O episódio continua a discussão sobre lipedema, focando na percepção estética e na qualidade de vida. O Dr. Alexandre Amato destaca que a doença pode ter aspect
Exato, o livro chama A Beleza do Lipedema. A ideia é mostrar que o lipedema não tem só o lado negativo, ele tem o lado positivo também. E se você não sabe disso, você vai ficar sofrendo com algo que às vezes não é pra sofrer.
Exatamente, exatamente.
Eu acho que isso é o mais legal de tudo. Como eu disse antes, né, se é ou não é lipedema, não tem como dar diagnóstico sem examinar, mas que certamente parece, parece. Sim, e a Yasmin Brunet, até de todos esses nomes que a gente vai citar agora trazendo pro Brasil, eu imagino que alguém pode até ser paciente, não sei se o senhor pode citar ou não, se é seu paciente, em alguns casos sim, ou prefere não.
É, de duas uma, né, quem faz um comentário desse, como eu estava falando, ou é homem com testosterona baixa, ou é mulher com inveja.
Porque ela é bonita, não tem como fazer uma crítica desse tipo. Agora, no caso de estar inflamada, de estar incomodada com a estética, isso é um direito dela sentir isso ou não.
Olá, meu nome é Letícia Miyamoto, está no ar mais um AmatoCast pelo canal do Instituto Amato e agradeço mais uma vez o carinho da sua audiência e participação aqui conosco para falar sobre tudo o que envolve qualidade de vida. Como prometido, já vamos direto agora ao assunto, porque no último episódio nós estivemos aqui com o doutor Alexandre Amato, cirurgião vascular, para falar sobre o lipedema, mesmo a conscientização da doença, a gente estava falando sobre casos que repercutiram na mídia, nas redes sociais e agora a gente vai voltar a falar sobre isso. Só introduzindo de novo quem é o doutor Alexandre Amato, o professor doutor Alexandre Amato é médico e cirurgião vascular e endovascular do Instituto Amato.
O especialista é doutor em ciências pela Universidade de São Paulo, atualmente faz pesquisa científica em lipedema e é presidente da Associação Brasileira de Lipedema. Além disso, é autor de diversos livros sobre saúde. Mais uma vez, bem-vindo, doutor.
Obrigado, vamos continuar a conversa que estava picante. É, a gente parou numa parte muito polêmica ali, né, falando das famosas, o que é considerado bom, o que é considerado ruim. E agora que eu citei do seu livro, acho que é importante a gente retomar essa questão da beleza do lipedema, que é justamente o nome, né? Exato, o livro chama A Beleza do Lipedema.
A ideia é mostrar que o lipedema não tem só o lado negativo, ele tem o lado positivo também. E se você não sabe disso, você vai ficar sofrendo com algo que às vezes não é pra sofrer. Exato, que a gente estava citando exemplos de pessoas que lidam bem com isso, ou pelo menos é o que dizem na mídia, mas parece que realmente lidam, né? E famosas que disseram que tem lipedema, outras que não, mas que a gente visualmente ele consegue identificar, que a gente citou o caso de uma americana, né, que parece que tem, qual que é a pronúncia do nome dela? Grace Bon, cada um fala de um jeito o nome ali dela, mas ela repercute muito nos Estados Unidos, mas também no Brasil, né? Ela parece estar muito bem com o corpo, e é um corpo que chama atenção por ter características ali do lipedema, né? Exatamente, exatamente.
E ela tá em paz com o corpo dela, né? Eu acho que isso é o mais legal de tudo. Como eu disse antes, né, se é ou não é lipedema, não tem como dar diagnóstico sem examinar, mas que certamente parece, parece. Sim, e a Yasmin Brunet, até de todos esses nomes que a gente vai citar agora trazendo pro Brasil, eu imagino que alguém pode até ser paciente, não sei se o senhor pode citar ou não, se é seu paciente, em alguns casos sim, ou prefere não.
Eu prefiro não citar o nome de paciente. Prefere não citar, mas assim, até na mídia, né, o que essas influenciadoras citam. Porque a própria Yasmin Brunet falou, depois que saiu do Big Brother, que ela tem lipedema, não tinha problema em falar sobre isso, e que estava feliz com o corpo dela ali, né, no momento.
E no próprio reality show, a perna da Yasmin repercutiu nas redes sociais, as pessoas tiravam foto e falavam, nossa, tá bem inchado, né? Então, isso foi uma característica marcante na época, né, doutor? É, de duas uma, né, quem faz um comentário desse, como eu estava falando, ou é homem com testosterona baixa, ou é mulher com inveja. Só pode ser isso, né? Porque ela é bonita, não tem como fazer uma crítica desse tipo. Agora, no caso de estar inflamada, de estar incomodada com a estética, isso é um direito dela sentir isso ou não.
Não do mundo externo, o mundo externo não tem nada a ver com isso, né? E esse é o objetivo do seu livro, né, como a gente disse em um outro episódio, é resgatar essa, a importância que a própria pessoa dá pra beleza que ela sente, não pro que as pessoas definem o que é beleza ou não. Exato. Empoderar, é que eu não gosto muito dessa palavra, mas empoderar a mulher, né? Mostrar que aquilo tá lá por uma razão, não é à toa que 12,3% das mulheres têm isso.
É muita gente, isso tem uma razão evolutiva, tem as vantagens genéticas que isso traz, e se você não sabe essas vantagens genéticas, você vai ficar só no sofrimento do aspecto ruim dela, que eu não discordo em nenhum momento, existe, né? Tem a dor, tem o inchaço, tem todas essas queixas. A estética também, pra aquelas que se incomodam, tem que ser levada em consideração. Eu não menosprezo nunca a queixa de uma mulher com lipedema, principalmente porque muitas delas passaram a vida toda reclamando disso e as pessoas não davam valor, né? Um médico atrás do outro, às vezes até familiares que não acreditam que aquilo é uma coisa que tá incomodando.
A questão é se a pessoa realmente sente um incômodo, uma dor ou qualquer sintoma que seja, ou se ela se incomoda porque as pessoas dizem que é feio. Você pegou a ferida, acho que do mundo, né? É exatamente isso, né? O incômodo é dela mesmo ou são as outras pessoas que estão criando algo pra ela se sentir incomodada. Nesse mundo atual, o mundo do Instagram, onde todo mundo só posta a foto bonita com um milhão de filtros, né? E aí você passa lá o dedo e fala, meu Deus do céu, eu sou triste, porque todo mundo no mundo é feliz e não tem problema nenhum.
