O Dr. Alexandre Amato apresenta uma sequência de suas pesquisas brasileiras sobre lipedema, destacando a evolução do conhecimento e as ferramentas desenvolvidas
Esse tem um questionário em que a gente avalia o quanto a doença está incomodando o paciente. Isso é muito importante para avaliar a fase inflamatória, se ela está piorando, melhorando, se o paciente tem uma resposta ao tratamento ou não.
Ela é prevalente e as pessoas não estão fazendo diagnóstico. Então eu preciso de algo que dê uma alerta, que fale, olha, fique atenta que você pode ter o lipedema. Um questionário de rastreamento, ele não vai dar o diagnóstico, fala, você tem o lipema ou não, não tem.
Porque o objetivo no tratamento do lipedema não é um só, cada mulher vai ter um objetivo diferente. Em primeiro lugar, a gente tem que colocar a mobilidade como mais importante, em segundo lugar, a melhora dos sintomas, os sintomas inflamatórios, como a dor, sensibilidade ao toque, enchaço, os roxos, tudo isso diminui a qualidade de vida e tem que ser melhorado.
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Olá, sou Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular do Instituto Amato e hoje eu vou falar sobre os artigos publicados aqui no Brasil, sobre o lipedema. Algumas pessoas que seguem aqui o canal sabem que eu sou cirurgião vascular, mas eu sou pesquisador também do tema lipedema, é um tema que eu adoro. Aqui eu estou com cinco artigos científicos que eu publiquei sobre o lipedema. Tem mais saindo do forno. Vou colocar um link aqui embaixo para quem quiser ver isso que eu tenho para mostrar, mas eu queria comentar sobre a evolução, porque tem um racional por trás de tudo isso, a evolução do porquê, essa sequência de artigos e o que eu prevejo no futuro. Em primeiro lugar, a gente publicou alguns questionários de identificação e avaliação sintomática do lipedema. Por que eu publiquei o artigo de avaliação sintomática do lipedema? Esse tem um questionário em que a gente avalia o quanto a doença está incomodando o paciente. Isso é muito importante para avaliar a fase inflamatória, se ela está piorando, melhorando, se o paciente tem uma resposta ao tratamento ou não. O que a gente mede, a gente consegue melhorar. Por isso que eu considerei esse um dos principais, eu tinha que começar com esse questionário. Aí a gente fez esse questionário aqui de rastreamento, de identificação. Se é uma doença tão prevalente, por que a gente precisa de uma ferramenta dessa? Ela é prevalente e as pessoas não estão fazendo diagnóstico. Então eu preciso de algo que dê uma alerta, que fale, olha, fique atenta que você pode ter o lipedema. Um questionário de rastreamento, ele não vai dar o diagnóstico, fala, você tem o lipema ou não, não tem. Mas ele consegue falar, olha, fique atenta que você tem um alto risco de ter lipedema, é bom procurar ajuda especializada. Esse é um questionário legal, porque pode ser aplicado de forma online. Eu vou colocar aqui embaixo um link, se você tiver alguma dúvida, quiser saber a sua probabilidade de ter o lipedema, não vai conseguir falar tem ou não tem, mas ele vai conseguir falar a sua probabilidade. É só responder esse questionário. Então tem toda a parte científica dele, para quem gosta pode ler, mas tem a parte prática que pode ser utilizada. Eu me deparei com um problema muito grande. O lipedema, o diagnóstico é clínico, através da conversa com o paciente e do exame físico. E eu percebi que a gente precisava de algo mais objetivo para mostrar o diagnóstico do lipedema. Embora existisse no passado alguns trabalhos mostrando o diagnóstico com o DEXA, o diagnóstico com a tomografia e com a ressonância, um aparelho que está amplamente disponível, é extremamente fácil de encontrar, é o ultrassom. E eu fiquei imaginando por que ninguém usa o ultrassom para fazer o diagnóstico do lipedema. Então aí a gente fez essa pesquisa aqui, o ultrassound, que *Criteria for Lipedema Diagnosis*, foi publicado, esse aqui é meu orgulho, porque foi publicado numa revista de altíssimo impacto internacional. Então o mundo inteiro pode estar utilizando agora os critérios que a gente criou para o diagnóstico do lipedema através do ultrassom. Então eu vou colocar também aqui embaixo o link para quem tiver o interesse em ler sobre isso. Aqui nesse artigo tem as áreas em que o lipedema pode acometer a mulher. Tem foto também da doença, muitas vezes as pessoas pedem foto de lipedema, tem coisa que eu posso ou não posso mostrar nas mídias sociais, mas aqui no artigo científico a gente consegue mostrar muita coisa. Aqui tem uma perna aqui com lipedema e as áreas de deposição de gordura acometida pela doença. Então esse é um artigo que eu tenho muito orgulho de ter desenvolvido, junto com vários colegas aqui também sozinhos, ninguém faz sozinho um trabalho científico, isso tem que ficar bem claro. Esse aqui também foi um relato de caso sobre um lipedema num grau avançado, e mostra o quanto a doença impacta a vida da mulher, principalmente nas fases mais avançadas. Isso é muito importante a gente ficar atento, porque nessas fases mais avançadas vai