Hematomas são coleções de sangue fora dos vasos sanguíneos, geralmente causadas por lesões na parede vascular. Na pele, são popularmente chamados de pancadas e
Seja bem-vinda ao programa. Tudo bom, bom dia, obrigada pelo convite.
Então, os hematomas, por definição, eles são coleções de sangue presentes fora dos vasos sanguíneos. Então, por isso, ele pode acontecer em qualquer parte da pele ou também em outros órgãos internos. Eles, normalmente, ocorrem em consequência de uma lesão da parede vascular.
Eu queria que você falasse pra gente, então, um pouquinho sobre essas cores.
Eu queria que você explicasse pra gente, doutora Laura. Isso é bem interessante. A diferença na coloração é relacionada ao tempo de evolução desse hematoma.
Porque às vezes a gente dá uma pancada e nem sabe onde é que foi e de repente alguém aponta o que foi isso no seu joelho. Daí você olha e fala, nossa, nem tinha reparado.
Fique por dentro, entrevista. Hoje recebemos a Laura Silveira, ela que é dermatologista da Mato Instituto de Medicina Avançada, vai conversar com a gente, tudo bom doutora Laura? Seja bem-vinda ao programa. Tudo bom, bom dia, obrigada pelo convite.
Nós que agradecemos a senhora ter aceito aqui o convite e estar conosco para falar sobre hematomas, pelo próprio nome, a gente já percebe que tem a ver com sangue, né? O que são os hematomas e o que os causam? Então, os hematomas, por definição, eles são coleções de sangue presentes fora dos vasos sanguíneos. Então, por isso, ele pode acontecer em qualquer parte da pele ou também em outros órgãos internos. Eles, normalmente, ocorrem em consequência de uma lesão da parede vascular.
Isso gera passagem da célula sanguínea para os tecidos. Então, quando ocorrem na pele, são chamados de pancadas, popularmente. Mas a depender do tamanho, tecnicamente, eles podem ser classificados em equimoses, pepecas e púlpuras.
Uau! Sim, sim. Continua, Laura. Pode falar.
E assim, eles podem gerar manchas, justamente por conta da decomposição da hemoglobina. Já que ela é formada por ferro, quando elas estão presentes na pele, elas podem manchar, especialmente se o paciente não tiver certos cuidados. Então, doutora Laura, vamos voltar a esses nomes que a senhora falou pra gente.
Repete, por favor. A pancada mais comum, você pode chamar de equimose, especialmente se ela tiver mais de um centímetro. Certo.
Quando ela é menorzinha, pode ser chamada de púlpura. E aqueles pontinhos bem pequenos, eles podem ser chamados de pepecas. Certíssimo.
Bom, púrpura já lembra o roxo, né? Eu queria que você falasse pra gente, então, um pouquinho sobre essas cores. Por que que às vezes fica roxo, às vezes fica vermelho, às vezes fica amarelo, tem vezes que fica preto? Quando que a gente dá pra saber se a pancada foi mais forte, tem a ver com a cor? Quando é que a gente sabe que tá melhorando, vai ficando de que cor? Eu queria que você explicasse pra gente, doutora Laura. Isso é bem interessante.
A diferença na coloração é relacionada ao tempo de evolução desse hematoma. Então quando o sangue sai pra pele, ele tá com a hemoglobina cheia de oxigênio. Então por isso ele é bem vermelhinho.
Certo. À medida que esse oxigênio vai sendo perdido, ele vai se tornando azulado, preto. E aí a partir daí outros subprodutos são gerados.
Então depois do preto, normalmente vem o verde. Por quê? Porque é gerado um produto chamado biliverdina. Certo.
E posteriormente é gerado um produto mais amarelado, que é a bilirubina e a hemociderina. Então mais ou menos que a gente chama isso de espectro equimótico. É justamente o tempo que leva pra essa hemoglobina ser metabolizada.
Então dá pra saber mais ou menos quanto tempo tem aquele hematoma a partir da cor que ele está. Que interessante, doutora Laura. Pra gente é um mundo diferente esse, né? Porque às vezes a gente dá uma pancada e nem sabe onde é que foi e de repente alguém aponta o que foi isso no seu joelho.