Gente, tá longe de ser a verdade. É que eu não vou lembrar o nome, mas tinha uma mídia social, realmente não vou lembrar o nome, mas cujo objetivo era você recebe um alarme que você tem que tirar a foto de como você tá agora, nesse momento, sem ter filtro nenhum. Então, se você tá com o cabelo de pé, acabou de acordar, recebeu o alarme e tem que tirar a foto.
Então, aí você começa a ver a realidade de cada um. Jesus, eu já fiquei assustada aqui, só de pensar me deu até... Então, não fez tanto sucesso assim, né? Jamais. Não sei se o pessoal aí vai lembrar o nome e me escrever lá embaixo nos comentários.
Mas a ideia é legal, a ideia é legal porque não tem essa maquiagem, esses filtros que acabam levando todo mundo para uma certa depressão e ansiedade crônica. Sim. O aplicativo, acho que ele toca várias vezes ao dia e você precisa olhar para o celular e ele já tira a foto na hora.
É uma coisa assim. Eu também não vou lembrar o nome, mas eu lembro que ficou famoso. Eu fiquei com medo disso aí viralizar e eu tenho que fazer esse aplicativo também.
Mas, enfim, a gente estava citando das famosas que repercutiram. Acho que a gente também pode citar a Kim Kardashian, né? Ela diz que ela não tem nenhuma plástica ali nos glúteos, né? E ela fala que é natural, mas que chama também muita atenção, né? Vai nessa mesma linha da Grace Bom e ela diz que nunca fez nenhum procedimento, mas que... Não tinha uma foto dela equilibrando um copo atrás? Não, quando eu também achava, ou que era montagem ou que tinha muitas plásticas, né? Então, quem necessariamente tem, assim, algo que chama atenção nesse sentido de perna, de glúteo, não necessariamente tem o lipedema. É bom a gente deixar isso claro.
Olha, eu tô para ver uma que não tem de verdade. Pode ter um que não é sintomático, pode estar com o lipedema super controladinho. Mas é uma pula de lorina.
Eu acho que é legal a gente falar disso, porque tem muita gente que tem lipedema e não tem sintoma do lipedema, não tem dor, não tem inchaço, não tem nada. Ah, então não é lipedema? Como eu vejo, é um lipedema controlado. Mas isso é interessante porque essa é uma discussão gigantesca, porque lá na Alemanha, pra eles, não tem dor, não tem sintoma, não é lipedema.
E eu já entrei em discussões homéricas com o pessoal lá, porque não faz sentido a argumentação deles. A argumentação deles é, se não tem dor, não é lipedema. Ok, aí eu falo uma coisa muito simples.
Beleza, paciente tem lipedema, eu tratei sem cirurgia, tratei clinicamente, ela não tem mais dor. E agora? Ela tem lipedema ou não tem lipedema? Esse é o ponto. Aí eles ficam me olhando como se não entendessem o que eu tô falando.
Aí vocês podem falar, como que o Brasil vai argumentar com a Alemanha? Desculpa, gente, mas a gente tá bem na frente de muita coisa. E nos Estados Unidos, a visão é que existe o lipedema sem dor também, o lipedema sem sintoma. Então, existem muitas divergências ainda nesse assunto.
E tá tudo bem, é assim que a ciência funciona. Um lado puxa uma coisa, outro lado puxa o outro, e aí aquilo que dá certo, que segue, né? Então, é natural, isso faz parte. Mas isso não muda o contexto em que a doença tá, que tem tratamento conservador.
Sim, é claro que assim, considerando que realmente ela não tenha feito nenhum procedimento estético pra isso, né? Se ela realmente tiver falando a verdade, que é natural aquilo. Veja, tem as próteses pra glúteos também, né? Acho que isso é mais do que prova de que as curvas da mulher, as curvas do lipedema são desejadas de alguma forma, né? Tem gente mimetizando isso com prótese de silicone. O que eu falava bastante lá atrás, hoje em dia eu não falo tanto, mas as curvas da mulher, se não tá doendo, não interessa se tem ou não tem lipedema.
Se ela tá feliz com o corpo, tá ótimo. Eu lembro que me chamaram pra fazer um programa de TV e que a gente ia fazer um exame de ultrassom ao vivo pra ver se a pessoa tinha ou não tinha lipedema. E aí eles pediram que eu levasse uma modelo com lipedema.
Eu levei. A ideia era eles fornecerem uma modelo sem lipedema. Aí eles me forneceram uma modelo.
É óbvio, ela tinha lipedema. No final, ela foi diagnosticada ao vivo. Antes, a gente já falou, você tem lipedema.
Ah, pode bater o olho. Não vai dar. Ela, mas eu não sinto nada.
Você tá bem. Você tem o lipedema controlado, não tem que se preocupar. Aí o pessoal da produção, não, então pode escolher qualquer uma dessas modelos.
Tinha um monte de modelo lá. Aí eu bati o olho e falei assim, mas todas têm. Nossa, eu vou mostrar minhas pernas aqui agora.
Aí eu falei, mas como que a gente vai fazer? Não, então a gente vai buscar lá na administração. Fomos ver a perna das mulheres da administração e a gente achou uma que não tinha. Então, as pessoas podem argumentar de várias formas.
Ah, o amato vê lipedema até na parede. Se ela tá na praia, tá procurando lipedema. Mas, na verdade, essa é uma característica do corpo da mulher.
Que, se controlado, tá tudo bem. Toca a sua vida, não tem que se preocupar com isso. Sim.
É justamente aquilo, o que é bonito pra pessoa, não é o que vai ser bonito pra todo mundo. Que mania que o pessoal tem de ficar achando que também... Porque você acha que a pessoa precisa fazer um tratamento que ela precisa ficar colocando, apontando o dedo. Precisa fazer e como precisa fazer.
Inclusive, no outro episódio, a gente prometeu que ia falar sobre a questão cirúrgica que faz parte do tratamento. Então, eu queria entrar já puxando o gancho da Luana Andrade. Ainda falando dessas influenciadoras famosas.
Pra quem não lembra do caso da Luana Andrade, ela era uma dançarina do SBT, do programa Domingo Legal. Ela fez uma cirurgia no joelho. Depois, os familiares dela disseram que ela foi diagnosticada com lipedema e que ela buscava tratamento pra isso.
Ainda não há nenhuma confirmação, a família não se manifestou, se a cirurgia, de fato, teria uma ligação com a doença. Até eles foram questionados, eles preferiram parar. Acho que falaram, não falaram.