ter associação de várias comorbidades e às vezes a gente está tratando uma coisa e não está olhando para outra, e se a gente trata tudo o impacto seria muito melhor. Agora eu estou fazendo esse vídeo para mostrar esse último artigo que saiu também em uma revista internacional de Altíssimo Impacto, que mostra o tratamento clínico conservador e o impacto positivo na vida das mulheres em contrapartida com a cirurgia. Não é que eu sou contra a cirurgia, mas eu vejo a cirurgia para o lipedema como uma ferramenta no tratamento, porque ela não vai trazer a cura, é até curioso, essa semana passou uma paciente comigo, que ela já tinha feito cinco lipospirações na perna e continuava buscando um tratamento. Ou seja, a lipospiração não tratou o lipedema, e como ela não fez o tratamento conservador, porque ela não tinha esse conhecimento, ela continuou buscando mais uma lipo, mais uma lipo, mais uma lipo, e ela vai entrar nesse ciclo se ela não fizer o tratamento conservador. Felizmente eu mostrei para ela que existe essa busca, e está que eu consegui essa publicação mostrando vários aspectos diferentes do lipedema, que podem ter uma melhora significativa na qualidade de vida. O interessante aqui desse artigo, pessoal, é que quem quiser ver foto de lipedema tem a classificação do lipedema em fotos. Todos os casos aqui foram bem documentados, tanto do ponto de vista estético, com a melhora da celulite nesse caso, como a melhora dos nódulos de gordura no tratamento conservador. A diminuição do volume das pernas também no tratamento conservador, esse aqui mais um caso onde houve a melhora não só dos sintomas, mas também a diminuição do volume até esse ponto aqui sem a cirurgia, e aqui o tratamento das comorbidades associadas ao lipedema. Então, por que eu estou mostrando tudo isso? Porque o objetivo no tratamento do lipedema não é um só, cada mulher vai ter um objetivo diferente. Em primeiro lugar, a gente tem que colocar a mobilidade como mais importante, em segundo lugar, a melhora dos sintomas, os sintomas inflamatórios, como a dor, sensibilidade ao toque, enchaço, os roxos, tudo isso diminui a qualidade de vida e tem que ser melhorado. E a parte estética também tem que ser melhorada, mas ela não vai entrar como prioridade máxima. Então, a gente tem que elencar de forma racional tudo isso, porque muitas vezes buscar tudo ao mesmo tempo não é produtivo, você não vai conseguir o melhor resultado em nada. E aqui eu tenho um sexto trabalho, esse aqui falando se o lipedema é uma entidade única, essa é uma doença única, essa aqui é bem teórica, mas a ideia foi criar esse gráfico que mostra a evolução da doença, que mostra os ciclos inflamatórios de piora e melhora da doença e a deposição de gordura. Isso separa o tratamento em três fases. A primeira fase é de melhora inflamatória, a segunda fase é de autoconhecimento e evitar os gatilhos inflamatórios, e a terceira fase sim é de diminuição de volume. Esse artigo é tão interessante que eu fui chamado para apresentar no Congresso Americano de Lipedema. E realmente um mundo paradigma de tratamento, porque a literatura coloca a cirurgia como ferramenta principal, mas na verdade a cirurgia é apenas algo que tem que ser usado ou melhor pode ser usada em um determinado momento do tratamento. Por quê? Porque se você faz o tratamento cirúrgico, diminui o tecido gorduroso, você não está influenciando esse ciclo inflamatório, o gatilho inflamatório pode continuar lá, e aí você vai manter essa inflamação crônica de baixo grau, que vai apresentar sintoma em outro órgão. Pode ser que não apresente mais lá no Lipedema, porque não tem mais a gordura. Existem vários trabalhos anteriores que mostraram que essa gordura femoral, essa gordura de membros inferiores, ela é protetora de determinadas doenças que são desencadeadas pela inflamação. Então, só o fato de tirar a gordura você não está tratando a doença, você pode diminuir os sintomas por causa disso, mas aquele ciclo inflamatório vai continuar acontecendo. Então, todos esses trabalhos científicos aqui que eu criei, fiz parte, e conseguimos publicação internacional, desenvolvem um racional para doença, mas não parou aqui, a gente tem muita coisa ainda sendo desenvolvida, de forma que eu convido você a participar de pesquisa científica. Eu vou colocar um link aqui embaixo na descrição, que é um cadastro para pessoas que tenham interesse em participar de algum tipo de pesquisa. Existe a Associação Brasileira de Lipedema, que a gente tenta buscar captar recursos para desenvolvimento de pesquisa no assunto, pesquisa brasileira, mas a gente precisa de gente disposta a participar disso. Pode ser desde um questionário simples ou pode ser também algum tratamento. Então, essa sequência também é importante, porque até agora eu pesquisei sobre o diagnóstico, sobre como mensurar a doença, obviamente o próximo passo vai ser o tratamento. Isso já está em andamento e eu pretendo mostrar para vocês um bom resultado em breve. Gostou do nosso vídeo? 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Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.