Daí você olha e fala, nossa, nem tinha reparado. Daí vai passar a mão e tá doendo, né? E às vezes são mais graves e você nunca esquece, na verdade, a dor que você sentiu e o porquê tá daquele jeito, né? E doutora Laura, quando a gente faz um machucado, né? Dá uma pancada, enfim, cai de uma escada, fica aquela dor e aos poucos a gente vai vendo toda essa coloração que você falou pra nós. Quando que isso dói? Quando que isso passa a ficar daquela cor que chega a assustar, mas já não tá mais doendo? Na verdade, o que a gente percebe é que no momento da pancada você só vai sentir a dor local e um certo inchaço.
Porque o sangue ainda não vazou completamente para o seu filho. Depois de um tempo ele vai ficando ligeiramente rosado, avermelhado e posteriormente, em geral, mais ou menos, em torno de dois, três dias, é que vai ficando das cores do espectro equimótico mesmo. A partir do vigésimo segundo dia, em geral, já tá desaparecendo essa lesão.
Em torno de sete, tá mais ou menos amarelado, verdeado. Isso, lógico, vai ter as diferenças individuais de cada indivíduo. Mas é mais ou menos assim que segue a ordem.
Que interessante, Laura. Eu tava falando aqui com a minha companheira que apresenta o programa e como nós somos muito branquinhas, quando a gente se machuca fica logo assim a amostra. É a questão de a pele ser mais clara e aparecer mais ou podem ter peles que os machucados acabam sendo mais intensos e outras não? Justamente os pacientes mais claros, que tem um fototipo que a gente chama mais claro, pelo contraste com a hemoglobina, as lesões são bem mais evidentes.
Num paciente com o fototipo mais alto, quer dizer, que tem uma coloração de pele um pouco mais escura, esse contraste fica um pouco camuflado, mas mesmo assim dá pra perceber a diferença. Certo, doutora Laura. E os senhores, as senhoras, as pessoas aí que passaram dos 60 anos, 70, quando vai ficando assim com mais idade, os 80, os nossos avós, a gente percebe que eles o tempo todo estão machucados.
Qualquer batida, qualquer lesão, fica às vezes um roxo gigantesco na pele e muitas vezes eles falam que nem sabem quando aquilo aconteceu e tudo mais. Então, nas peles dos bebês e das pessoas com mais idade, as pancadas geram talvez uma coloração maior, os vasos sanguíneos talvez jorrem mais sangue, como é que funciona isso? Nos idosos, existe uma entidade que a gente chama de púrpura semil, justamente porque a pele do idoso, ela parece um papelzinho, ela é muito fina, então ela tem pouca sustentação, isso justamente pela perda do colágeno. Então, esses vasos, eles ficam mais vulneráveis a traumas, a gente chama isso de fragilidade capilar.
Às vezes, alguns pacientes usam medicações que promovem isso, às vezes o uso de corticosteroides, o uso de ácido acetil califílico, algumas medicações que chamam de cumarínicos, deixam os pacientes mais susceptíveis à presença desses hematomas e dessas pancadas, mas é justamente pela perda da estrutura que protege os vasos. Interessantíssimo, doutora Laura, tirando várias dúvidas de todos nós hoje nessa manhã. E eu queria te perguntar também a respeito de algo que é difícil, quando a gente leva aquela pancada, fica aquela cor escura, vai demorando para sair e a gente estava comentando hoje aqui no comecinho do programa, que teve um jogador que jogou mesmo tendo aquela pele extremamente roxa.
Quando a gente leva uma pancada, a gente tem que ficar de repouso durante esses dias que aconteceram, principalmente quando a pancada for grande ou não, ou a vida segue-se normalmente e aquilo vai desaparecendo aos poucos. O mais importante do repouso é logo após o trauma, justamente porque é naquele momento que o vaso está aberto e aí o sangue está saindo. Então você tem que fazer de tudo para diminuir o aporte sanguíneo para aquela região.
Então o repouso é muito importante, você gerar uma compressão, apertar aquele lugar de forma delicada, é óbvio, mas colocando um gelo, porque você vai estar tampando o sangramento e diminuindo o volume do vaso. Outra coisa, a gente pode se valer também da gravidade, se você puder elevar aquele membro, tirar ele da posição pendente, vai diminuir também o aporte sanguíneo. Então isso é importante para diminuir no momento, depois que fica roxo, na verdade, é o processo normal de degradação, não vai muito alterar se vai aumentar depois de um tempo, mais ou menos 24, 48 horas já não tem mais muito sentido, a não ser que o paciente mantenha o fator, por exemplo, é um paciente que já usa o acetil salicílico, ele usa algum cumarínico, aí ele pode ter um novo sangramento, mas frente àquele primeiro sangramento não importa muito se ele depois não está tendo repouso.