Então, eles começaram falando que ela procurava tratamento de lipedema. Mas depois surgiu a hipótese, eu até fiz uma reportagem sobre isso. Mas isso eu acho que eu tenho algo a acrescentar.
Que ela não foi minha paciente. Ah, sim. Mas eu sei que ela tentou agendar comigo e não conseguiu.
Ah, a gente comentou. Que ia demorar. Eu lembro.
Então, se era ou não era lipedema, ela não passou comigo, eu não tenho como falar. Mas que ela provavelmente estava pensando nisso, tanto que ela agendou comigo. Eu lembro que a gente comentou um pouco antes de acontecer o caso.
Pois é. E aí, durante a cirurgia, ela teve um problema que também, eu não lembro qual foi o que saiu no laudo, mas acho que foi embolia pulmonar, né? Foi embolia pulmonar. E ela morreu durante a cirurgia. Então, esse caso chamou muita atenção, porque era uma moça jovem, bonita.
E muitas pessoas foram, inclusive, comentar nos perfis, na rede social da Luana Andrade. Ela tinha 26 anos no Instagram. E até hoje o perfil está ativo, eu fui entrar pra ver.
E as pessoas criticando demais essa questão dela ter procurado um procedimento estético pra região do joelho, porque acharam que era uma cirurgia pro joelho. Até não citavam o lipedema em um primeiro momento, né? Depois que a família foi explicar. E até hoje tem muitos comentários nas fotos falando que ela não deveria ter procurado tratamento pra isso, porque o joelho era bonito, que ela não precisava de tratamento.
Era lindo, não tinha que fazer nada. Mas, com certeza absoluta, ela devia estar num auge da inflamação. Assim, supondo que ela tinha lipedema mesmo, ela devia estar super inflamada.
Então, eu entendo que ela devia... As pessoas não imaginam o quanto ela estava incomodada com a perna dela, porque a inflamação é altíssima e ninguém enxerga. Vou dar um exemplo. Boa parte das pessoas que estão assistindo aqui já deve ter feito a unha e inflamado.
Você já deve ter feito a unha e ficou inflamado. É uma coisa idiota, pequena. E você passa o dia inteiro cutucando.
Você vai no supermercado, você comenta com a caixa do supermercado sobre a unha. Por que você está comentando sobre uma coisa tão pequena assim? Por que te incomoda tanto uma coisa pequenininha assim? Porque a inflamação faz o nosso cérebro se voltar praquela região porque tem alguma coisa acontecendo de errado. Você tem que resolver.
É isso que passa pelo cérebro. Agora imagina essa inflamação pequenininha na sua perna inteira o tempo todo, continuamente. Imagina como que fica a pessoa numa situação dessa.
Eu entendo o desespero. E o desespero é a ponto de vender o carro pra pagar uma cirurgia e falar pelo amor de Deus, tira esse negócio de mim. E tem muita gente se aproveitando dessa fragilidade da mulher.
Então, o que precisa fazer? Precisa diminuir essa inflamação pra conseguir entrar numa situação de paz, de calma com o corpo pra aí então tomar uma decisão consciente. Voltando no seu assunto inicial. Porque aí então você vai estar numa situação que você consegue tomar uma decisão cirúrgica com o pé no chão.
Entendendo quais são as consequências. Entendendo o que você vai ter que fazer. Fazendo qualquer decisão desse porte de sopetão assim, vai se arrepender.
E é também o caso da Luana Andrade. Eu quis começar a falar dessa questão cirúrgica e tratamento citando o exemplo dela. Porque tem as duas pontas do que a gente citou.
Às vezes a pessoa não sente dor. Só que tem algo que chama atenção visualmente. E as pessoas ficam, nossa, tá nítido que precisa fazer algo.
E a pessoa tá feliz. Igual o caso da Yasmin Brunet, que falou que tava contente ali com o corpo. E no caso da Luana, que esteticamente não tava chamando atenção das pessoas.
Aí de novo, o que as pessoas enxergam. Todo mundo elogiando muito o corpo dela. Falou, nossa, por que ela foi buscar um tratamento? Acabou causando a morte da influenciadora.
Só que ao mesmo tempo ela podia estar sentindo essa dor. Algo ali que tava... Provavelmente. Exato.
Então tem as duas pontas. Às vezes algo estético não é muito bonito, mas a pessoa não tá sentindo dor. Não é bonito para as pessoas, mas para o outro é. Para quem tem é. E no caso da pessoa estar feliz até com o corpo.
Não ser nada que, nossa, preciso buscar algo estético. Mas que tá sentindo um incômodo. Que tá sentindo uma dor.
E foi o que a família da Luana disse. E aí entra no que eu falo bastante. E a ideia do livro.
Como é que eu pego uma pessoa que tá sentindo dor e que tá desesperada com essa situação. E coloco ela numa situação de paz com o corpo. E de felicidade.
Existe esse caminho. Isso é o mais legal. Sim.
E aí já passa de qualquer coisa estética. Porque esse exemplo da unha, da pelinha inflamada. Às vezes você não pensa que isso vai ter uma proporção tão grande.
Nossa, qualquer coisa que você pega, qualquer coisa que você mexe. Aquilo tá lhe incomodando. Aí vem a consciência.
Fala, nossa, eu nem sabia que eu usava tanto esse dedo. Eu nem sabia que ele tava tão presente ali na minha rotina. Exatamente, exatamente.
Imagina isso o dia inteiro com as duas pernas. Nossa, é algo, eu consigo imaginar que seja terrível. E a gente também, entrando nessa questão do tratamento, de como funciona.
No caso da Luana, porque muita gente depois que pensava em fazer a cirurgia. Acabou ficando com medo ali dos riscos. Como o senhor disse, ela não foi só paciente.
Não tem o histórico para poder afirmar o que aconteceu. Mas a cirurgia, de fato, há riscos. Tem vários tipos de cirurgia.
Pelo que a gente já tinha conversado. A cirurgia que mais tem literatura, e mesmo assim é pouca. É a lipoaspiração por vibrolipo.
É uma técnica em que a cânula entra vibrando. De forma que ela não causa danos enormes no tecido. E fragiliza a gordura de forma que consegue ser retirada.
A outra cirurgia que tem um pouquinho de literatura. É a técnica de VAL. Que é a técnica Water Assisted.
Que tem um jato de água que destrói a gordura e depois retira. Ela é uma técnica mais rápida, mas ela tem um dano um pouquinho maior. Funciona também.
