 30% da população pode ter. Não é raro, né? Não é raro. Se ainda menstruou, não pode estar na menopausa precoce? Errado.
Na verdade, assim, ela pode estar no climatério, né? Prestes a entrar na menopausa. Então, mas vai ter que fazer o diagnóstico diferencial pra ver por que que não tá menstruando, por que que tá com irregularidade menstrual. Mas se ela tá menstruando irregular, tem que acender a luzinha.
Pode ser uma outra causa, mas pode ser também que... Exato. Então, não quer dizer que tá menstruando... Ah, eu tô menstruando regularmente. Tem paciente que chega, eu tô... Estava menstruando regularmente, não tive alteração do meu ciclo menstrual.
Mas faz uns três meses que eu não menstruo mais. Pode acontecer. E aproveitando essa parte do que você citou de novo agora do menstruar regularmente, né? Essa frase.
O que seria regularmente? É cravado mesmo em um dia ou tem uma margem de erro ali? Tem uma margem de erro, né? Normalmente a gente fala de 28 dias, né? Mas tem uma margem aí de 25 até 32. Cada mulher ela tem ali o seu ciclo. Entre 25 e 32 seria regular ainda? Regular.
Ciclos de 20 dias totalmente irregular. Irregular. É, porque ele tá curto, ele tá muito curto.
Ou muito longo. Ou muito longo. Aí quando tá dando 40 dias, aí tá muito longo.
Mas normalmente, o que é normal pra uma mulher é 25 até uns 30 e poucos dias. Mais que isso não é fisiológico. E a quantidade também influencia? Aquela mulher que começa a menstruar muito, começa a menstruar pouco.
Isso você falou do pouco, né? Mas se tá regular, mas muda só a quantidade, isso também é um sinal de alerta? É um sinal de alerta também. Porque ela pode começar a ter um fluxo menor nesse período também. Uma quantidade de sangramento menor, às vezes mais escurecido, que você vê que não é um sangramento normal.
Porque hoje em dia a gente sabe, né? Primeiro e segundo dia, principalmente segundo dia, muito. E aquele vermelho bem vivo. Depois continua aquele vermelho vivo e lá no quinto dia ele vai escurecendo, porque já é um sangue mais metabolizado, então ele fica mais marronzinho.
Agora, se ela menstruou aqui, no primeiro dia, um sangramento vivo, no terceiro dia já não tem quase nada, alguma coisa tá estranha. Ou se ela começou ali já com um fluxo mais escurecido, parecendo um borrinha de café, e durou três dias, aquele também tem alguma coisa errada. É, e é pior que precisa muito analisar.
Por isso que é uma importância do acompanhamento, porque nas fases isso vai mudando, né? As pessoas mais novas, como eu usei de exemplo, né? Por algum motivo ele vem diferente, dá uma dor de cabeça no final, isso é muito comum também, aquela dor de cabeça forte no final do ciclo, mas isso desde o ciclo normal, né? Sim, sim. Lembrando que esse padrão de menstruação, que a gente falou de fluxo menor, é sem usar anticoncepcional, porque a gente sabe que quem tá usando anticoncepcional, o fluxo diminui mesmo, né? Uhum. Menstrua bem menos.
Sim, com a pausa, lembra que você tá dizendo? Isso, na pausa do anticoncepcional. Que a pausa, na verdade, não seria uma menstruação, né? Não foi essa uma vez que você falou? Isso. Até deu um episódio sobre isso.
É, e eu comentei aqui no início. Porque a pausa, quando você faz a pausa do anticoncepcional, você tem um sangramento pela privação do hormônio. Uhum.
Então, não é um sangramento normal, não é uma menstruação normal. Uhum. É pela privação.
Nossa, isso eu acho que é um grande mito pras pessoas, porque todo mundo que toma o anticoncepcional, acredita que é uma menstruação mesmo, né? É, não é. Quando faz a pausa. Não é. Se ainda menstruo, cadê? Esse a gente já falou? Se ainda menstruo, não posso estar na menopausa precoce. Ah, esse é o que a gente falou agora.
Reposição hormonal é proibida em todos os casos? Não tem que fazer reposição hormonal. Tem algum caso que é proibido? Tem quando tem contraindicação, né? Por exemplo, pressão alta, casos de derrame, trombose. Pressão alta? É. Aí tem contraindicação.
Entendi. Trombose que a pessoa já teve... Já teve algum evento trombembólico, tipo uma trombose nas pernas. Ou já teve um AVC.