Muito importante aqui, tudo que ela está esclarecendo para a gente hoje, para quem chegou agora na nossa entrevista, estamos falando com a dermatologista doutora Laura Silveira. E doutora, então tá certo aquelas indicações que os familiares falam, né, você bateu, eles já falam assim, corre para pôr gelo, você está morrendo de dor, você só quer ficar sozinho, né, e todo mundo põe gelo, põe gelo, e você diz, só quero sentir minha dor, né, e falam, não, corre para pôr gelo, porque se não, depois não adianta. Então, até quanto tempo o gelo que você falou para a gente, colocar aí a perna para cima, depois até de quantas horas isso ainda pode amenizar aí os efeitos? Depende muito do processo de coagulação da pessoa.
Se ela tem uma coagulação normal, é uma criança, é um adulto que não toma nenhuma medicação, o mais importante é essas primeiras horas, as primeiras seis a oito horas é que pode ter um ressangramento, mas em geral você ficando em repouso a primeira hora, colocando um gelo, fazendo uma compressão, você vai evitar que aquele hematoma fique tão grande. Nos outros casos, aqueles pacientes que tomam alguma medicação que promove ressangramento ou que nasceram com algum problema já genético que diminua a coagulação, esses merecem um repouso maior. Olha, doutora, você falou de algo interessante, que já nasceram, né, daí você falou no caso sobre a recuperação do corpo, né, mas tem gente que já nasceu com algumas manchas no corpo e às vezes elas são roxas, ao que se deve isso? É, algumas, na verdade a melanina, às vezes ela se confunde um pouco, especialmente se ela tá muito profunda, ela fica naquela coagulação um pouquinho arroxeada, meio azulada, então tem manchas que a gente chama de manchas mongólicas, que são muito comuns no recém-nascido, e na verdade não tem nada a ver com roxo, isso às vezes é até confundido na emergência, alguns pediatras ficam com medo, assustados se aquela criança for agredida ou não, e na verdade é apenas uma mancha, é a melanina que quando tá muito profunda na pele, ela tem essa coloração roxeada.
Muito legal tirar as nossas dúvidas aqui com a doutora Laura Sivera. E pra terminar, doutora, eu queria que você falasse também aqui pra gente se por um acaso uma mancha pode acabar ficando aí pra sempre, sem que ela vá embora, muitos falam sobre ah, não pode tomar sol, ah, pode tomar sol, tem alguma coisa que não se pode fazer? Realmente o sol, ele estimula uma pigmentação maior, então o mais importante é você diminuir o tamanho do sangramento, algumas medidas podem ser feitas na fase aguda pra diminuir o tempo daquele hematoma, então tem alguns gés de mucopolisacarídeo, alguns gés que tem ecina, que eles parecem promover uma reação que diminui o tempo de degradação daquela hemoglobina. Fora isso, a exposição solar realmente deve ser evitada, especialmente se o paciente tem alguma ocupação que toma muito sol, a mãe deve realmente passar o filtro solar na criança, porque aquele pigmento pode se tornar fixo, especialmente naqueles hematomas muito grandes, muito profundos, que os cremes, as medidas em geral que a gente pode tentar pra tirar mancha, às vezes não consegue alcançar o pigmento quando ele é muito profundo.
Muito obrigada, doutora Laura, pelas explicações que você trouxe pra gente hoje, queria agradecer o seu tempo aqui conosco, ela que falou a respeito dos hematomas pra nós, já tá convidada pra voltar aqui, sempre trazendo esclarecimento aos nossos ouvintes. Eu que agradeço pelo convite, na verdade o que eu acho mais importante sobre o tema é alertar a população, se você tiver um trauma, aparecer um hematoma, normal, mas se você começar a estar tendo muitos hematomas, especialmente associados a sangramento, seja quando escova os dentes, nas fezes, na urina, você precisa procurar um atendimento médico pra excluir qualquer doença que pode estar diminuindo a sua colocação, que isso pode ser realmente muito perigoso. Excelente, hoje nós conversamos com a dermatologista da Mato, Instituto de Medicina Avançada, doutora Laura Sivera, eu queria agradecer pela sua companhia aqui com a gente e te esperar em outras entrevistas.
Muito obrigada, tenha um bom dia. Excelente dia, tchau, tchau. Tchau, tchau.
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.