E tem a técnica A-Laser. O legal do A-Laser é que todo mundo acha que é ultra tecnológico. Porque tem laser envolvido, então deve ser o mais moderno.
Pois é, não tem nenhum trabalho científico mostrando as evidências. Se é boa ou se não é. O que eu posso falar é que de todos os trabalhos publicados. Só tem 450 casos na literatura.
Desses 450 casos na literatura, boa parte deles perderam o segmento. E foram autoavaliações. São pessoas que fizeram a cirurgia.
E depois de alguns anos perguntavam, ou de alguns meses. Perguntavam, ah, você gostou da cirurgia? Faria novamente? Sim. Aí eles colocam como sucesso cirúrgico.
Só que eles esquecem dessas perdas de segmento. Perda de segmento pode acontecer com pessoa que morreu. Que não quer responder porque ficou com raiva.
Pode acontecer muita coisa. Então se a gente olha só as pessoas que responderam. Vai ter um viés de seleção gigantesco.
E vai ter uma tendência a somente as pessoas que tiveram êxito a responderem. Então com 450 casos na literatura. Alguém ter a coragem de falar que a lipoaspiração é padrão ouro.
Ou cura do lipedema. Desculpa, é mais do que cretinice, é crime. O lipedema, o tratamento cirúrgico do lipedema.
É um tratamento experimental. Ainda é experimental. Ainda falta dados robustos na literatura.
Que entretanto ele é uma ferramenta no tratamento. E pode ser oferecido assim, depois que já tem um controle clínico pelo menos. Porque a grande maioria delas vai operar.
E depois ainda vai ter que fazer todo o tratamento clínico conservador. Então quando a pessoa está naquele estágio crítico que a gente citou. Aquela dor que não consegue nem tocar.
A última coisa que ela tem que fazer é ir atrás de cirurgia. Última coisa. Primeiro precisa ter esse alívio clínico.
Exato. Isso é importante esclarecer. Porque às vezes no desespero quanto mais dor, mais rápido as pessoas querem resolver.
E aí, é tão triste, mas é a pura verdade. Aí ela vai numa situação crítica dessa. Ela tenta agendar com o cirurgião plástico.
O cirurgião plástico fala, não consigo operar você porque minha agenda está muito cheia. Aí uma semana depois liga e fala, abri uma vaga. Se você pagar, a gente dá um jeito de te encaixar.
A pessoa entra em desespero. Fala, nossa, vou fazer vaquinha com todo mundo. Vender meu carro e aí eu vou operar.
Eu acho uma sacanagem sem fim. Porque muitas vezes esse tratamento clínico é capaz já de... Exato. O que tem que fazer numa situação dessa? Teria que abraçar a causa, abraçar a paciente e falar, calma, eu vou te ajudar.
Juntos, a gente vai chegar numa situação de conforto, você vai ficar bem. E aí depois você decide se quer ou não quer operar. Então, cirurgia, eu opero.
Acho que eu devo ser, junto com o Benito, a gente deve ser um dos primeiros vasculares no Brasil a operar, a fazer lipoaspiração. Porque ninguém achava necessário na nossa especialidade fazer isso. Eu fui aprender na Alemanha.
Junto com ele, a gente foi aprender com o Raprich, que foi a primeira pessoa que publicou a primeira série de casos de operação de lipedema. Então, a gente aprendeu com a fonte, com o cara que realmente começou. Voltamos, começamos a operar e o resultado estético inicial, principalmente com a diminuição da dor, é evidente.
Isso acontece mesmo. É muito legal ver isso acontecer. Só que não é só isso que acontece.
Junto, vai ter alterações metabólicas e que dificulta o controle do paciente depois. Então, você tem que ter o caso muito na rédea curta para conseguir operar. Então, depois de dezenas, centenas de casos que a gente operou, a gente acabou mudando a estratégia.
A estratégia passou a ser, vamos contornar, controlar o máximo que a gente consegue, só vamos operar o paciente depois que ele estiver muito bem, muito bem. E aí a gente descobriu o quê? Que o pós-operatório é tranquilo, que o pós-operatório não tem dor. E assim, isso que eu tô falando aqui, qualquer uma que operar inflamada vai falar que eu tô louco, que não existe.
Mas se você opera uma paciente num estágio desenflamado, o pós-operatório é tranquilíssimo. E até nessa questão de a pessoa tá inflamada e querer operar, isso é uma opção da paciente, uma recomendação médica ou vocês não operam? Eu não opero de jeito nenhum. E é legal, meu irmão, doutor Fernando, se a paciente não consegue marcar comigo e cai com ele, ele é cirurgião plástico, e a paciente tá inflamada, ele fala não, antes vai passar com o doutor Alexandre ou doutor Daniel ou alguém da equipe aqui, doutor Keller, doutor Ricardo, vamos controlar antes de operar.
Essa avidez de fazer muita cirurgia acaba operando quem você não tem que operar. Então, essa postura dele é muito ética e necessária nesse meio que tá aparecendo agora. Sim, doutor, eu acredito que seja uma dúvida de quem tá pensando em fazer ou que tem algum caso próximo.
Quando o senhor citou que a recomendação é que a pessoa tenha essa desinflamação pra depois fazer a cirurgia, quando a pessoa já tá se sentindo bem ali com o problema, a necessidade da cirurgia seria pra não voltar a ter de forma grave, porque, por exemplo, se a pessoa teve uma melhora, por que que a cirurgia estaria sendo indicada, entendeu? Quando que realmente é necessária uma cirurgia quando a pessoa teve a melhora clínica da doença? Não é necessário, a não ser se tiver impedimento ou dificuldade de mobilidade, que aí sim, aí a gente tem que operar pra que ela consiga fazer exercício físico, consiga fazer as atividades diárias. Entretanto, a cirurgia ela vai entrar mais como a cereja no bolo, como sobrou essa gordura que a gente não conseguiu tirar mesmo com todo o tratamento conservador. Aí pode ser, mas, sinceramente, o que mais incomoda no futuro, né, depois que faz todo o tratamento, é a pele.
Sobra um pouquinho mais de pele e aí vai pra cirurgia da retirada da pele. E não da gordura, porque a gordura não é mais um problema. Então, normalmente, quem vai pra cirurgia não tá nem mais com aquela dor, né? Eu não opero, quem tá com a dor, pra mim, não tá na fase de operar.