É contraindicado. Tem, por exemplo, um lúpus eritematoso sistêmico. Também é. Tem trombofilia.
Também é contraindicado. Então, tem as contraindicações bem específicas da reposição hormonal. Entendi.
Menopausa precoce sempre causa infertilidade imediata? Imediata, não. Porque ela ainda tem uma quantidade ali de óculos remanescentes. Mas diminui muito a chance de engravidar naturalmente, sendo necessário, nesses casos, uma FIV.
Tem algum risco no sentido de já estar nesse processo e acabar engravidando, não sabe? Sim, quando ela está antes da última menstruação. Ah, daquele que você citou. Que é aquele climatério.
Ah, e aí vai entrar nos riscos que você já mencionou. Exato. Aí entra nos riscos de uma menopausa dos 50 anos, acima dos 40 anos.
A menopausa precoce pode ser causada por tratamentos médicos? Sim, pode. Por exemplo, uma cirurgia, uma hiatrogenia numa cirurgia, onde teve que se... foi lá tirar alguma coisa, mas acabou perdendo o ovário, por exemplo. Pode ser causado.
Mas aí a gente tem que avaliar bem, né? Porque às vezes essa mulher passou por um sangramento intenso, né? Tá com útero sangrando, ovário sangrando. Às vezes tem que tirar porque senão ela vai morrer de hemorragia. Tem que ver o risco-benefício, né? Mas eu vejo em menor quantidade essa menopausa hiatrogênica.
Por quê? Porque o médico sabe que ali é um ovário, né? Dificilmente ele vai tirar. É diferente de você lesar um ureter, por exemplo, numa cirurgia ginecológica, que o ureter ele fica muito bem escondidinho. A gente tem que secar para achar aquele ureter.
A lesão de ureter é muito mais comum do que uma lesão de ovário. Entendi. E eu falei, quando eu estava lendo aqui tratamentos médicos, a gente pensou numa coisa mais grave, né? Até o exemplo que está aqui é quimioterapia, radioterapia.
Mas e tratamentos médicos estéticos, por exemplo, né? Porque não é aquela coisa necessária para a pessoa viver, igual você falou que às vezes um sangramento ou um tiro, a pessoa morre. Exato. Mas tem alguma coisa estética, alguma coisa não obrigatória para aquela pessoa que pode colocar em risco? Não.
Essa questão da menopausa? Não. Até tratamentos em clínicas, né? Que a gente fala biomédicos que oferecem algum tipo de laser, essas coisas não influenciam, né? Não, porque o laser ele não tem uma penetrância tão grande assim para chegar até lá. Essas coisas mais superficiais.
Exato. Só mulheres com histórico familiar têm menopausa precoce? Não. Ela pode ter uma doença autoimune e ter uma menopausa precoce, né? Ela pode ter uma doença genética, como síndrome do X frágil, síndrome de Addison, Turner e também... Mas é mais comum com o histórico familiar genético? É comum com o histórico familiar, tá.
Menopausa precoce afeta o coração e os ossos? Sim, se não tratado, né? Porque lembra que a gente falou que o estrogênio ele tem uma queda e o estrogênio ele é protetor cardíaco e protetor do osso. Quando a gente entra na menopausa precoce, a gente tem uma aceleração da perda de massa óssea. Então lá na frente ela pode ter uma osteopenia, uma osteoporose e ela perde aquela proteção cardíaca, ficando mais propensa a desenvolver doenças cardiovasculares.
Então sim, por isso que tem que fazer a reposição hormonal. E isso é rápido? Por exemplo, começa a menopausa, se não fizer a reposição já, precisa ser urgente a reposição? Isso que eu quero dizer. Ou é com o tempo que essas doenças podem aparecer? Algo bem longe assim do início da menopausa? Aí depende de mulher para mulher.
Se essa mulher já for uma mulher que tem baixa massa muscular, ela já não tem tanta proteção dos ossos. Se ela já está com uma vitamina D mais baixa, por exemplo, uma vitamina D de 19, de 15, ela já não está metabolizando bem, absorvendo bem aquela vitamina D para manter o osso dela mais forte. Então depende um pouquinho de cada caso.
Mas assim, menopausa precoce, se não tem contraindicação, começa a reposição hormonal assim que tiver o diagnóstico. E da menopausa normal também deve começar? Na menopausa normal a gente até faz o diagnóstico antes do clematéria e começa antes mesmo. Ah, que legal.