A dor é inflamação. A dor é inflamação, a dor é inflamação. Então, quando você me pergunta se tem alguém que é necessário, pra mim, só quem tem alguma limitação da movimentação e já tá com todo o tratamento conservador no máximo.
Acaba sendo casos mínimos, né? A parcela pequena da situação. E até a questão de outras cirurgias que as pessoas escolhem fazer de forma conjunta, né? Às vezes pede ali, ah, vou fazer uma cirurgia estética. A história do jaquê.
Jaquê, vamos fazer. Jaquê, vou pra faca, vamos fazer mais XYZ. Isso é comum, é possível? Bom, casos menores de varizes dá pra fazer, tá? É bem comum, até, a gente tirar uma ou outra veinha que incomoda.
Até porque há uma associação do lipedema com as varizes. Então, essa inflamação crônica nessa gordura acaba danificando a parede das veias. E, pra quem tem a genética, o aparecimento das varizes.
Então, sim, elas andam mais ou menos de mão dada. E aí a gente aproveita e tira um ou outro vazinho. O que mais que dá pra fazer? Muito frequente a gente fazer a quebra das fibroses, né? Que causam a retração, melhorando a parte estética.
Mas também, outras cirurgias em outras partes do corpo a gente não recomenda. Porque começa a aumentar risco. Quanto mais tempo de cirurgia, quanto mais cirurgias associadas, aumenta o risco de trombose, aumenta o risco de embolia, né? Eu não li o atestado, a análise da Luana.
Mas pelo que eu ouvi, foram várias cirurgias associadas. Não foi só o joelho, né? Teve vários procedimentos. Isso, você vai colocando um procedimento em cima do outro, aumenta risco.
E lipedema é uma doença que não mata ninguém. Até aumenta a sobrevida. Então, eu não posso fazer uma cirurgia que tenha um risco alto pra alguém que tenha uma doença que não vai causar nada de morte.
Eu tenho que ter uma cirurgia ultramega controlada. Tem que ser tudo, tudo, tudo dentro do padrão pra não acontecer nenhum problema. Então, quantidade de gordura ser retirada.
Não pode passar de 7% do peso corporal. E quanto que dá isso? Dá mais ou menos 4 litros e meio, 5 litros de gordura nas pernas. Até aí é seguro.
Passou daí, não tem mais evidência de tratamento, de segurança. Aí não pode. E tem gente fazendo lipoaspirações de alto volume.
Pode? Pode. Um monte de gente já foi parar na UTI com transfusão de sangue, com um monte de necrose de pele. Essas complicações vem parar no meu consultório.
Opera por aí e aí não tem nem coragem de voltar no médico que operou. Exageraram, fizeram coisa que não devia. É de chorar, mas o risco existe.
Se existe, mesmo fazendo tudo certinho, imagina praqueles que fazem errado. Sim. E até na questão da cirurgia, acho que a gente já tinha destacado também no outro episódio, numa outra conversa, que lipedema é considerada uma doença que não tem cura, né? Então, mesmo quando a pessoa passa pela cirurgia, pode ser que exista a reincidiva da doença? Sim.
Veja, o problema era a inflamação. Se eu retiro toda a gordura, a inflamação vai aparecer de novo de alguma outra forma. Provavelmente com outra doença.
Vou dar um exemplo. Vai lá, tenho lipedema. Retira toda a camada protetora da gordura e não trata o gatilho inflamatório, isso pode aparecer até como um câncer.
E sim, eu tenho um monte de casos no consultório de gente que fez a lipoaspiração, não paciente minha, mas depois aparece com câncer de mama, com câncer de alguma outra coisa, e ninguém faz associação. Ninguém conecta os pontos falando, escuta, por que uma paciente tão jovem assim tá tendo câncer? Ah, é uma fatalidade. Fatalidade nada.
É uma doença que tá sendo criada, que é a amputação dessa gordura protetora, sem uma conscientização de que tem que tratar a inflamação depois. Então, ah, mas pode voltar a gordura? Sim, também volta. A gordura volta e ela volta como aquilo que eu falei no outro episódio, gordura visceral.
Isso tá mais do que provado e mostrado. As mulheres que tiram a gordura, a tendência de voltar a gordura é enorme. E ela não volta necessariamente na perna, ela vai voltar na gordura ruim, que é dentro da barriga, aumentando o risco de outras doenças.
Então, e quando volta na perna? Quando volta na perna, ela volta em formato nodular, cheio de nódulos, esteticamente desagradável. Então, não é algo que eu recomendo. Quando opera, tem que estar muito ciente de tudo isso que pode acontecer pra ficar em paz.
Sim, porque a pessoa acha que a cirurgia é um meio permanente de resolver a... É a vontade de resolver definitivamente o problema. Eu pago, você tira o problema e eu nunca mais tenho que pensar nisso e toco minha vida. Desculpa, não é assim.
Se você tirar a gordura, você vai ter que continuar pensando no problema e vai ter que pensar até mais do que se não tivesse operado. Porque aí você não tem mais o corpo avisando que tá inflamando e você vai ter que tratar essa inflamação. Até a questão que a gente falou no primeiro episódio da prevenção, né? Porque é o objetivo também dos dois, né? Que a gente tá falando do meio da conscientização do lipedema.
Então, mesmo com tratamento clínico cirúrgico, a pessoa precisa manter aqueles pilares que a gente disse do controle. E não só pra quem tem, mas também como forma de prevenção, literalmente, né? Pra quem já teve ou pra quem quer evitar chegar... Vamos falar de outro pilar que eu acho que você quer falar? Eu ia citar agora que eu fiquei surpresa que nos bastidores aqui a gente comentou sobre a importância do sono. Então, mesmo que a gente já citou sobre alimentação, tudo que é importante, eu preciso falar sobre isso.
Como que o sono influencia no lipedema? Pois é, tem uma coisa fundamental na nossa vida que é o ritmo circadiano. Isso a gente precisa de uma explicação, né? Pra quem não é da área da saúde até o nome confunde. O que que é? Ritmo circadiano.
O nome que é mais repetido é ciclo circadiano. Mas eu odeio esse nome. Ciclo circadiano vira quase que uma pegadinha, um trava-língua, né? Nossa Senhora! Estava brincando com os meus filhos esses dias.
Num ninho de mafagafo, sete mafagafinhos há. Quem é desmafagafizar, bom desmafagafizador será. Gente, parece outra língua.
Trava-língua, né? Então, ritmo circadiano. O ritmo circadiano, ele é fundamental na nossa vida, porque é o que coloca a gente pra dormir e o que coloca a gente pra acordar. Então, na hora que a gente vai dormir, tem que ter essa liberação de melatonina e na hora que a gente acorda tem que parar essa liberação de melatonina.
Se a gente quebra nosso ritmo circadiano, a gente inflama e a gente inflama muito. Então, o que que a gente pode fazer? Outra coisa, acho que é mais importante. Eu vejo mulheres buscando a lipoaspiração e elas não têm um ritmo circadiano funcionante.
Tem uma que me impressionou, juro por Deus. Foi semana passada ou retrasada. Uma senhora de idade que ela falou que ela passa a noite inteira acordada e ela vai dormir às oito horas da manhã.
E aí ela começa a dormir às oito horas da manhã, aí ela vai acordar à tarde e aí esse é o ritmo dela. E aí ela tinha várias queixas. Uma das queixas dela é que ela não gostava de ir em festinha dos netos.
Ela tem um monte de neto e era um absurdo chamar ela pra todas as festinhas porque ela não dava conta. Como que você vai dar conta se na hora da festinha é o horário que você tem que estar dormindo? E aí isso causava uma ansiedade, um estresse, mais inflamação e aí virava tudo atropelado. Não tinha como dar certo.
Então o que a gente tem que fazer? Primeiro é a higiene do sono. A higiene do sono são todos os processos que a gente tem que fazer no dia a dia pra quando chegar na hora de dormir a gente não ficar acordado. Então desligar as luzes, não comer nada muito pesado à noite, não fazer nada muito estimulante antes de dormir, não usar mídia social, não ver filme.
Essas luzes atrapalham porque na hora que tem luz a pineal no nosso cérebro não vai começar a produzir a melatonina, vai achar que é dia ainda. E aí a pessoa vê um filme estressante, tá lá, o estresse também não deixa dormir, tem a luz da TV e aí ela desliga a TV e fala, tá na hora de dormir. Aí ela fica virando na cama de um lado pro outro e quebrou o ritmo circadiano, não conseguiu dormir.
E aí aquele efeito dominó, derruba o primeiro dominó, vai o segundo efeito cascata e aí um dia tá ruim, outro dia tá pior ainda e pronto. Uma hora já desandou. Então fazer todos esses processos pra melhorar a higiene do sono.
Tem um vídeo aqui no canal que eu dou todas as dicas. Mas outra coisa importante é na hora que acorda avisar o corpo que já tá de dia. Então não olhar pro sol porque vai danificar o olho, né? Mas abrir a janela, receber o sol, isso avisa o corpo que é pra cessar a produção da melatonina.
E aí a gente mantém o ritmo funcionando. Então é interessante, né? Mulheres buscando a lipoaspiração e que tem o ritmo assim completamente doido e acha que a solução da vida dela tá na lipoaspiração. Então tem tanta coisa básica pra ser feita antes de melhorar a retirada da gordura da perna, não é? Eu vejo também mulheres que não evacuam, não conseguem ir no banheiro, constipada, cinco, três, cinco dias.
Ou tem evacuação muita, né? Duas, três vezes por dia. O intestino não funciona. O sono não funciona.
Tá com estresse. Tá com tudo. Ah, eu vou operar porque isso vai resolver meu problema da vida.
Você vai criar um outro problema pra ser resolvido depois. E esse, pro ciclo funcionar direito, eu até ia me arriscar em falar, mas eu prefiro me resumir a ciclo, porque o pessoal também acho que tá testando falar em casa. Deixa eu ver se eu peguei o trava-línguas.
Pode, mesmo independente do horário que a pessoa tem, até que a gente tava citando quem trabalha mais durante a madrugada, mais à noite, desde que faça essa higiene do sono, é uma boa maneira de manter o sono de forma positiva ali, de forma regular. Principalmente quem trabalha de madrugada ou quem tem a necessidade de mudar esse ritmo circadiano, vai ter que dar os gatilhos pra iniciar a produção de melatonina e pra cessar a produção de melatonina. Porque aí você não quebra por completo o ritmo circadiano, você arrasta ele pra outro horário do dia.
Não que seja o ideal, tá? Não é perfeito. O perfeito seria ir dormir na hora que o sol se põe e acordar na hora que tem luz. Mas já ajuda bastante.
Essas maneiras de tentar driblar ali o... E quanto mais jovem, mais a gente consegue se adaptar a isso, né? Com mais idade fica um pouco mais difícil. Fica o tempo também fazendo demais, né? Que acaba sendo mais difícil do pessoal adaptar, porque começa a dormir mais tarde, começa a já entrar na rotina ali e cada vez mais vai largando, né? Exato. E a quebra do sono também acaba sendo prejudicial nisso? Sim.
Quebra o sono, sim. Demais. Tanto acordar de noite, eu lembro quando dava plantão, né? Ah, tem que fazer uma cirurgia de madrugada.
Ok, a gente acorda, o corpo libera toda a adrenalina necessária e a gente tá pronto lá. Mas aí depois ir pro restinho circadiano voltar, né? Difícil, não é fácil não. É, tem gente que divide, né? Dorme metade numa hora, metade numa parte do dia, metade na outra.
Exato. E acha que tá compensando porque não tá sentindo sono, mas a questão é... Ah, uma coisa interessante, né? As pessoas falam, ah, eu... Tem vários comentários engraçados, né? Eu sou bom de cama, né? Eu deito e durmo. Então eu durmo muito bem.
Será mesmo? Será que esse fato de ser bom de cama não é que você tá trazendo um cansaço crônico? E aí é exatamente por isso que você encosta em qualquer lugar e dorme? Essa é uma pergunta. A outra, que é muito comum, as pessoas falarem... Saiu um livro famoso aí que sugeria pras pessoas diminuírem o tempo que dormem, né? Diminuir pra cinco, pra quatro horas, porque ia ficar muito mais produtivo. Corpo humano não foi feito pra isso, não.
É pra dormir sete a oito horas. São raríssimas as pessoas que realmente dormem menos. A grande maioria que dorme pouco tá tendo um sono ruim e tá carregando aí um cansaço crônico.
Então, Napoleão Bonaparte, acho que dormia três horas por noite. Mas ele tava tentando conquistar a Europa e perdeu. Nossa, eu preciso dormir bastante também, senão parece que vai ficando uma bola de neve, né? Às vezes a gente acha que tá sendo mais produtivo dormindo menos pra fazer mais coisas, mas também acaba ficando mais cansado.