Para já entrar... Aí os sintomas também são mais leves, doutora? Quando a menopausa é precoce? Na normal, por exemplo. Você faz o exame ali, sabe quando vai acontecer, já está na idade de acontecer mesmo. Começa a fazer a reposição, passa pelo período mais tranquilo? Passa pelo período mais tranquilo.
Mas o engraçado é assim, que cada mulher é única, né? Então tem mulher que entra na menopausa e não tem um sintoma. Nossa. É possível não ter nada? É possível não ter nada.
E tem mulher que entra na menopausa antes mesmo do clematéria e já está com todos os sintomas. Eu tenho paciente que às vezes chega no consultório e eu falo, mas 60 anos, você fez reposição hormonal? Não, não fiz porque eu passei a minha menopausa tão tranquila. Mas você não teve nada? Não, nunca senti nada.
Que bom, né? Mas é difícil mesmo, porque até eu falei, desde novinha eu já vejo essa fome. Eu acho que a primeira menstruação eu já tinha medo da menopausa. De tanto que falavam.
Que eu escutava, né, igual tia, avó, mãe, todo mundo falando da temida menopausa. Então, acho que... Mas hoje em dia, é que teve uma época aí no passado, que teve a hormoniofobia, né? Que teve um trabalho grande aí, que não foi bem interpretado e falou que o hormônio estava associado ao câncer de mama. Mas esse trabalho é um trabalho gigante, que hoje em dia já se analisaram, já tem várias vertentes esse trabalho, e não é bem assim.
Então, na fase que esse trabalho estava sendo feito e acabou de sair, então, ele estava muito relacionado com o câncer de mama. Então, aquelas mulheres naquela época, o médico nenhum passava reposição hormonal, ou ela não queria porque ela tinha medo do câncer de mama. Mas hoje em dia a gente já vê que não é bem isso.
Entendi. Menopausa precoce causa apenas sintomas físicos? Não, porque eu acho que está falando da ansiedade. De exemplo, ansiedade, depressão, baixa autoestima.
É, os psíquicos também, baixa autoestima. Sentimento de perdão. Até depressão? Sintomas depressivos.
Para quem já tem uma predisposição a ter depressão, nossa, piora. Nossa. Até quem não tem, você se sente mais, sabe? Mais assim, triste.
Independente de ser precoce ou não também, se for no tempo... Exato, independente de ser precoce ou não. Nossa. Depois que passa esse período também, volta ao normal? Ou depende se não fizer reposição? Depende se não fizer reposição hormonal.
Importante destacar, então. Toda mulher com menopausa precoce precisa de tratamento hormonal? Sim, se ela não tiver contraindicação para reposição hormonal, sim. É possível engravidar com óvulos doados após a menopausa precoce? Sim, é possível.
Doado, então, é como se fosse uma barriga de aluguel? Não, na verdade, o doado é assim. Existem os bancos de óvulos, né? Que a mulher que fez tratamento para engravidar, por exemplo. Ela não tinha problema com ela, problema era o marido.
E ela fez lá o estímulo hormonal dela e ela teve óvulos excedentes, muito. Ela pode deixar no banco de óvulos para doar, como doação. Então, são óvulos de mulheres mais jovens que passaram por tratamento e que ela deixou ali para serem doados.
Hoje em dia, a gente tem óvulos de banco de óvulos que pode vir de fora, né, também. Porque aqui a gente não tem essa regulamentação para, eu quero doar meus óvulos, eu vou ali, dou e ganho dinheirinho. Lá na Europa, não.
Aqui é sem fins lucrativos, na Europa, na Espanha, por exemplo. As pessoas vendem para ganhar dinheiro? As pessoas ganham para doar os seus óvulos, né? Eu já vi gente falando que daqui do Brasil que doa para fora é para ganhar dinheiro, inclusive, né? É, pode ser que tenha. Nossa, mas é meio clandestino o negócio.
De repente, se ela tem uma cidadania, dupla cidadania e vai lá no país dela, por exemplo, se ela tiver uma cidadania italiana, aí tudo bem. Gente, e não tem nenhum prejuízo para a mulher que doa? Não, não tem. Ela vai repor ali, a pessoa que... É, normalmente são mulheres mais jovens que doam esses óvulos, né? Até 35 anos, até 34 anos, né? É a doadora que a gente diz que é uma doadora boa, né? Depois dessa idade, nem recebem óvulos de mulher mais velha.