Aí o que você faz, você gasta mais tempo. Eu tenho um comentário que eu faço em cirurgia. É a primeira vez que a pessoa ouve e ela não entende, que é a seguinte.
Eu tô com pressa, então faça mais devagar. O que eu quero dizer com isso? Porque se você faz uma coisa devagar e bem feito, você vai fazer uma vez só. Sim.
Se você tenta apressar e faz mal feito e vai ter que fazer de novo e depois fazer de novo, muitas vezes você vai acabar gastando mais tempo. Então, se você tá cansado e você vai lá fazer alguma coisa que você tem que fazer e você tem que fazer, refazer, você tá gastando mais tempo do que o necessário. Então, às vezes você dormir um pouco mais e o tempo que você tá acordado, você é muito mais produtivo e eficaz, é melhor do que você dormir menos e ter mais tempo durante o dia.
Tentar lotar a agenda, né? Dormir menos, colocar um monte de compromisso e achar que tá sendo mais produtivo. Isso realmente é muito comum. É. Doutor, sobre essa questão do tratamento até cirúrgico, né, que a gente tava dizendo, eu deixei aqui pra parte mais caminhando pro final, porque eu acredito que seja interesse de muitas pessoas a questão de convênio, como que funciona a cobertura do tratamento do lipedema, se o convênio cobre.
Eu vi que o Amato, na página da clínica mesmo, fala bastante sobre isso, mas acho que é importante a gente explicar e até conversar sobre como que isso tem sido desenvolvido pra questão de cobertura de convênio e também pro SUS. Vamos lá. O lipedema, as pessoas acham que porque o lipedema é reconhecido como doença, aí direto já vai ter liberação do convênio pra tratamento cirúrgico.
E não é bem assim. No Brasil tem uma outra lista, que não é a lista de classificação de doença, é a classificação do Rol da NS. No Rol da NS tem a lista de procedimentos obrigatórios que os convênios têm que cobrir.
Dentro dessa lista, por exemplo, tem a cirurgia de apêndice, apendicite, que é óbvio, não tem que discutir, tem apêndice, tem apendicite, tem que fazer a cirurgia, ponto final. Agora, quem tem lipedema, tem alguma alternativa no Rol da NS? Bom, lipoaspiração é uma cirurgia que é tradicionalmente usada pra fins estéticos. Não há um interesse, tanto de sociedade de médicos ou médicos cirurgiões plásticos, de transformarem uma cirurgia estética, que é particular e que tem um custo, numa cirurgia em que o convênio vai cobrir.
Por outro lado, o convênio também não tem interesse em fazer com que essa cirurgia seja obrigatória. Então, ela não entra e não tem ninguém brigando pra colocar essa cirurgia no Rol da NS. Então, não é bem assim, a cirurgia, o lipedema é reconhecido como doença, mas não tem diretamente essa autorização pelo convênio.
Se o convênio é muito bom, caríssimo, pode ser até que eles liberem pra não dar argumentação, pra não ficar discutindo com um cliente bom, né, mas a grande maioria não. Convênio estrangeiro, internacional, dependendo de que país, tem alguns países que estão mais avançados nisso e que aí tem autorização. E aí é mais fácil.
SUS, entra na mesma questão do Rol da NS. Qual que é a saída? A saída é, tendo a evidência da doença, é possível entrar na justiça pedindo que haja uma liberação desse procedimento pro convênio fazer. A questão é, vai entrar num negócio, vamos ver se eu lembro o nome, não vou lembrar o nome, mas tutela antecipada, lembrei.
Que é onde o juiz, ele decide uma coisa antes do julgamento inteiro, então ele libera a cirurgia antes de correr o julgamento, porque é uma doença, entre aspas, de risco, então tem que ser rápido e aí opera e depois vai julgar. Não dá pra fazer uma tutela antecipada no lipedema, porque o lipedema não vai levar à morte, não vai levar à perda de membro. Eu já tive paciente aqui cujo advogado pedia pra eu fazer um relatório catastrófico falando que a paciente ia perder a perna se não operasse.
Mas eu não posso mentir assim, não dá. Ele, ah, então não tem como fazer a tutela antecipada. Eu falei, tudo bem, mas eu não vou mentir.
A questão é, então faz o que? Numa situação que não entra na tutela antecipada, dá pra entrar na justiça e esperar o julgamento inteiro e aí depois se o juiz decide que sim, que o convênio tem que cobrir, aí faz a cirurgia. Só que esse processo pode ser rápido ou lento, depende da justiça, não depende nem do médico, nem do advogado e nem do paciente. Então, vale a pena? Não sei, de verdade.
Eu tento diminuir o estresse que minhas pacientes passam e não aumentar. E aí eu vejo que esse processo todo é um aumento enorme do estresse. Por outro lado, falando um pouquinho do SUS, lá atrás eu cheguei a falar com o ministro da saúde, tentando colocar esse procedimento no rol do SUS.
Eu conversei com bastante gente no governo, foi uma paciente minha que abriu as portas pra seguir nesse processo e fui indo, até uma hora que caiu a ficha e eu vi que eu ia fazer um mal pras pacientes se a cirurgia entrasse no SUS antes de ter todo o protocolo de tratamento conservador bem estabelecido. Ia virar uma carnificina. Ia ser todo mundo caindo lá no SUS, implorando por uma cirurgia, sem ter feito o tratamento adequado antes.
Então, a gente tem que tomar muito cuidado com o que a gente quer, porque às vezes a gente consegue e pode não ser o que a gente precisa. Sim, entra naquela questão, às vezes a paciente está brigando pela cirurgia, seja no SUS ou seja no particular, no convênio, eu digo, mas o tratamento conservador consegue atender a necessidade. Poderia resolver o problema dela.
E nesse desespero todo ela está simplesmente seguindo a manada. Eu entendi esse seguindo a manada na hora que passou por mim um abaixo-assinado pra colocar a cirurgia no SUS. Eu falei, tudo bem, mas se colocar no SUS, quais serão os critérios? Isso não existia na época.
Quem que tem que operar? Quando? De que forma? Aí vai ter um monte de gente num estágio ultra inicial pedindo cirurgia, enquanto tem algumas que não conseguem nem andar, que não estão tendo acesso. Calma aí, então a gente tem que colocar. Quem que precisa operar o SUS tem que ser racional, tem que ter uma inteligência por trás.
Não pode liberar pra todo mundo da noite pro dia. Primeiro, ninguém vai ter, que vai ser o que eu falei, uma carnificina. 12,3% das mulheres do Brasil da noite pro dia vão precisar de cirurgia? Sim.
Calma, vamos respirar fundo. Tem outras coisas pra se fazer antes disso entrar como obrigatório. E a primeira delas é uma diretriz bem definida.
E antes de uma diretriz tem que ter um consenso. Então, a gente montou o Consenso Brasileiro de Lipedema e ele tá pra ser publicado em revista científica. Isso é um trabalho enorme que a gente fez, eu capitaneei, mas um monte de gente participou, tem mais de 100 pessoas que participaram do processo todo e aí a gente já estabelece as bases em que a gente começa a colocar os tijolinhos pra fazer o castelo.
Colocar a cirurgia no SUS da noite pro dia seria colocar a bandeirinha em cima do castelo antes de ter qualquer coisa criada lá embaixo. É, porque essa era a minha pergunta agora, né, que eu acho que não dá pra gente finalizar sem ter isso bem esclarecido pra quem depende do atendimento do SUS, do atendimento público. A gente disse que não tá bem estabelecido pro nível cirúrgico, que isso ainda demanda um processo, mas pro tratamento conservador, é possível a gente afirmar que tem um preparo já do Sistema Único de Saúde pra isso? Eu não atendo no SUS, mas eu tenho ideia do que acontece e sinto dizer que não, não tem.
É algo que a gente precisa melhorar e precisa melhorar muito. Tem algumas sementes que estão crescendo aí no SUS e pode ser que regando acabe englobando o lipedema também. Não tem nada que eu saiba só para o lipedema, mas tem vários projetos que podem crescer e abraçar o lipedema.
Tanto que na época que eu fui ver tudo isso, queriam colocar o lipedema na classificação de doenças raras. Falei, mas como que eu vou colocar doenças raras com 12% da população? Não dá, eu não consigo encaixar. E eu tentei de tudo quanto é forma.
Falei, não, então vamos colocar o lipolinfedema, que é o estágio 4, como doença rara. Ah, isso talvez, mas só se a gente distorcer um pouquinho e falar que é uma doença do sangue. Falei, gente, não dá pra fazer gambiarra assim.
Tem que fazer bem feito. Quando envolve algo de saúde, algo que ainda atinge tanta gente, não tem realmente como fugir do que é o fato ali. E esse preparo que a gente falou da importância de ter essa conscientização de todos os profissionais, mas falando agora do SUS, porque se até na rede privada existe essa dificuldade de diagnóstico, dificuldade de tratamento adequado, de orientação certa, eu imagino que é nítido.
Isso não tem como a gente negar, sempre acaba sendo mais difícil para chegar no SUS. Esse preparo e essa orientação correta, e até para não prejudicar o futuro das pessoas, porque a gente está falando agora, a gente citou no outro episódio que você fez episódios há muitos anos falando sobre a doença, não imaginava também, imagino eu, o tamanho da proporção que ia tomar hoje, e a gente pode estar falando isso agora e daqui muitos anos a gente lembrar desse episódio e falar, olha só como evoluiu, olha só como está no SUS. Nossa, isso é muito legal ver a evolução de tudo isso.
Eu vejo desde o início, da primeira sementinha, o primeiro post de junho lipedema no Brasil fui eu que coloquei. Eu lembro eu pensando, será que eu pego um outro mês para fazer o mês de conscientização ou será que eu pego o mês dos Estados Unidos? Vamos pegar o mês dos Estados Unidos. É divertido ver essa evolução, e eu sou um otimista, porque as pessoas olham e ficam vendo a parte negativa, eu olho e vejo, caramba, olha como a gente melhorou, olha o que a gente tem para fazer, dá para resolver quase todos os casos de lipedema, dá para melhorar a qualidade de vida dessas mulheres.
Então, coisa que eu não tinha há 7 anos atrás era, vamos dizer, 30% que dava para melhorar bastante, hoje em dia quase todas. Então, puxa vida, o futuro é promissor. Exato, e a gente tem dois episódios sobre conscientização e com essa certeza que daqui a anos, se a gente pegar para olhar esse episódio que a gente está colocando agora, nossa, quanta coisa mudou, quanta coisa evoluiu, porque a gente jamais imaginava, por exemplo, que um vídeo de TikTok falando de lipedema ia ter 1 milhão de curtidas, fora milhões de visualizações, então realmente é uma coisa assustadora como avança.
Como a gente já chegou agora no final, eu queria só reforçar a questão do seu livro, porque eu acho que é muito importante, até nessa conscientização, que é o nosso tema desse episódio e do outro, para quem não assistiu, também a gente vai deixar o link aqui embaixo, vou pedir para você explicar onde que as pessoas conseguem acessar o seu livro, como que é possível comprar, e também as redes sociais do Dr. Alexandre, a gente colocou na abertura, quando eu falei sobre o currículo dele, vocês conseguem ver nas redes sociais, tem bastante coisa do seu livro lá, mas também se quiser deixar algum recado sobre isso. Então, A Beleza do Lipedema, ela está disponível na Amazon, tem em e-book e tem em livro físico também. O livro físico também tem no Clube de Autores, clubedeautores.com.br, e eu estou lançando ao mesmo tempo o livro em inglês, e em inglês eu fiz um título bem diferente, The Essential Guide for Living with Lipedema.
Eu acho que A Beleza do Lipedema, já teve algumas pessoas que não entenderam o que eu queria dizer com isso aqui no Brasil, eu achei que era muito arriscado demais eu fazer isso em inglês, que não é a minha língua mãe, né? Então, a ideia do livro é ajudar todas as portadoras de lipedema, mostrando que existe sim um caminho pra melhora. Legal, a gente vai colocar o link então aqui pra quem tiver interesse em saber mais sobre o livro ou comprar nesses sites que o doutor falou, e pra quem tiver alguma dúvida pode deixar o comentário também, a gente traz de novo o doutor Alexandre pra falar sobre a doença, a gente comentou já bastante, mas cada vez que a gente traz é sempre mais esclarecedor, e sempre pontos que a gente não tinha discutido antes, né? Então, se ficou alguma dúvida pode comentar aqui no nosso vídeo, ou mandar também nas redes sociais do doutor Alexandre. Obrigada pela sua participação.
Obrigado pelo convite. Obrigada também a você pela sua participação, e a audiência aqui conosco, como eu disse sempre, pra falar sobre tudo que envolve qualidade de vida. Conto com você no nosso próximo episódio.
Tchau!
Este conteúdo é informativo. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico especialista.