Entendi. Mas, se ela não está tendo... Se esses óvulos foram frutos, por exemplo, de uma fertilização que foram excedentes, ela engravidou, já tem os filhos dela. Não vai mudar nada.
Não vai mudar nada. E a pessoa que teve amenopausa precoce, ela vai receber esse óvulo e ela mesma vai engravidar na barriga dela? Na barriga dela. Esse óvulo vai ser feito.
Uma fecundação in vitro no laboratório com o espermatozoide, com o semen do marido. E aí, quando o embriãozinho forma, ele é colocado dentro do útero dessa mulher. E aí, ela vai engravidar.
Lógico que ela tem que ter um aporte ali hormonal para segurar essa gravidez, né? Já que ela já está na amenopausa. Mas, dá para engravidar e dá para ter o filho com óvulo doado. É difícil hoje não ter solução para alguma coisa, né? Então, já dá um alívio para quem recebe essa notícia, né? Sim.
Não menosprezando, diminuindo de forma alguma quem passa por isso. Mas, pelo menos tem uma pontinha ali de esperança, né? Sim. De resolver de alguma forma.
Tem uma chancezinha. É que existe muito tabu ainda entre os casais, sabe? Tem mulher que não quer receber o óvulo. Por ser de outra mulher.
Por ser de outra mulher. Entendi. Às vezes, o casal acha que não era para ser, não era.
Mas, eu acho que é muito legal, né? Você tem ali uma pontinha de esperança mesmo. Por que não? É porque hoje está tudo muito avançado. Como eu falei, a gente ficaria uma hora só falando disso, né? Dessas técnicas.
E é muito legal ter tantas opções para quem precisa de alguma forma, né? Sim. Menopausa precoce é a mesma coisa que falência ovariana precoce? Sim, é a mesma coisa. Mesma coisa.
São sinônimos. Tá. Alimentação e estilo de vida influenciam a saúde na menopausa precoce? Muito.
Muito. Não que vai evitar, né? Aquilo que a gente... Não vai evitar. Mas, assim, a menopausa precoce pode ser causada pelo estresse oxidativo de um estilo de vida ruim.
Alimentação, de não se exercitar. Pode vir mais rápido. Sim.
Menopausa precoce não deve ser tratada porque é natural? Não, tem que ser tratada. A gente falou até agora sobre isso. Agora o último, doutora.
Falar sobre menopausa precoce ajuda a quebrar o tabu e acolher mais mulheres? Sim, com certeza. Porque as mulheres, elas têm que ter essa visão de que pode acontecer, de que existe. E que é muito importante que ela vá ao ginecologista e converse sobre isso, né? E não só fazer seus exames de rotina.
Poxa, conversa. Olha, eu tô com tantos anos, quero checar todos os meus hormônios, minha reserva ovariana. Ela tem que ter essa visão, né? De que isso vai ser bom pra ela lá no futuro.
Sim. Porque ela pode se precaver e fazer um congelamento de óvulos, por exemplo. O próximo, então, já tá aí na... Sim, a gente pode falar sobre isso.
O próximo que a gente falar. Doutora, muito obrigada pelo episódio hoje. Obrigada, Letícia.
Foi um papo muito legal, muito esclarecedor. Pra quem acompanhou até aqui, teve alguma dúvida relacionada a esse assunto, pode deixar nos comentários que a gente tá sempre vendo, sempre acompanhando. Ou pode mandar também direto pra doutora Juliana Mato.
Quer passar as suas redes sociais, doutora, alguns sites? Sim, Instagram é arroba doutora Juliana Mato. O YouTube é aqui no nosso canal. Isso aí.
E o doutora é o DRA só, né? No Instagram. DRA. DRA.
Tá, a gente vai deixar o link, então, pra quem quiser acessar direto. Pode mandar as dúvidas lá, né? Pode. Pode mandar as dúvidas lá que eu respondo.
Muito obrigada. Obrigada. E até a próxima já nós juntos que a gente falou.
Se você gostou da sugestão, já manda aqui pra gente também que a gente já marca a próxima data pra trazer a doutora Juliana de novo. Mais uma vez, obrigada. Até a próxima, doutora.
Obrigada, até. Pra você que acompanhou até aqui, não deixe de curtir, comentar e compartilhar que é muito importante pra que a gente continue trazendo os nossos especialistas em qualidade de vida. Muito obrigada e até a próxima.
Tchau.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.